compilação dos textos publicados no jornal labor (www.labor.pt), de 2004 a 2020.
quarta-feira, setembro 11, 2013
Ambição
quarta-feira, setembro 04, 2013
Fim de Agosto
Para o regresso, quatro breves apontamentos do mês findo:
1. A sondagem publicada no jornal “O Regional” condicionou as próximas eleições autárquicas. Em especial, por ser divulgada a menos de dois meses da data agendada para o escrutínio e ao ser publicada na última edição, antes das férias de Agosto.
Ao não permitir qualquer reacção política, nem comentário, nem estudo contraditório, nem acção de mobilização dos eleitores, por coincidir com o mês em que a maioria da população está de férias, existe a forte convicção que as eleições já estão decididas.
Os números divulgados, a confirmarem-se no dia 29 de Setembro, permitem antever uma folgada vitória de Ricardo Figueiredo, uma disputa curiosa pelo segundo lugar, entre o candidato do PS e a candidatura do Dr. Jorge Lima e uma feroz disputa entre as restantes três forças políticas – CDS/PP, CDU e Bloco de Esquerda – pelo quarto lugar, ou pela fuga à menos votada.
A sondagem confirma a ideia, expressa anteriormente, da população local se identificar com a independência política. Entre a entrega desinteressada à causa pública ou a luta partidária, os eleitores preferem a primeira, assim como, optam pela elevação argumentadora em detrimento do ataque insultuoso. São sinais democráticos bem visíveis por todo o país e a maioria da população sanjoanense reconhece-se neles.
2. Uma notícia do Jornal Notícias, sobre a hipotética devolução de alguns hospitais aos respectivos núcleos concelhios da Santa Casa da Misericórdia, evidenciou outra forma de fazer política: a assertividade. Um comunicado curto, vincando uma ideia antiga, a necessidade de o Hospital de S. João da Madeira permanecer no Serviço Nacional de Saúde. Em contraste, uma longa lista de acusações, esquecendo a necessidade de racionalizar meios do Estado, tão correctamente apregoada durante os anos 2005 a 2009.
3. As características essencialmente urbanas do concelho de S. João da Madeira permitem encarar a época de incêndios com alguma distância. Apesar de muitos fogos serem em freguesias de concelhos vizinhos, as chamas raramente incomodam a população local. O fumo, esse faz-se sentir e permite visualizar ao longe a desgraça que outros estão a viver. Neste contexto, a notícia da detecção de um eventual incendiário, oriundo de S. João da Madeira, não possibilita encarar todo este processo sem se questionar o falhanço da educação e da acção cívica comunitária.
4. A exposição de Joana Vasconcelos no Palácio Nacional da Ajuda com 235.000 espectadores, a grande maioria durante o mês de Agosto e a exibição do filme “A Gaiola Dourada”, ao qual assistiram em Portugal no último mês, o da estreia, 430.000 espectadores, demonstram a capacidade dos criadores nacionais em atrair público. Contribuí para esses números, intervalando os banhos e as sessões de leitura, para, em família, visualizar as concepções de Joana Vasconcelos e a divertida história filmada pelo luso-francês Ruben Alves. Depois do sucesso da exposição em Versailhes da artista portuguesa, temos outro bom exemplo da exploração do filão: comunidades portuguesas.
quarta-feira, julho 24, 2013
As Férias
Os primeiros indícios da aproximação das férias são a diminuição da atividade escolar, os exames, os resultados, as matrículas, acompanhadas das festas finais das atividades complementares. Enquanto isso, os jovens atletas terminam a sua época desportiva, parando os treinos.
O trabalho dos adultos prossegue, cumprindo-se o calendário.
Nas estradas surgem carros limpinhos, de pintura brilhante, com matrículas com números e letras organizados de forma diferente. Alguns carros trazem a cruz suíça na matrícula e outros apresentam chapa amarela.
Aos poucos as empresas vão entrando em período de férias. As zonas industriais começam a ter menos movimento. Menos tráfego, menos carros estacionados junto às suas portas, ou nos parques de estacionamento. Poucas pessoas a percorrer as ruas adjacentes às fábricas. Algumas sirenes desligam-se neste período. Vários portões permanecem fechados, cortinas corridas ou persianas desenroladas.
Os jornais locais anunciam o encerramento para férias, não se publicando durante o mês de agosto.
O comércio espera pelos turistas ocasionais, pelos seus ímpetos consumistas, em especial os emigrantes.
Os serviços e repartições recebem algum fluxo extra de clientes ou utentes, durante as primeiras manhãs de Agosto mas, depois tudo fica mais calmo. A escala de férias vai estabelecendo o ritmo do trabalho.
Nas ruas do centro, as esplanadas são procuradas pela manhã. Grupos de clientes partilham mesas, fazem consumo, agitam-se em conversas. Circulam forasteiros de calções, fazendo abastecimentos matinais, para debandar até à praia durante a tarde.
O movimento de muitos.
As tardes são calmas e no seu final, estranha-se o silêncio. Surpreende a quantidade de lugares de estacionamento disponíveis pelas ruas centrais e sobretudo, o pouco trânsito na hora de ponta.
