A folha em branco, sem título é indicadora do momento: final de férias.
Ao fim de um mês esvaziaram-se-me as ideias. A custo consegue-se a articulação de frases ou de palavras.
Tento escrever um conto de Verão mas, falta-me poesia e ritmo na narrativa. Banalidades é o resultado. Desisto, elimino-o sem publicação.
Verifico nos apontamentos de verão alguma nota que queira desenvolver. Não me parece.
Procuro assuntos locais para pensar neles ou relacioná-los. A vontade de pesquisar é reduzida. Compilados os dados recolhidos acerca dos acontecimentos do último mês e fico sem palavras.
Mortes, acidentes e detenções, além de outras desgraças não são assuntos encantadores.
A derrota de Cândido na Volta, não merece uma referência à sua vitória em S. João da Madeira. Contudo, gostei imenso de ver a zona central cheia de gente, em pleno Agosto. Movimentar-me na Rua da Liberdade, ladeado por tantos transeuntes, é uma imagem que já não tinha desde um qualquer Domingo, ou Feriado de Dezembro, ou mesmo na véspera de Natal, do princípio da década de 90.
Encontro um assunto interessante sobre o Parque Urbano e a despoluição do Rio Ul. Tento estender o tema alguns parágrafos. É alucinante verificar que antes de se tratar da água do rio, se instalaram as pedras na margem. Apesar dos esforços da Câmara Municipal de S. João da Madeira para acabar com o despejo de esgoto de origem industrial, continuo sem perceber se existe algum cadastro ambiental a montante do rio, ou seja, nas freguesias de Milheirós de Poiares e de Romariz. De nada serve construir um interceptor, destinado a tratar os resíduos que vêm misturados com as águas pluviais, se o rio entrar na cidade poluído, ou perto disso.
Apesar do alerta inerente, abandono o texto a meio, não o conseguindo terminar a tempo do fecho da edição do jornal.
Preparo a leitura da primeira emissão de Setembro, depois das férias, à procura de algum tema para me dedicar. Vejo compilados alguns dos assuntos recolhidos em Agosto.
Encontro outros tópicos interessantes: Baixa do Imposto Municipal sobre Imóveis, será uma medida para incentivar a compra de casa em S. João da Madeira? Seria interessante para os promotores e sobretudo para os proprietários, que todos os anos observam o seu património a desvalorizar, devido à maior oferta que procura.
Sorrio com a abertura do 8ª Avenida já em Setembro e da forma, como em geral, as pessoas se vão rendendo à sua construção.
Faço as contas ao financiamento de manuais escolares e só totalizo 54. 615 Euros. Um pouco menos dos cem mil anunciados, devo ter-me enganado nas contas! Analiso o número de estudantes apoiados, 700, verificando com preocupação que 454 são pertencentes ao escalão A (agregados familiares com rendimento per capita inferior a 240 euros). Comento com alguns amigos que apoio a presente medida dizendo: “é preferível gastar dinheiro com manuais escolares do que com carros novos para vereadores ou administradores de empresas municipais”. A resposta que obtive fez-me corar. A notícia do Jornal Labor refere ainda a “consciência social” do Presidente da Câmara e a sua esquiva à esquerda. Preparo uma referência aos princípios da Democracia Cristã e da Social Democracia, que dominaram o espectro político Europeu na primeira metade da última década...
E o Plano Director Municipal? Sem artigo ainda preparado e com a revisão em curso - termina no fim do mês o período de sugestões aberto aos munícipes - espero ver as sugestões dos partidos políticos, preferencialmente antes da discussão em reunião de Câmara Municipal ou na própria Assembleia Municipal.
Entretanto reparo na hora, que se aproxima mais uma vez do fecho da edição do Jornal.
Fica outra vez adiada a minha colaboração no Jornal?
Olho para a folha ainda há pouco em branco e mudo de opinião: consegui escrever um artigo completo… sobre tudo, não referindo nada.
compilação dos textos publicados no jornal labor (www.labor.pt), de 2004 a 2020.
quarta-feira, setembro 12, 2007
terça-feira, julho 24, 2007
Última dose
No passado dia 17 de Julho, Rui Rio na qualidade de presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP), anunciou o fim do Porto Feliz. Este projecto, para os leitores menos atentos, tratava-se de uma tentativa de tirar da rua os toxicodependentes que se dedicam a “arrumar” carros.
