quarta-feira, janeiro 30, 2013

Mobilidade

            E os pilaretes? – perguntava-me um amigo. Devias escrever sobre os pilaretes – aconselhava-me.
            Naquela semana, era o terceiro a encomendar-me textos sobre a cidade, os seus problemas e preocupações da população. Consequências da minha maior exposição.
Eu tinha anteriormente criticado a intervenção na praça, aleguei isso mesmo. No entanto, procurei averiguar o que o afligia. A questão prendia-se com a demora na colocação dos pilaretes. A observação da execução da obra permitia duvidar da capacidade técnica da empresa contratada. Os custos poderiam ser ultrapassados e o erário público seria prejudicado.
E os pilaretes?
Rebati os argumentos, defendendo o rigor no controlo de custos das empreitadas contratadas pela Câmara Municipal de S. João da Madeira. O argumento surpreendeu o meu amigo.
(se calhar não foi o único)
Prontamente, a conversa derivou para o excesso da carga fiscal, para o aumento previsto para o ano seguinte e claro, para os devaneios de políticos e voltamos ao descontrolo dos custos de execução.
Os pilaretes ficaram de fora.
Nessa semana, a notícia da cidade era o atraso no pagamento aos professores na Academia de Música. A melhor previsão era o dinheiro ficar disponível para Janeiro de 2013.
As obras nas ruas adjacentes da Praça, entretanto, ficaram concluídas.
O orçamento de Estado, o consequente aumento na carga fiscal começam agora a pesar no vencimento dos portugueses.
Nenhuma solução patrocinada pela Câmara Municipal, para pagamento aos professores da Academia, foi ventilada para o exterior. Nem empréstimo, nem aval de empréstimo sobre o valor em causa, até as verbas do POPH ficarem disponíveis, nada foi transmitido à população. Janeiro termina hoje. As dificuldades da Academia continuam a ser notícia. Outras instituições recebem tratamento diferente: Sanjotec foi notícia por questão semelhante; para alguns clubes criam-se soluções na tesouraria municipal para fazer face às suas necessidades, como pagamento por duodécimos, entre outras antecipações.  
E os pilaretes?
(em mandarim pilaretes escrevem-se: 缆桩)
Circula-se de automóvel pela rua do visconde e segue-se sem constrangimentos para a rua do dourado. Os pilaretes e os blocos de granito ladeiam o percurso, impedindo os pneus de calcar a relva, ou invadir a madeira. O estacionamento é feito em nichos. Alguns carros ficam na zona mais larga, no lado da Praça, encostados aos granitos. Na rua do dourado há pilaretes dos dois lados. No final, um buraco no piso faz estremecer o automóvel.
Sigo para casa para continuar a aventura literária de Joyce.
Os pilaretes são responsáveis pela mobilidade reduzida em espaço urbano, diz Graça Fonseca, no meio do temporal do Orçamento Participativo. A perspetiva de quem trabalha com a ACAPO como parceiro. Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal – ACAPO. O conceito de mobilidade pedonal muda a posição perante os pilaretes. O alerta da vereadora da Câmara Municipal de Lisboa obriga-me a percorrer a rua do visconde de novo. Tenho que verificar se a passagem da Praça para a rua do dourado está acessível. Ou será que os carros estacionados tapam a passagem aos peões? E às pessoas com mobilidade reduzida?
A qualidade de vida numa cidade mede-se pela mobilidade. Em espaço urbano, a eliminação de barreiras arquitetónicas deve ser acompanhada pela dotação de condições de circulação, isentas de constrangimento.    
Afinal, os pilaretes tinham assunto. Não o conceito estético, nem o financeiro, apenas o da mobilidade e o incómodo criado na zona pedonal.
Ainda me falta escrever sobre um desafio lançado por outro amigo.
 
(a publicar no dia 31/01/13)
 

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Plano B

            Uma sondagem telefónica, com a pergunta “que obra gostaria de ver construída em S. João da Madeira?”, foi a novidade da última semana.
            Um dos meus familiares recebeu um dos telefonemas e não fixou qual a empresa associada à sondagem. Sem esta informação, não é possível apurar quem pretende saber, por este meio, como agradar à população local, aos munícipes, ou se quisermos, aos eleitores.
            As extremas condições climatéricas dos últimos dias, as fortes chuvas, as constantes rajadas de vento, tendo como consequência estragos e mais estragos, associadas com faltas de electricidade, podem ter retirado o impacto da sondagem junto da população.
            Não sei que resultados serão conseguidos.
            Muito menos, caso me fizessem essa consulta, teria resposta imediata.
            Preocupa-me mais as obras previstas e sem financiamento garantido, do que hipotéticas obras.
            Se a pergunta fosse “que obra gostaria de não ver construída… ?”, eu tinha a resposta na ponta da língua. Ou utilizando uma linguagem mais positiva e assertiva, reformulando a questão ficaria “qual dos projectos previstos para S. João da Madeira abdicaria de construir?”. Abdicaria… desistia, para ser mais facilmente entendível a pergunta e não parecer uma das questões dos referendos do tempo de António Guterres.
              A minha resposta é simples: a piscina de 50 metros - caso se verifique não ficar garantido o financiamento no actual quadro de apoios comunitários, ressalvo.
            É certo que o concurso está feito, o projecto escolhido, o prémio ao autor atribuído. Só falta o mais difícil garantir o financiamento.
Para 2013 a Câmara Municipal prevê uma verba de 750.000 euros, do seu orçamento. Acontece que o projecto está estimado em cinco milhões. Caso se dilua esta construção pela disponibilidade financeira anual da edilidade local, são necessários praticamente sete anos para concluir a construção da piscina.
Ora, segundo o edil seria mais caro reparar e criar boas condições de utilização na piscina actual, do que construir uma nova. Sendo assim, daqui a sete anos, 2020, a piscina municipal de 25 metros estará obsoleta e impraticável, sem possibilidade de os munícipes poderem praticar natação na cidade.
É evidente que olhando para a verba disponível para este ano no OE municipal, pode-se pensar noutra solução mais low-cost.
O plano B.
Apropriado aos dias de hoje, de projectos mais realistas e de baixo custo de execução.
No seio da autarquia, o gabinete de arquitectura poderá perfeitamente conceber uma piscina de 25 metros, encaixando-a junto à actual. Os balneários seriam os mesmos do complexo desportivo. Esta nova construção seria simples, sem estacionamento em piso inferior e obrigatoriamente sem bancadas de apoio, apenas 2 degraus para as pessoas que pretendem assistir às aulas. Poderia pensar-se num tanque de aprendizagem complementar e tudo isto enquadrado perfeitamente na estrutura actual, sem grandes variações de arquitectura.
Esta quase triplicação dos planos de água permitiria responder às necessidades dos habitantes locais e das freguesias vizinhas. Um complexo idêntico ao que existe em cidades como Viseu, segundo relatos transmitido, porque infelizmente não conheço tais piscinas.
Apenas faltaria a resposta à equipa de competição da Associação Estamos Juntos, que necessita, para ser competitiva, de treinar frequentemente em piscina de 50 metros. Para isso, seria importante pensar em cobrir sazonalmente a piscina exterior. Utilizando-se coberturas amovíveis, ou mangas apropriadas, para garantir a actividade da piscina durante 12 meses e não apenas em três, caso o tempo estie. Previamente deve-se eliminar o atentando ecológico de perda de água da referida piscina. Tratar em seguida de garantir o aquecimento moderado do espaço e então, após a aquisição de uma cobertura moderna, ficar com um complexo aquático adequado preparado para os próximos vinte e cinco anos, na óptica do comum utilizador.
Soluções baratas e concretizáveis. Faltando apenas resolver o problema do desumidificador da actual piscina, o que não deve ser difícil.
Remato, reafirmando que com estas soluções, existe a possibilidade de se continuarem a organizar provas de natação em S. João da Madeira, que atraem forasteiros de todo o país, contribuindo para a divulgação e promoção da cidade, o que não acontecerá caso se concretize o financiamento à nova piscina.
 