O serão é confrangedor.
As noites de verão, em zona balnear, caraterizam-se pela vontade social de conviver. Cafés, bares e esplanadas enchem-se, as ruas apinham-se. Pessoas sem horários, com vontade de passear, de conversar, preferem sair de casa, alterar hábitos, desligar-se da televisão e encontrar amigos.
Em contraste, as ruas vazias da cidade em período noturno, com cafés encerrados para férias, outros com poucos clientes e com jornais antigos amontoados, em especial, o último número dos semanários locais publicado no final de julho, folheado vezes sem conta, observando-se de novo as fotos aí publicadas, aproveitando para comentar com a restante clientela, uma ou outra patenteada, interrompendo a conversa futebolística do dia, baseada nas hipotéticas aquisições dos clubes nacionais, ou nos resultados menos conseguidos na preparação dessas equipas, permitem pensar que é tempo de partir.
Mudar de ares, ver outras caras, envolver-se em outras paisagens. Na praia, no campo, na serra, na cidade, na aldeia, ou mesmo numa vila, é tempo para as merecidas férias.
O reencontro com os leitores fica agendado para Setembro. Até lá, aproveito para descansar os dedos (foi um ano produtivo em textos publicados) e dedicar-me à leitura compulsiva. Vou atacar clássicos da literatura e uma biografia do rei D. Duarte... o do século XV.
Finalizo, desejando a todos, umas ótimas férias.
(a publicar no dia 25/07/13)
quarta-feira, julho 17, 2013
A sede
quarta-feira, julho 10, 2013
Baixa-Mar
quarta-feira, julho 03, 2013
O homem de chapéu
quarta-feira, junho 26, 2013
A hora do ardina
quarta-feira, junho 19, 2013
5 de Agosto
Em Janeiro 2009, enalteci o esforço hercúleo do anterior presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, em resolver os problemas de gestão, herdados do seu antecessor. Listei doze assuntos, que estavam já resolvidos, ou em vias de o ser nos anos seguintes.
Apenas um chegou a 2013 por resolver - precisamente o restauro do cinema Imperador.
A semana passada, com a inauguração da Casa da Criatividade, chegou ao fim este capítulo na história da cidade. Não vou tecer considerações alongadas sobre esse período, apenas recordando o lançamento de várias obras, sem garantia de financiamento, que se prolongariam por longos anos, até à sua conclusão.
O endividamento da autarquia local ficou resolvido, em parte, pela venda de terreno municipal para a instalação do centro comercial e não só. Ficou reconhecida a capacidade de gestão do anterior edil, assim como, a sua apetência pela candidatura a fundos comunitários. Desta forma, a cidade não ficou com grandes problemas estruturais por resolver, nem muito menos, com muitas obras pendentes.
Três grandes investimentos municipais terão que ser resolvidos.
O primeiro não é nenhum problema, já que tem data agendada para a inauguração - precisamente a reconversão funcional das antigas instalações da Oliva.
Um dos outros investimentos a concluir será a ampliação do Centro Empresarial e Tecnológico / Sanjotec.
Por fim, teremos a nova piscina, ainda sem financiamento garantido. No entanto, as condicionantes de atribuição dos fundos, com a mudança de tutela, podem ser mais favoráveis ao projeto local. A disponibilização de verbas “lá para finais de 2013” (uma expressão utilizada pelo anterior presidente da Câmara), poderá mesmo acontecer. A nomeação do Dr. Castro Almeida para a Secretaria de Estado com a responsabilidade pela atribuição dos fundos comunitários, permite equacionar um cenário favorável ao financiamento da nova piscina local. Sem maquiavelismo, prevejo a divulgação desse financiamento antes do dia 29 de Setembro deste ano, data agendada para as eleições autárquicas.
A hipótese de conclusão destes projetos municipais, num médio prazo, abre a possibilidade de lançamento de novas ideias sobre a cidade. As eleições serão importantes para sufragar as intenções de cada candidatura. Numa época de crise económica, apresentar investimentos municipais, capazes de dinamizar o contexto social, será a audácia política necessária e obviamente a premiada.
Por agora, tudo está focalizado nas listas de candidatos.
A 5 de Agosto termina o prazo para entrega das candidaturas. Não sendo todas conhecidas, o que não permite extrapolar conclusões, verifica-se nas já apresentadas dois tipos: de um lado a militância, do outro a sociedade civil, encabeçada por candidatos independentes. Outro dado curioso, dos candidatos conhecidos, um é empresário e os restantes são funcionários do Estado.
A interseção destas tipologias acarretou uma novidade política, expressa no apoio de alguns dinâmicos (e jovens) empregadores da cidade, completamente inseridos no tecido social da cidade, que não tiveram qualquer dúvida em alavancar uma das candidaturas.
Os dados estão praticamente todos lançados. Daqui a um mês e meio, todos os candidatos serão conhecidos.
No final de Setembro tudo estará terminado.
(a publicar no dia 20/06/13)