O projecto havia sido anunciado em 2001, por altura das eleições autárquicas. Basicamente, o PSD propunha-se corrigir a política do Governo de António Guterres desenvolvida, desde o ano de 1996, no apoio a toxicodependentes. Uma política com forte sentido de Estado, assentando os seus pressupostos com a proliferação de Centros de Apoios a Toxicodependentes (CAT) e a criação do IDT – Instituto da Droga e da Toxicodependência. Uma vertente do Estado social.
A contra-proposta de Rui Rio, obviamente com alguns aspectos positivos, consistia numa “política directa”, obrigando à retirada das ruas dos arrumadores – independentemente da sua motivação para o tratamento, procurando posteriormente tal como a política do Governo, a sua reabilitação e reinserção no mercado de trabalho. O princípio da autonomia do doente para aderir ao tratamento seria a principal diferença entre metodologias.
Em cinco anos, os técnicos do "Porto Feliz" contactaram 2500 arrumadores. Quase 700 aderiram ao programa e 334 ficaram livres da droga e prontos a serem reinseridos no mercado de trabalho, segundo dados do Jornal de Notícias. O financiamento deste programa era assumido pela CMP, pelo IDT e pela Segurança Social. Desde Novembro passado que o IDT – presidido por João Goulão - pretendia rever a sua participação, por considerar que as verbas envolvidas não eram comportáveis. O programa nacional tinha conseguido agilizar despesas e as facturas apresentadas pelo Projecto Porto Feliz eram superiores.
Essencialmente e na prática passou a não haver duplicação de projectos, com a mesma finalidade, na cidade do Porto. Uma racionalização de despesa e de meios operacionais que beneficiam o estado Português. Além de outros aspectos, mais importantes, como o real tratamento ao toxicodependente ser assegurado por técnicos inseridos numa lógica estatal, atenta a novas metodologias, a novas formas de dependência, entre outros benefícios.
Se no Porto, a aventura Camarária durou 5 anos, ao abrigo de um protocolo especial e o principal responsável tenha chegado à conclusão, que apesar do “número de arrumadores na cidade ter diminuído, não foram totalmente erradicados, como se pretendia inicialmente”, outros projectos municipais tiveram uma curta duração, sem que daí se possa tirar conclusões sobre o sucesso do mesmos.
Na toxicodependência, como admitiu Rui Rio, o sucesso é relativo. Apesar de todo o aparato do Porto Feliz a taxa de toxicodependentes recuperados e inseridos, segundo o próprio presidente da CMP, foi de 13%.
Em S. João da Madeira, procurou-se antecipar o lançamento do projecto portuense e lançou-se atabalhoadamente em 2002, o “Prevenir o Futuro”. Partindo de apoios institucionais, mais alguns parceiros abrangentes e algumas empresas locais, a Câmara Municipal apadrinhou durante alguns meses, este projecto, que desde logo foi classificado de pioneiro e pasme-se de sucesso!
Número finais nunca foram apresentados, nem de toxicodependentes contactados, nem de casos concretos de reabilitação, nem nada. Vários erros foram efectuados e não querendo enumerar todos, aqui ficam alguns:
- metodologia de tratamento sem credibilidade científica;
- recrutamento por coação de “cobaias”;
- equipas de rua de apoio a toxicodependentes sem técnicos especializados;
- demasiado voluntariado, com parceiros a assumirem terem encontrado a solução para todos os problemas do flagelo;
O erro maior foi não partir do diagnóstico efectuado desde 1999, pela valência de apoio a toxicodependentes da Santa Casa da Misericórdia – O Trilho e ignorar toda a experiência acumulada nesta área, pelas suas técnicas, já com três anos de trabalho de terreno naquela altura.
A história do projecto local “Prevenir o Futuro” terminou ao fim de dois anos. Apesar de durante o pretérito ano lectivo, a PSP local usar esse nome para as acções de informação e sensibilização (?) sobre o assunto, junto das crianças do ensino básico.
Antes do final do projecto, houve uma série de dissidências, desvirtuando a ideia original do mesmo. O auxílio dado pelo Governo, saído das eleições de 2002 e liderado por Durão Barroso, foi diminuindo à medida que o controlo do défice público se tornou imperativo e o sentido de Estado obrigou a repensar-se a política nacional, única, para a toxicodependência.
Desde o final de 2004 ou meados de 2005, com a ruptura do projecto “Prevenir o futuro” o apoio em S. João da Madeira a toxicodependentes tem sido assegurado pelo Trilho. A Santa Casa da Misericórdia honra lhe seja feita, apoiada quer pela Segurança Social, quer pelo IDT, na medida em que supervisionada pelo CAT da Feira, não fechou as portas a ninguém. Com as dificuldades inerentes, manteve o projecto em funcionamento, apesar de todo o ostracismo a que esta valência foi sujeita, por não apoiar o projecto colectivo da sociedade sanjoanense, privilegiando uma postura técnica e humanamente coerente.