 
(a publicar no dia 24/01/13)
 
Nota: infelizmente recuei ao antigo acordo ortográfico, se tiver  oportunidade corrijo isto.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

O sopro de Dylan

            A sintonia analógica era difícil. As ondas hertzianas não eram bem captadas e algumas estações de rádio teimavam em serem ouvidas com ruído de fundo. Ainda assim, dada a preferência, uma questão de afirmação juvenil, ouvia-se as emissões com alguma dose de religiosidade. 
            Por essa época, havia um ou outro programa que teimava em repor músicas de décadas anteriores. Em horas específicas e longe da música dos tops, rolava o som de “Like a Rolling Stone”, pela voz de Bob Dylan. A música foi gravada em 1965 e praticamente duas décadas depois, eu ouvia-a com grande entusiasmo. Havia algo naquela voz que mexia comigo. O refrão era cantarolado, a letra não era entendida.
O mesmo aconteceu várias vezes, até eu ter uma perceção musical diferente e uma sensibilidade maior para as palavras das canções. “Take walk on the wild side” de Lou Reed, enquadrava-se no género e acompanhou-me sempre ao longo destas quase três décadas.
Apesar da melhoria na sintonização dos rádios digitais e da possibilidade de memorizar as estações de rádios, acompanhada pela evolução tecnológica nos suportes e leitores de música, prefiro continuar ouvir vozes de registo diferente. Leonard Cohen e Tom Waits, já por aqui expliquei, são inigualáveis. 
Nos últimos anos, as minhas surpresas musicais surgiram por meios diferentes, Manu Chao na televisão, Robyn Hitchcock no cinema, entrando de perfil num filme de Jonhatan Demme - nos jardins do casamento de Rachel - e Andrew Bird, no genérico de um filme, cujo nome não me ocorre.
Vozes diferentes, outras melodias.
O inesperado momento em que não se esperava nada de novo, até que o som duma música, captando a atenção, desperta novas sensações.
No carro, ao ouvir um célebre disco de Dave Brubeck, descobri o magnífico “Take Five”. Rolei-o vezes sem conta, em férias, nas viagens da praia para casa e de retorno. Decompondo a música, ouvindo o tema do saxofone, o ritmo do piano, o solo de bateria, tendo sempre a linha de baixo no centro de atenção. Insistentemente, transmitindo aos meus filhos o brilhantismo musical do pianista e compositor jazzístico norte-americano. Reconhecimento surgido apenas ao visionarem um episódio da série Simpsons, em que Liza no seu clube de jazz, tocando o seu saxofone, executa precisamente o virtuoso momento de “Take Five”.
Pelo youtube, o meu principal meio de audição de música, cheguei a “god’s gonna cut you down” interpretado por Johnny Cash, que me deixou atónito. Um registo fabuloso. Uma surpresa que partilho com amigos, deixando-os em igual estado ao escutarem o imprevisto som, longe do estereótipo da música “country” onde o tínhamos encaixado.
Nas viagens de carro entre a casa e o trabalho, o rádio vai ligado para ouvir as notícias do dia, as últimas do futebol, as brincadeiras do Bruno Nogueira e do João Quadros, com sonoplastia de outro fulano, cujo nome, apesar de repetido diariamente, não me ocorre. Na hora de almoço, nessa estação, das iniciais da telefonia sem fios, passam músicas selecionadas por personalidades públicas. Músicas antigas, ou de artistas consagradas, do género dos atrás por mim mencionados. Há dias, numa hora em que deviam estar a ser lidas as notícias, o meu ouvido captou uma melodia curiosa. A voz não me era estranha, embora não estivesse a reconhecer de quem era. Fiz um esforço de memória e parecia-me a de um consagrado músico negro, tipo Louis Amstrong. Com um registo menos grave e com uma guitarra a sobressair. Esperei pelo fim e o locutor anunciou nem mais, nem menos, do que Bob Dylan. Fiquei surpreendido, acreditei tratar-se de uma qualquer música antiga. Descobri que não. Era do seu último álbum. Trata-se da música Dusquene Whistle, cujo vídeo – entretanto encontrei-o sem dificuldade – pela violência apresentada, parece inspirado nos filmes de Tarantino.  
Aos 50 anos de carreira, Dylan aproveitou bem o apito do comboio de Dusquene. Demonstrou estar com fôlego para ainda se ouvir o seu sopro. A mim surpreendeu-me pela acidentalidade e voltei a ter prazer em ouvir uma canção.
 
(a publicar no dia 17/01/13)
 

quarta-feira, janeiro 09, 2013

A Tábua de Flandres

 
            Fechei o livro. Li a última página, antes de iniciar a escrita destas linhas.
Durante anos fugi deste livro, de Arturo Pérez-Reverte. No entanto, adoro a sua escrita. Possuo outros títulos seus na minha pequena biblioteca: O Hussardo, Um dia de cólera, O Pintor de Batalhas. Devorei a capacidade do autor em recriar factos históricos, em nos agarrar à narrativa, derramando litros de sangue para fazer avançar o enredo literário.
A Tábua de Flandres escapava há vinte anos.
Ao regressar à atividade associativa via xadrez distrital, senti um desejo de voltar a mexer nas peças do nobre jogo. Deixei o jogo como desportista federado há quinze anos. Uma ou outra partida no computador, mais umas aventuras nuns sites internacionais e a última ação, foi como participante numa simultânea, promovida na Figueira da Foz, tendo como oponente uma jovem promessa Russa, que me dizimou ao fim de 35 lances. Depois disso, jamais me aventurei, com exceção das partidas domésticas, mais didáticas e pedagógicas, com os meus filhos.
A minha inatividade, não passou despercebida na última Assembleia Geral da Associação de Xadrez de Aveiro. De todos os diretores e delegados credenciados, eu era o único não jogador. Apenas dirigente.
Por causa das funções que por ali exerço, tenho-me entretido com a leitura da lei de bases da atividade física e do desporto – lei n.º 5/2007. As suas implicações no regime jurídico das federações desportivas. Derivando daqui para a consulta dos novos estatutos de algumas Federações Desportivas, conscientes que essa revisão era imperiosa para manter o estatuto de instituição de utilidade pública. Para rematar este processo, tenho estudado a revisão estatutária de várias associações distritais, de desportos tão díspares como futebol ou natação. Por outro lado, tenho verificado a organização territorial em vários desportos, verificando que nalguns casos a divisão distrital perdeu o sentido e sem problemas, passaram a existir associações regionais.
Tudo isto é enfadonho.
Preferia voltar a empurrar as peças de madeira pelo tabuleiro. Ou as de plástico, mais usuais nos clubes.
Antes de ceder a essa tentação, tive um acerto literário com o meu passado.
Requisitei o já mencionado livro. Interessei-me pelo restauro do quadro do século XV “A partida de Xadrez”, no qual estão representados um cavaleiro e o seu senhor medieval, a disputar precisamente um animado jogo de xadrez. Inquietei-me com o enigma escondido na tela: Quem matou o cavaleiro? O descobrir do mistério, através da recomposição secular dos últimos lances da partida, fascinou-me. E quando a trama já parecia resolvida, no presente surgem assassinos dos amigos da restauradora, pretendendo o autor dos crimes continuar a partida de xadrez pintada no século quinhentista, o que me levou a estudar a posição das peças, a sugerir lances, envolvendo-me duplamente na intriga do livro.
Por aquelas páginas, revi momentos vividos enquanto jogador. O falso silêncio dos clubes, quebrado por breves murmúrios, o jogo de olhares entre oponentes perante a situação no tabuleiro, o descobrir as fragilidades do adversário, tudo muito bem relatado. Depois o enfrentar do desaire, a estratégia mal concebida, a tática falhada, os nervos não dominados são descritos de forma exemplar.
O autor retrata extremamente bem o jogador de xadrez. A sua excentricidade. Nalguns casos, o mundo isolado em que vive, a sua abertura e as relações sociais apenas para o jogo. Enquanto lia, revia caras, concebia uma imagem do personagem com base na centena de jogadores de xadrez que conheci. Os pormenores físicos descritos para mim eram recordações. Os olhares ausentes, os trejeitos corporais, entre outros. Do retrato psicológico do excêntrico jogador de xadrez desenvolvido ao longo do livro, abstenho-me de comentar pela sua complexidade.
Ao fechar o livro, compreendi que não estava errado quando abandonei a prática da modalidade.
O meu caminho não era aquele.
O acerto não foi só literário.
 
(a publicar no dia 10/01/2013)
 

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Ano Velho

            De 2012 ficaram alguns assuntos por tratar. A quadra natalícia faz-nos perder oportunidades. Não se proporcionam explanações alongadas sobre qualquer tema, seja de cariz aborrecido, sério, próprio, nem muito menos leviano.

            O jornal labor apresentou num dos seus suplementos, uma compilação de valores dos montantes despendidos entre 2003 e o último ano, nas celebrações municipais de Natal.

Não passou despercebido.

A diferença entre o valor mais elevado, correspondente a 2007 e o valor de 2012, precisamente o menor, é superior a mais de cem mil euros. A justificação oficial para esta diferença é a redução de receitas municipais. Tal facto não sofre qualquer contestação. A população aceita. Com saudosismo evoca o passado, as iluminações faustosas, os presépios, a animação festiva na Praça.

Olhando para trás, não se percebe a estratégia da autarquia. Criou uma animação sazonal, divulgou-a exaustivamente, promovendo indiretamente os comerciantes estabelecidos na zona central. A partir do momento em que surge um centro comercial, nada mais se fez para consolidar e perpetuar no tempo esse apoio. Para chegar-se ao estado atual, não era necessário gastar tanto dinheiro, ano após ano, em eventos pontuais e sem sequência. Sem grande rigor e com base nas contas feitas pelo labor, contabiliza-se pelo menos meio milhão (500.000) de euros de desperdício nas celebrações de Natal, ao longo destes nove anos, considerando-se aceitável o realizado no presente.

É evidente que este exercício, baseado no estado atual da animação da cidade, permite listar outros desperdícios de verbas municipais. As inexplicáveis quatro edições da Volta a Portugal em bicicleta, com etapas a finalizar em S. João da Madeira - com o preço anual a fixar-se no valor próximo dos setenta e cinco mil euros - tiveram um custo total, entre 2004 e 2008, equivalente a trezentos mil (300.000) euros, desembolsados pela autarquia. Em matéria de eventos desportivos desenraizados, pode-se acrescentar uma etapa da Taça de Mundo de Ginástica Artística realizada em 2010, de pouca memória para a cidade, cujo montante despendido desconheço.

Continuando o exercício, sabendo-se que a entrada para o Centro Coordenador de Transportes (CCT) pela Rua 5 de Outubro está fechada, é natural que se questione o porquê da execução da obra no passado? Acrescente-se a remodelação da cobertura deste equipamento, a preços exorbitantes; mais um estudo encomendado para transformar o referido CCT numa plataforma bi-modal; mais o estudo que pretendia acrescentar um transporte tipo vai-vém na linha do vouga (abandonado por falta de viabilidade financeira) e chegamos a um valor altíssimo. Tudo junto deve chegar ao milhão de euros, valor mencionado frequentemente por um dos cronistas habituais do jornal “O Regional”.

É natural acrescentar-se outras duas obras de remodelação de edifícios municipais, executadas sem qualquer previsão de futura ocupação: o palacete dos Condes e a Quinta do Rei da Farinha. Para o primeiro foram aplicados setecentos e cinquenta mil euros (750.000), ao abrigo do protocolo de investimento do parceiro privado do negócio da água municipal. A remodelação do segundo ficou mais barata. Em ambos os casos, louva-se a intervenção, o que se condena é a falta de ideias para os equipamentos. Não se sabendo qual será a sua utilidade futura e se quando voltarem a ter inquilino, não será necessário novas obras de adaptação, com novos encargos para a autarquia?

Animação inconsequente, eventos desapegados, portas encerradas, edifícios fechados e sem inquilinos, tudo exemplos de uma cidade a funcionar em dias de crise. No passado recente com uma dívida municipal superior, houve dinheiro para tudo. A fazer fé nos dados atrás mencionados, retirados da imprensa local, pelo menos dois milhões e quinhentos mil (2.500.000) euros não tiveram um efeito apreciado na cidade. O esmiuçar efetuado, pode ter o acréscimo de outras rubricas.

Hoje a aplicação de verbas públicas é condicionada a um maior rigor. Está certo.

Se tivesse sido sempre assim, as contas municipais seriam outras.

Com isto, despeço-me do ano velho, transmitindo um ponto de vista ao leitor, que lhe permitirá ajuizar melhor a causa pública e ser árbitro no conflito político que uma das estruturas partidárias locais inventou.  

 

(a publicar no dia 04/01/2012)

 

 

quinta-feira, dezembro 27, 2012

O fim em 2012

        

         O desporto mereceu em 2012 o maior dos destaques. No balanço do ano, assinalo a importante presença de Ana Rodrigues nos Jogos Olímpicos de Londres, como o acontecimento de maior relevo de 2012.

            O percurso desportivo de Ana Rodrigues é sobejamente conhecido. Captada na escola Municipal de Natação, ensinada e fidelizada à modalidade na Associação Estamos Juntos, cedo viu o seu talento ser reconhecido, ao vencer campeonatos regionais e nacionais. Atempadamente integrou o desporto de alto-rendimento, com chamadas à seleção nacional e passou a ser esperança para os Jogos de Londres. Pelo meio, participou e conquistou uma medalha de bronze nos 50 metros bruços, nas primeiras Olimpíadas da Juventude, disputadas em Singapura.