A longevidade de O Trilho, mesmo sem saber os números de pessoas envolvidas ao longo destes anos, faz deste um projecto de sucesso. Recordo que o processo de reabilitação e reinserção de toxicodependentes no mundo de trabalho, já era prática comum em S. João da Madeira, com o apoio de várias empresas, desde o ano de 2000.
Tivesse o executivo municipal eleito no ano 2001 em S. João da Madeira, apoiado esta prática e aquilo que constantemente se afirma como um “projecto de sucesso” tinha-se realmente confirmado, provavelmente ainda “apoiado pela tutela”, mesmo com a eleição do Governo actual, dentro do entendimento de aprovação a projectos lógicos e não concorrentes entre o próprio Estado.
Com estupefacção, não vi este assunto a ser referido nas eleições autárquicas de 2005. O branqueamento do “Prevenir o Futuro” não passou despercebido e entendi tal facto, pelo compromisso dos partidos políticos para com os membros das suas listas, envolvidos neste projecto - por inerência de serem directores de alguma associação.
Aliás, curiosamente ainda hoje, no diagnóstico inicial da Rede Social - disponível na página da Câmara Municipal de S. João da Madeira na Internet - não é feita qualquer alusão à toxicodependência, como se esta não fosse preocupante, nem existisse no concelho e não fosse infelizmente visível por todos.
Não me querendo alargar mais, espero com isto ter esclarecido os leitores, em especial, aqueles que por várias razões procuram junto dos responsáveis municipais informações sobre este projecto, obtendo sempre uma resposta oficial que, incompreensivelmente, os satisfaz.
Férias
É bom manter tradições e a redacção do Jornal Labor mantém o espírito, antigo, de que em Agosto é tempo de férias. Têm razão. Provavelmente os leitores também estão de férias, fora da residência e por isso, não se justifica garantir a edição no oitavo mês do ano.
Seguindo este calendário de publicação do jornal, a minha colaboração pela escrita terá a sua paragem para outros ócios. Fica concluído o segundo ano de textos publicados, num ritmo médio quinzenal: em dois anos enviei quarenta e oito textos para um pouco menos de noventa e seis edições.
O tempo agora é de descanso. A todos os leitores: Boas Férias!!!
O projecto havia sido anunciado em 2001, por altura das eleições autárquicas. Basicamente, o PSD propunha-se corrigir a política do Governo de António Guterres desenvolvida, desde o ano de 1996, no apoio a toxicodependentes. Uma política com forte sentido de Estado, assentando os seus pressupostos com a proliferação de Centros de Apoios a Toxicodependentes (CAT) e a criação do IDT – Instituto da Droga e da Toxicodependência. Uma vertente do Estado social.
A contra-proposta de Rui Rio, obviamente com alguns aspectos positivos, consistia numa “política directa”, obrigando à retirada das ruas dos arrumadores – independentemente da sua motivação para o tratamento, procurando posteriormente tal como a política do Governo, a sua reabilitação e reinserção no mercado de trabalho. O princípio da autonomia do doente para aderir ao tratamento seria a principal diferença entre metodologias.
Em cinco anos, os técnicos do "Porto Feliz" contactaram 2500 arrumadores. Quase 700 aderiram ao programa e 334 ficaram livres da droga e prontos a serem reinseridos no mercado de trabalho, segundo dados do Jornal de Notícias. O financiamento deste programa era assumido pela CMP, pelo IDT e pela Segurança Social. Desde Novembro passado que o IDT – presidido por João Goulão - pretendia rever a sua participação, por considerar que as verbas envolvidas não eram comportáveis. O programa nacional tinha conseguido agilizar despesas e as facturas apresentadas pelo Projecto Porto Feliz eram superiores.
Essencialmente e na prática passou a não haver duplicação de projectos, com a mesma finalidade, na cidade do Porto. Uma racionalização de despesa e de meios operacionais que beneficiam o estado Português. Além de outros aspectos, mais importantes, como o real tratamento ao toxicodependente ser assegurado por técnicos inseridos numa lógica estatal, atenta a novas metodologias, a novas formas de dependência, entre outros benefícios.