            Em 2012, foi exigido a Ana a obtenção dos tempos mínimos para estar presente em Londres. Em Março, no nosso Nacional Absoluto, esse tempo foi conseguido, embora essa marca só fosse homologada, como tempo de admissão às olimpíadas, a quinze dias do início do torneio olímpico.

            A 29 de Julho, pouco depois das 10 horas da manhã, Ana Rodrigues mergulhava para a piscina de Londres cumprindo o seu sonho de atleta. Para trás ficavam horas de sacrifício, de treino, de apuramento de forma física, de competições essencialmente contra o relógio, enfim de dedicação a uma modalidade desportiva extremamente exigente.

            Com o feito de Ana, o desporto em S. João Madeira talhava uma nova página na história da cidade. A página dourada do desporto, como eu próprio lhe chamei em Julho.

Anos de trabalho, anos de paciência e de esperança.

O reconhecimento da atleta, do seu treinador e do próprio clube foram atempadamente testemunhados. A natação, ao longo dos últimos cinco anos, teve um destaque na imprensa local, não muito comum no panorama nacional da comunicação social. A própria autarquia cedo apoiou Ana Rodrigues na sua cruzada, concedendo-lhe subsídios individuais e passando a transferir verbas de montante superior para a Associação Estamos Juntos.

Ana Rodrigues foi um projeto do desporto local. Essencialmente, do seu treinador e por inerência do seu clube. Um projeto integral de desporto de alto rendimento, da escola aos jogos olímpicos. Com todas as fases a serem executadas na cidade. Excetuando os treinos de outono, inverno e primavera em piscina de 50 metros (e as chamadas à seleção nacional). Evidenciando-se desta forma, ser possível com os meios existentes em S. João da Madeira, desenvolver projetos sérios no desporto, salvaguardando a exceção atrás mencionada.

Em setembro, no arranque da época 2012/2013, Ana mudou de clube. Parte para o novo ciclo olímpico, a terminar em 2016 no Rio de Janeiro, com enormes perspetivas de sucesso. A experiência adquirida até Londres, permitir-lhe-á enquadrar o próximo desafio de forma segura. É evidente que o seu novo clube, FC Porto - campeão nacional da modalidade, lhe oferece outras condições de treino e competitivas e obviamente isso, em desporto de alto rendimento, é fundamental.

Com a saída de Ana Rodrigues, o desporto em S. João da Madeira ficou amputado. Perdeu definitivamente a sua vertente de alto-rendimento. Recorde-se que, no ano passado, já havia encerrado o centro de alto rendimento de basquetebol, que trouxe qualidade e resultados à modalidade praticada na cidade pela ADS.

Em 2012 foi o fim.

Não nos devemos esquecer, apesar da saída de Ana Rodrigues, que o técnico, Luís Ferreira continua nos quadros da AEJ - tal como foi mencionado por Fernando Moreira na semana passada no jornal - e a experiência por si adquirida nestes últimos anos, poderá ser importante para se fazer a ligação entre a escola municipal de natação e os restantes degraus de competição nesta modalidade.

A natação poderá servir como o bom exemplo, a seguir por outras modalidades desportivas. Terá que se ponderar para o futuro, que tipo de política desportiva se pretende para os clubes de S. João da Madeira? Como enquadrar o desporto de alto-rendimento? E claro desenvolver políticas de captação, identificação de talentos, além das necessárias para o ensino e fidelização dos jovens como praticantes de desporto federado, de preferência olímpico.

Esperemos que o novo ano, traga mudanças no paradigma desportivo da cidade e a presença futura de atletas sanjoanenses em Jogos Olímpicos seja reconhecida pelo seu mérito e não apenas, como obra do acaso, como infelizmente alguns verbalizaram.            

 

(a publicar dia 28/12/12)

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Advento

         Para mim o advento começa no primeiro de Dezembro.
Nesse dia iniciamos a preparação do Natal. Enfeitando a casa com os motivos apropriados. Montando a árvore com bonequinhos, com luzes e uma apropriada estrela no seu cimo. Instalando o presépio, construindo uma gruta com pedras e colocando o musgo a aconchegar as figuras representativas. O cartão de boas festas familiar é feito nesse dia e aproveitando as novas tecnologias, envia-se via internet aos amigos. Para os mais novos, é entregue um calendário do advento. Por cada dia, uma janela é aberta, até ao dia 25.
Na verdade, o calendário de advento corresponde às quatro semanas antes do Natal. O religioso.
O calendário impresso, mais comum, resume-se aos vinte cinco dias de Dezembro. Com 24 janelas de tamanho idêntico e uma 25ª de dimensão diferente, correspondente ao dia da chegada, o significado de advento, isso mesmo, chegada.
Aproximamos desse dia.
Ainda é tempo de preparação.
Compra-se os presentes. Cria-se expectativa nos mais novos.
Aguarda-se pela chegada de familiares. Preparam-se ementas. Tudo para viver com alegria a grande noite de família.
O advento pode ser uma ideia de relançamento do espirito comunitário.
Ao visualizar um anúncio televisivo do operador de comunicações de prefixo 96, encantou-me a ideia expressa do calendário de advento. As janelas de um edifício da cidade do Porto decoradas com os números. As exibições artísticas, associadas a cada uma das janelas, pareceu-me uma ideia brilhante. Entretanto, outro operador, o do prefixo 93, recuperava os duetos improváveis, em torno de um clássico da música pop. Na aldeia minhota, à volta da fogueira, na eira, ou em casa das velhotas, surgiram figuras antagónicas da música nacional a cantar uma velha canção dos The Beatles. O resultado é cativante.
Com base nestes dois anúncios, suportando-me na conceção de animação de Natal, existente na cidade até há três anos, penso que seria de a recuperar, trazendo de novo à Praça os agentes culturais da cidade, assim como público, isto é, eventuais clientes.
A fórmula é simples. É em seguida apresentada para memória futura.
Na zona central da cidade, escolhe-se alguns edifícios. Para decorar cada janela do advento convida-se escolas, associações de pais e outras, tal como se faz atualmente com as rotundas. Em cada dia é aberta uma janela. Nesse mesmo dia, um grupo musical da cidade é convidado para uma atuação de vinte minutos, tendo como temas obrigatórios cinco músicas de Natal. Algumas bandas poderão agrupar-se com outras de género musical diferente e dar outra envolvência ao momento. O final deveria ser a 25, promovendo um concerto alusivo, mais alargado em tempo, sempre com grupos locais.
O problema é que nesta época, a meteorologia não ajuda muito. A chuva acompanha o advento, encerrando ou adiando algumas das animações que se promovem nesta quadra festiva.
Esperando que o tempo chuvoso não se instale por muito tempo, desejo a todos os leitores um ótimo Natal.
 
(a publicar no dia 20/12/12)
 
 

quarta-feira, dezembro 12, 2012

Ideologias

            Os executivos municipais são difíceis de catalogar em matéria ideológica. As suas práticas, apesar do enquadramento dos partidos políticos, deixam confusa qualquer pessoa.
            A privatização parcial do fornecimento de água à população, tem sido um tique comum de liberalismo, a que a Câmara Municipal de S. João da Madeira também aderiu. Por outro lado, a interferência na economia, planeando as áreas de negócios e condicionando investimentos, como fica evidente na criação de incubadoras de empresas, transfere o idealismo para o campo do centro-esquerda, muito perto do socialismo.
            Neste campo, o último sinal da colagem do executivo municipal à esquerda, surgiu com a defesa da nacionalização do hospital de S. João da Madeira.   
            Este espectro político alargado, torna a vida difícil às oposições. Onde se devem colocar?
À direita, aceita-se a redução do peso do Estado e aplaude-se a criação de emprego, com incentivos ao empreendedorismo. Tudo o resto, deveria servir como trunfo para a campanha política.
            Isso não preocupou o executivo liderado pelo PSD. Antes pelo contrário. Com muita tática política, o executivo encostou-se à esquerda, neste último mandato, por forma a esvaziar a principal força da oposição, precisamente o PS.
            Esta força política terá que reagir, sabendo-se manter dentro do seu espectro político natural. Não entrando na 3ª via, com tiques liberais, como na década passada utilizou a nível nacional, com resultados duvidosos.
A defesa do interesse da população deve ser procurada pela sugestão, fundamentada, da redução das taxas municipais. A abolição da taxa de disponibilidade nos contadores da água, por exemplo, entre outros impostos municipais diretos ou indiretos. Aludindo, em simultâneo, às despesas municipais que devem ser reduzidas.
O discurso político terá que versar os seguintes aspetos: a inclusão social; a qualificação e a empregabilidade da população; a requalificação urbana – aproveitando-se as verbas do próximo quadro de apoio comunitário; a promoção do potencial cultural e desportivo do concelho.
O objetivo deverá centrar-se na fixação da juventude na cidade, que obviamente só poderá ser conseguida com melhoria na oferta de residência, emprego e dotando de cosmopolitismo o concelho.
  
(a publicar no dia 13/12/12)
 

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Parideiras

            Subir à serra da Freita é uma atividade por mim exercida regularmente.
Desde a infância, em passeio familiar, alcançando a serra por sinuosas estradas de terra batida. Na adolescência durante os períodos de férias escolares, alcançando a montanha a pé, ou à boleia, com a mochila nas costas. Mais tarde, já adulto, na fase pós urbana, percorrendo os trilhos da serra em viaturas motorizadas. Até me cansar e voltar a calçar as botas de montanha para caminhar.
A pé na adolescência percorri o triângulo formado pelas aldeias de Merujal, Albergaria e Mizarela. Várias vezes fui a Castanheira, voltando por carreiros de cabras, com a mochila carregada com pedras parideiras (pequenas amostras). Só mais tarde, já de automóvel cheguei a Cabreiros. Depois visitei as aldeias, o Rio Paiva, o monte de S. Macário. Quando dali vi ao longe os contrafortes da Estrela, percebi que de carro já não tinha piada e voltei às caminhadas, em jeito de atividade semanal. Abrindo mato, traçando trilhos, unindo aldeias e lugares.
A periodicidade atual é apenas trimestral. Em família, incutindo o gosto pela natureza e pela descoberta nos meus filhos. Aos poucos vou-lhes mostrando a serra, as suas paisagens, as suas pedras, os cursos de água, enfim, os seus pontos de interesse turístico. Neste despertar do interesse pela montanha, não ficam de fora os rebanhos, a vida nas aldeias e os achados arqueológicos.
Eu próprio, por vezes, sou surpreendido com novas descobertas. Vestígios no passado mal interpretados, ou por desconhecimento teórico, ou por falta de atenção. Caso dos restos dos troços da via romana, construída para ligar o Porto a Viseu, atravessando a serra da Freita e por mim percorridos vezes sem conta, sem me aperceber da disposição daquelas lajes, da largura da via e do seu significado. Em Manhouce, aldeia do concelho de S. Pedro do Sul, fez-se a preservação de um desses troços. Subindo em direção à Freita, são visíveis mais dois fragmentos, um deles, saindo de Gestoso para Albergaria das Cabras. À entrada desta aldeia, atrás do cemitério, a via romana foi destruída. Tendo-se alargado a via e colocado novas pedras, uns modernos paralelepípedos. Um arranjo de quarenta metros, para desembocar num trilho de montanha, apenas acessível a pessoas, animais e veículos não motorizados.
Este exemplo serve para demonstrar a série de atrocidades à preservação histórica e por arrasto ambiental, a que foi sujeita a Serra da Freita ao longo dos últimos anos. Conscientes desse perigo, tentando evitar um desastre ainda maior, as autoridades responsáveis vedaram com rede o complexo das pedras parideiras, conseguindo-se a sua proteção ao longo dos últimos vinte e cinco anos.
O interesse por este fenómeno geológico, mais a existência de fósseis de trilobites em Canelas, entre outros geossítios, levou à criação do Geopark de Arouca.
A evolução turística, com alicerces científicos e pedagógicos, associando-se a oferta do património histórico e religioso, bem como, os produtos gastronómicos da região, mais a possibilidade de praticar desportos de natureza, permitem enquadrar o concelho de Arouca como um moderno promotor de turismo.
À diversificação da oferta, junte-se uma outra questão, os horários alargados e adequados a todo o tipo de turistas.
Neste último domingo de manhã, no terraço da Castanheira, espreitava a queda de água da Mizarela e as diferenças litológicas do maciço envolvente. Na escombreira, aos meus pés, encontravam-se vários exemplares de pedras parideiras, restos de rochas removidas para fazer as habitações da aldeia. Apontei os binóculos para o litoral, distingui as cidades desta região, pelo seus prédios e à distância, percebi o quanto falta para fazer um produto turístico por aqui.
 
(a publicar no dia 06/12/12)
 

quarta-feira, novembro 28, 2012

Regeneração social

            A lotação esgotada nos debates organizados no auditório do Museu de Chapelaria, pelo Fórum “Re:pensar a cidade”, é demonstrativo da vontade da população em participar na vida ativa da cidade.
Uma oportunidade de rever conterrâneos. De ouvir vozes amigas, de trocar ideias. De dialogar no antes e depois do Fórum, sobre os temas debatidos, ou com conversas inacabadas de outrora.
No debate sobre Animação Cultural para mais cidade, cujo relato não me compete transmitir e cujas conclusões serão colocadas em local apropriado, isto é, no site do referido Fórum, houve muita adesão e bem pertinentes foram as questões daqueles que ousaram interpelar o painel de convidados.
O saudosismo esteve patente na maioria das intervenções: a visão do coletivo - do associativismo de antigamente até ao isolamento atual; os relatos das realizações individuais; ou o enaltecimento dos equipamentos culturais para a difusão e democratização da cultura na cidade. Esta apresentação não corresponde a qualquer cronologia das intervenções efetuadas.
O passado.
A perspetiva bem portuguesa para fazer a ponte para o futuro.
Uma ideia prevaleceu dos depoimentos, não existe projeto comum na cidade. Não existe política cultural estruturada, defendeu, reforçando a ideia, a professora Cristina Marques.
Neste campo, em que é necessário lançar políticas de regeneração do espírito comunitário, Francisca Abreu – vereadora da CM de Guimarães - explicou os vários passos efetuados naquela cidade, iniciando-se com uma simbólica replantação de uma oliveira, na praça com o mesmo nome. A partir daí, a reabilitação dos edifícios históricos, a recuperação das ruas e praças da cidade, alojando-se nestas vários serviços públicos, foram etapas naturais do evoluir da reforma social municipal.
Observe-se a política municipal para o centro de S. João da Madeira. Extremamente centrifugadora nos últimos anos. Tudo tem sido retirado da Praça Luís Ribeiro. Ao ponto de descaraterizar a cidade. Perdeu-se o espaço de encontro, exclamou com propriedade a já citada Cristina Marques.
Nada tem sido feito para cativar a comunidade a regressar à Praça.
Sem pessoas, sem contactos, nem afetos, seremos uma sociedade fantasma.
 
(a publicar no dia 29/11/12)
 

quarta-feira, novembro 21, 2012

Ao debate

Amanhã realiza-se mais uma sessão do Fórum “Re:Pensar a cidade” cujo tema será: Animação Cultural para mais cidade. Ao preparar a minha intervenção, uma análise pessoal sobre a atividade cultural de São João da Madeira, senti a necessidade de validar o diagnóstico junto dos agentes locais e por outro lado, procurei conhecer as suas diferentes realidades.

Munido da minha síntese, entrei em contacto com várias instituições da cidade. Nalgumas fui recebido pela direção, noutras ouvi concertos ou assisti a aulas. Alguns encontros foram em cafés, por facilidade de ambas as partes, ou por ausência de sede da associação visitada.

Todos estes encontros preparativos do debate, obrigaram-me a percorrer mais quilómetros do que habitualmente faço, a fazer mais telefonemas por semana, a dispor do meu tempo livre e a fazer despesa extra em alguns dos cafés onde me sentei. Na maioria das vezes, atravessei sozinho as portas dos diversos locais, sem fotógrafo, nem claque de apoio, nem jornalista para ouvir o conteúdo das conversas.

O objetivo de verificar a dedicação dos munícipes ao associativismo, o aproveitamento dos seus tempos de lazer com hábitos culturais, foi amplamente conseguido.

Mais do que transmitir números da atividade das várias instituições, ou entidades comerciais, pois existem negócios na área cultural em S. João da Madeira, importa é referir a cumplicidade demonstrada por pessoas que até então desconhecia.

Expliquei o meu propósito, recolhi opiniões importantes. Fiquei mais conhecedor da história das associações que se dedicam à cultura, das suas dificuldades e das suas ambições.

Apurei os sentidos. Simpaticamente num dos locais das artes ofereceram-me fogaça, prontamente degustada. Revi velhos conhecidos, um deles ao reconhecer-me, mediante a minha apresentação, não conteve o contentamento e efusivamente deu-me abraços e palmadas, apropriadas ao momento, nas costas. Senti o cheiro das tintas numa aula de pintura, o ar abafado de uma sala após uma aula de ballet. Ouvi professores de música, apesar dos salários em atraso, a excederem-se numa atuação pública, juntamente com os seus alunos. Vi as fardas da Banda de Música armazenadas na sua sede, apreciei as cores dos quadros dos alunos do Centro de Arte. Vi instalações adaptadas, instalações obsoletas, estruturas inadequadas. Por outro lado, visitei em funcionamento letivo a renova academia de música.

Relembrei as dificuldades do associativismo. A falta de recursos humanos nas associações. As poucas dezenas de sócios. Os órgãos sociais a serem preenchidos por pessoas que pretendem dedicar-se às artes. Oferecendo o seu tempo livre a questões burocráticas, em prejuízo da sua performance como artista. Apelei à continuidade de algumas associações, em período de funcionamento intermitente.

Ficaram por ouvir algumas das associações com dedicação à cultura. Faltou-me tempo para visitar alguns empreendedores culturais.

Neste último mês procurei recolher uma amostra da cultura da cidade. Da tradição popular ao eruditismo, do clássico à modernidade, nas mais diversas áreas ou artes a que a comunidade se dedica.

Encontrei suporte, em toda esta auscultação, para a minha ideia inicial, desenvolvida na apresentação pública do Fórum Re:pensar a cidade: é preciso valorizar as pessoas.

A cultura em S. João da Madeira necessita de personalização. O lenitivo para a promoção da cidade.

O debate realiza-se amanhã – dia 23 de Novembro – às 21h30m, no Museu da Chapelaria.

 

(a publicar no dia 22/11/12)

 

terça-feira, novembro 13, 2012

Competências

 
A semana passada elegi o tema da reforma da administração local, para o meu artigo de opinião. Nem de propósito, nesse mesmo dia, foi divulgado o parecer da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território. 
Vou reincidir no tema. Não para analisar a contestação generalizada ao diploma. Antes pelo contrário, pretendo focar o outro lado da lei n.º 22/2012 de 30 de maio - regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica -, em especial, o seu Artigo 10.º - Reforço de competências e recursos financeiros.
A redação dos três primeiros pontos deste artigo é a seguinte:
1 — A reorganização administrativa do território das freguesias é acompanhada de um novo regime de atribuições e competências, que reforça as competências próprias dos órgãos das freguesias e amplia as competências delegáveis previstas na lei, em termos a definir em diploma próprio.
2 — As competências próprias das freguesias podem ser diferenciadas em função das suas específicas características demográficas e abrangem, designadamente, os seguintes domínios, em termos a definir em diploma próprio:
a) Manutenção de instalações e equipamentos educativos;
b) Construção, gestão e conservação de espaços e equipamentos coletivos;
c) Licenciamento de atividades económicas;
d) Apoio social;
e) Promoção do desenvolvimento local.
3 — O reforço das competências próprias das freguesias é acompanhado do reforço das correspondentes transferências financeiras do Estado, calculadas no quadro da despesa histórica suportada pelo respetivo município no âmbito do seu exercício.
            No mesmo dia em que a Unidade Técnica apresentava o seu mapa, a Câmara Municipal de Lisboa marcava novamente a diferença e mantinha o seu pioneirismo neste processo de racionalização da estrutura administrativa do Estado, ao anunciar as competências a delegar às suas novas juntas de freguesias, informando qual seria o orçamento de cada uma a partir de 2013.
            Ficamos a saber quais serão essas competências: Gerir e assegurar a manutenção dos espaços verdes; assegurar a aquisição, colocação e manutenção das placas; manter e conservar pavimentos pedonais; assegurar a limpeza das vias e espaços públicos, sarjetas e sumidouros; manter, reparar e substituir o mobiliário urbano; conservar e reparar a sinalização; atribuir licenças de utilização e ocupação da via pública, afixação de publicidade, etc. registo e licenciamento de cães e gatos.
E ainda gerir, conservar e reparar equipamentos sociais, parques infantis, balneários, lavadouros e sanitários públicos. Fontes e chafarizes na área serão também da responsabilidade das juntas da capital.
Nas atividades económicas, destaque-se o assegurar da gestão e manutenção de mercados e feiras. Passando a ser responsabilidade das várias juntas de freguesia de Lisboa, a atribuição de licenças para a venda ambulante de lotarias, arrumador de automóveis, realização de acampamentos ocasionais, exploração de máquinas automáticas, realização de espetáculos, venda de bilhetes para espetáculos em agências ou postos de vendas e realização de leilões.
            Por fim, intervenções comunitárias, de apoio a atividades culturais e sociais são também função das Juntas, que têm uma palavra a dizer nas políticas de habitação e alojamento.
            Tudo isto, obrigando a Câmara Municipal de Lisboa a transitar pessoal para as juntas - dos serviços cuja gestão muda - e transferindo recursos financeiros apropriadas, não esquecendo, a passagem do património. 
            Fiz questão de enumerar exaustivamente as competências delegadas em Lisboa, podendo servir como exemplo de interpretação do regime jurídico inscrito na lei n.º 22/2012.
Proponho o seguinte exercício aos leitores mais atentos: atente nas competências delegadas pela Câmara Municipal de S. João da Madeira na sua única Junta de Freguesia.
Recorde-se que além do nosso concelho, também Alpiarça, Barrancos, São Brás de Alportel e futuramente Castanheira de Pera, são concelhos de freguesia única. Em tempos, o XVII Governo Constitucional chegou a pensar na criação de um regime especial para estes casos, pretendendo extinguir as suas juntas de freguesias, devido à sobreposição de competências.
Existem, portanto, três cenários para a Junta de Freguesia de S. João da Madeira:
1) receber novas competências, aumentando o seu orçamento e pessoal afecto;
2) manter tudo como está, esquecendo as diretrizes inerentes à nova lei n.º 22/2012;
3) extinguir a junta de freguesia, integrando o seu pessoal na estrutura da Câmara Municipal;  
Um bom tema para discussão pública.
Em causa o contributo da cidade para a racionalização dos recursos e respetivas estruturas de gestão do Estado e também o aproximar dessa administração à população, ou pelo contrário, o ganho inseparável com a eliminação de pagamentos de vencimentos e de senhas de presenças nas Assembleias de Freguesia.
Um debate essencialmente político.
 
(a publicar no dia 15/11/12)
 
 

quarta-feira, novembro 07, 2012

Dupond e Dupont

 
            O Presidente da República promulgou o diploma que aprova a reforma administrativa de Lisboa. Recorde-se que o tinha vetado em julho.
            Em causa estava a redução de 53 para 24 do número de freguesias da capital, criando-se a freguesia do Parque das Nações, com uma parte do território a ser transferida do município de Loures.
            A Câmara Municipal de Lisboa conseguiu antecipar-se à reforma administrativa do poder local, ponderada pelo atual Governo. O executivo liderado por António Costa propôs uma diminuição significativa de número de freguesias, independentemente do importante passado de cada uma, da sua história. Pesou mais a atualidade, o número de eleitores por freguesia e o ganho que esta reorganização do poder local pode trazer ao erário público, do que quaisquer outros argumentos partidários. 
            A Câmara Municipal da capital foi pioneira.
Das suas congéneres espalhadas pelo país, apenas setenta, num universo de trezentas e sete, se propuseram a analisar o seu mapa de freguesias. As restantes deixaram o caso entregue ao Governo e à sua “Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território”. Ressalve-se alguns casos em que nada havia a analisar, como por exemplo, S. João da Madeira, entre outros.
            Um pouco por todo o país, assistiu-se a um debate aceso entre os executivos e a respetivas oposições municipais.
Lisboa não foi exemplo, para os correligionários de partido de António Costa. Nalguns casos, como em Guimarães, aprovou-se uma redução de 21 freguesias. Noutros, em oposição, utilizou-se argumentos contrários à reforma, do mesmo nível que os apresentados em Guimarães… pelos opositores.
            Nos livros de Tintim, idealizados por Hergé, surgem em algumas aventuras, dois detetives vestidos de fato preto, ambos portadores de chapéu e bengala, à primeira vista semelhantes, excetuando a ortografia dos seus nomes, um termina em “D” e outro em “T”, não sendo por isso irmãos gémeos. Dupont e Dupond, ou “os Dupondt” têm uma particularidade, se um completa uma frase, o outro acrescenta “eu diria mais”, repetindo a frase do outro. Um único detalhe físico permite distingui-los: é a forma dos bigodes - o de Dupont abre para a face e o de Dupond quebra a direito.
            Na política autárquica deveria ser mais fácil distinguir os partidos. A diferença não pode ser apenas ortográfica, como a letra final dos “Dupondt”. A argumentação da política local não se pode assemelhar a uma vacuidade, repetindo-se as mesmas considerações de outros. No fundo e resumindo, tudo se assemelha, a um passatempo de jornal, descubra a diferença, com apenas uma, impercetível, como os bigodes dos detetives desenhados por Hergé.  
 

terça-feira, outubro 30, 2012

Por este rio acima

 

Curiosa coincidência, li de forma sequencial três livros de escritores da comunidade local: Adão Cruz, Eva Cruz e Tiago Moita. Pela ordem inversa, pois o livro deste último havia-o adquirido em Abril, só que atrasei o início da sua leitura até Setembro.

Não tenciono fazer qualquer crítica literária às obras publicadas, nem tenho essa pretensão. O objetivo deste texto é referenciar a criatividade dos autores e enaltecer a publicação em livro dos seus trabalhos como escritores. O livro de Adão Cruz, “Vai o rio no estuário”, inspirou-me o título para este artigo. Segurei-me numa música de Fausto Bordalo Dias, baseada na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto.

Inverti o caudal ao rio, parti para montante.

A grande maturidade da poesia de Adão Cruz é patente na forma de apresentação dos poemas. Sem métrica predefinida, sem rima consagrada, obrigando o leitor a fazer pausas, exigindo-lhe encontrar nas palavras o sentido da poesia. Os poemas editados são lidos com um grande fôlego. Sustem-se a respiração pela intimidade destapada. Fica-se em apneia na sucessão de versos. Ao reencontrarmos o rio, o seu silêncio, temas transversais ao longo da sua obra, sentimos o conforto da poesia. Volta-se ao início do poema, relê-se, interioriza-se, entre avanços e recuos, deixamos o estuário.

As estâncias termais pressupõem as rotinas diárias. Os tratamentos, as refeições, os momentos de lazer, de convívio e os tempos entre uma coisa e outra. Quem já “fez” termas, hospedado por temporadas, identifica-se com o livro de Eva Cruz. Encontra nas suas descrições, os momentos por si vividos. A chegada, o reencontro com conhecidos, a identificação das mudanças, o lamento das ausências e a troca de outras informações pertinentes sobre os demais, são rituais termais. O enquadramento na montanha, o rio, numa fase mais aguerrida, mais jovem, são lugares comuns no imaginário dos frequentadores de quaisquer termas. “Corconte” é isto tudo e é na verdade portador de um nome enigmático, que permite várias interpretações.

O “Último Império” de Tiago Moita recupera a história nacional. A fundação do reino, a presença dos templários na reconquista, o reinado de D. Dinis, a batalha de Alcácer Quibir, a acusação ao Padre António Vieira são acontecimentos revisitados e reescritos à luz da interpretação do autor. No livro são explicadas várias correntes da parapsicologia e interligadas com o decorrer da ação. Tudo isto numa centena de capítulos, onde os personagens vão descobrindo vários mistérios. A sequenciação dos capítulos está muito bem conseguida, a narrativa vai aproximando os personagens - cada qual vai entrando na estória em capítulos próprios e por motivos diversos – e cada ação individual é interrompida no final de cada capítulo, entrando a narração para outro personagem.

O rio de Fernão Mendes Pinto, evidenciando com o relato da sua viagem, em pleno século XVI, a não existência de qualquer império digno desse nome, sob a bandeira da coroa nacional. Por vezes, esquecemo-nos da Peregrinação.

Tiago Moita procurou outra via e encontrou uma resolução interessante para o Quinto Império.

Morreu Eurico Alves, homem de palavras. Sempre pronto para homenagear os que partiram antes dele. Passei muitas horas da minha vida entre as ruas do Barroco e a Benjamim Araújo, por isso, cruzei-me com ele várias vezes. Aprendi a respeitar a sua escrita. A forma poética como descrevia os almoços da tertúlia, era bem recebida e ficarão para sempre na memória da cidade.          

 

(a publicar no dia 01/11/12)

 

quarta-feira, outubro 24, 2012

Homenagem

                No dia 11 de Outubro aproveitei o convite da direção da Academia de Música, para assistir à inauguração das suas novas instalações. Aguardei pelos convidados especiais, assisti ao descerrar da placa alusiva, à bênção do espaço e percorri os três pisos das instalações. Gostei do que vi. O projeto do arquiteto Carvalho Araújo divulgado em 2008 ainda estava presente na minha memória, por isso não tive aquele efeito de surpresa, pela transformação do interior do edifício.
Entre os presentes, revi vários amigos e conhecidos, acompanhados pelos seus filhos, estudantes na academia. Preparava-me para me ir embora e soube que professores e alunos iriam tocar umas peças.
Fiquei.
Ouvi os discursos oficiais, atentamente, até ao fim. Causou-me incómodo não haver nenhuma referência à direção da Academia. Pelo trabalho desenvolvido nestes 31 anos na formação musical e humana de vários jovens, entregando-os ao mundo… musical; pela paciência demonstrada pelo atrasar das obras; e sobretudo, pela motivação de divulgar a música, os compositores e os seus intérpretes. Este branqueamento deveria ter causado mais burburinho do que a brancura das pedras da fachada do edifício.
Valeu a inspiração do artista Armando Tavares, ou se preferirmos, o reconhecimento dos agentes da expressão artística, ao presentear a direção da Academia de Música com um dos seus quadros. Uma homenagem merecida, a duas pessoas de valor cultural reconhecido.
Na entrevista concedida por ambas ao jornal labor, evidenciaram ambição, ao constatarem a oportunidade oferecida pela ampliação das instalações, desejando alargar o leque de atividades da academia, transformando-a no futuro numa moderna e dinâmica escola de artes.
Voltar à Academia é regressar aos tempos de homenagem.
Em Novembro de 2008, desloquei-me à Academia de Música de S. João da Madeira, para assistir ao concerto de homenagem ao Dr. Renato Figueiredo, dois meses após o seu desaparecimento. Das várias músicas interpretadas, houve uma que particularmente me sensibilizou, o Adágio / 2º Andamento do Concerto de Aranjuez, de Joaquin Rodrigo, interpretada ao piano por Nelly Santos Leite e à guitarra por Gustavo Brandão, seis meses antes do seu falecimento.
                Um ano depois, voltei a entrar no auditório Marília Rocha, para assistir a nova homenagem ao Dr. Renato Figueiredo, desta feita organizada pelo grupo de teatro liderado por Magalhães dos Santos.
A evocação do encenador permite recordar o seu pedido, de uma das salas da nova Academia ser batizada com o nome do seu antigo diretor financeiro – Renato Figueiredo. Certamente que Magalhães dos Santos, não se importará de eu aproveitar as suas palavras de outrora e alargar o seu retro ao professor de guitarra Gustavo Brandão, pedindo também para perpetuarem a sua memória, atribuindo o seu nome a uma sala da nova Academia.
                Esperemos que as omissões oficiais, não inibam a direção da Academia de recordar o seu passado.  
 
(a publicar no dia 25/10/12)

terça-feira, outubro 09, 2012

A linha

            Há uma linha que distingue a crónica da cidadania. Em sete anos de escrita no labor, colocado nas suas páginas aos trambolhões, do cabeçalho para o rodapé, daqui para o centro e outras vezes nas margens, consegui sobreviver aos efeitos da paginação do jornal e exercer a minha atividade cívica. Na crónica excedi o limite do comentário. Narrei factos, tendo por objetivo alertar a comunidade para problemas existentes no quotidiano da cidade. Insuficientes vezes, introduzi temas na discussão local, utilizei expressões que entraram no léxico dos habitantes, previ acontecimentos e assim, fui transformando a minha crónica num ato de cidadania.
            Há uma linha que demarca o artigo de opinião da política. Nos textos publicados ao longo destes anos, não consegui controlar-me e algumas vezes, julguei o desempenho político dos nossos autarcas. Analisei, deduzi, critiquei e opinei, apresentando soluções para vários assuntos da cidade. Tive lutas solitárias, tão ao meu gosto. Lutei contra o unanimismo. Critiquei o vaivém para a linha do Vouga. O estado apático dos agentes políticos, em alguns períodos, serviram de pretexto para algum abanar de consciência. Defendi outra solução para a margem do rio Ul, que não passasse pela construção do centro de alto rendimento desportivo. Apesar de tudo, toda a opinião expressa foi entendida como reflexo de cidadania.
            Há uma linha que afasta a cidadania da política. É notícia, por estes dias, o aparecimento de um Fórum de debate “sobre as mais variadas temáticas decisivas para o desenvolvimento estratégico do concelho”, promovido pelo Partido Socialista local. Uma das “10 personalidades sanjoanenses, todas elas independentes de qualquer filiação partidária”, sou eu precisamente. Depois de anos a pensar e a escrever sozinho, decidi partilhar as minhas ideias sobre S. João da Madeira com outras pessoas e oferece-las a um partido local. Fui convidado, ressalve-se. Por ora, a minha disponibilidade é apenas continuar a exercer a cidadania, dentro da linha que a separa da política.
            Há uma linha que separa a independência da militância. Continuarei sem qualquer filiação partidária. Dos assuntos encomendados para o Fórum, a minha opinião será ouvida em matéria de Animação Cultural, Atividade Desportiva e Turismo. Todo o meu pensamento, sobre estas matérias, não segue nenhuma linha partidária. São expressão de reflexões elaboradas ao longo de anos, justamente nas páginas do jornal labor. Articular essas ideias, assimiladas pelos leitores em primeira mão, é o propósito e o fio condutor de apresentações futuras. A linha da independência politica jamais será atravessada.
            No próximo ano continuarei a publicar as minhas crónicas, os meus artigos de opinião e a exercer a minha atividade cívica nestas páginas, se a direção do labor assim o entender, obviamente. Divulgarei aqui as ideias a apresentar nos debates atrás mencionados, no entanto, haverá uma linha a separar o jornal do Fórum Re:pensar a cidade.    
 
(a publicar no dia 11/10/12)