Se no Porto, a aventura Camarária durou 5 anos, ao abrigo de um protocolo especial e o principal responsável tenha chegado à conclusão, que apesar do “número de arrumadores na cidade ter diminuído, não foram totalmente erradicados, como se pretendia inicialmente”, outros projectos municipais tiveram uma curta duração, sem que daí se possa tirar conclusões sobre o sucesso do mesmos.
Na toxicodependência, como admitiu Rui Rio, o sucesso é relativo. Apesar de todo o aparato do Porto Feliz a taxa de toxicodependentes recuperados e inseridos, segundo o próprio presidente da CMP, foi de 13%.
Em S. João da Madeira, procurou-se antecipar o lançamento do projecto portuense e lançou-se atabalhoadamente em 2002, o “Prevenir o Futuro”. Partindo de apoios institucionais, mais alguns parceiros abrangentes e algumas empresas locais, a Câmara Municipal apadrinhou durante alguns meses, este projecto, que desde logo foi classificado de pioneiro e pasme-se de sucesso!
Número finais nunca foram apresentados, nem de toxicodependentes contactados, nem de casos concretos de reabilitação, nem nada. Vários erros foram efectuados e não querendo enumerar todos, aqui ficam alguns:
- metodologia de tratamento sem credibilidade científica;
- recrutamento por coação de “cobaias”;
- equipas de rua de apoio a toxicodependentes sem técnicos especializados;
- demasiado voluntariado, com parceiros a assumirem terem encontrado a solução para todos os problemas do flagelo;
O erro maior foi não partir do diagnóstico efectuado desde 1999, pela valência de apoio a toxicodependentes da Santa Casa da Misericórdia – O Trilho e ignorar toda a experiência acumulada nesta área, pelas suas técnicas, já com três anos de trabalho de terreno naquela altura.
A história do projecto local “Prevenir o Futuro” terminou ao fim de dois anos. Apesar de durante o pretérito ano lectivo, a PSP local usar esse nome para as acções de informação e sensibilização (?) sobre o assunto, junto das crianças do ensino básico.
Antes do final do projecto, houve uma série de dissidências, desvirtuando a ideia original do mesmo. O auxílio dado pelo Governo, saído das eleições de 2002 e liderado por Durão Barroso, foi diminuindo à medida que o controlo do défice público se tornou imperativo e o sentido de Estado obrigou a repensar-se a política nacional, única, para a toxicodependência.
Desde o final de 2004 ou meados de 2005, com a ruptura do projecto “Prevenir o futuro” o apoio em S. João da Madeira a toxicodependentes tem sido assegurado pelo Trilho. A Santa Casa da Misericórdia honra lhe seja feita, apoiada quer pela Segurança Social, quer pelo IDT, na medida em que supervisionada pelo CAT da Feira, não fechou as portas a ninguém. Com as dificuldades inerentes, manteve o projecto em funcionamento, apesar de todo o ostracismo a que esta valência foi sujeita, por não apoiar o projecto colectivo da sociedade sanjoanense, privilegiando uma postura técnica e humanamente coerente.
A longevidade de O Trilho, mesmo sem saber os números de pessoas envolvidas ao longo destes anos, faz deste um projecto de sucesso. Recordo que o processo de reabilitação e reinserção de toxicodependentes no mundo de trabalho, já era prática comum em S. João da Madeira, com o apoio de várias empresas, desde o ano de 2000.
Tivesse o executivo municipal eleito no ano 2001 em S. João da Madeira, apoiado esta prática e aquilo que constantemente se afirma como um “projecto de sucesso” tinha-se realmente confirmado, provavelmente ainda “apoiado pela tutela”, mesmo com a eleição do Governo actual, dentro do entendimento de aprovação a projectos lógicos e não concorrentes entre o próprio Estado.
Com estupefacção, não vi este assunto a ser referido nas eleições autárquicas de 2005. O branqueamento do “Prevenir o Futuro” não passou despercebido e entendi tal facto, pelo compromisso dos partidos políticos para com os membros das suas listas, envolvidos neste projecto - por inerência de serem directores de alguma associação.
Aliás, curiosamente ainda hoje, no diagnóstico inicial da Rede Social - disponível na página da Câmara Municipal de S. João da Madeira na Internet - não é feita qualquer alusão à toxicodependência, como se esta não fosse preocupante, nem existisse no concelho e não fosse infelizmente visível por todos.
Não me querendo alargar mais, espero com isto ter esclarecido os leitores, em especial, aqueles que por várias razões procuram junto dos responsáveis municipais informações sobre este projecto, obtendo sempre uma resposta oficial que, incompreensivelmente, os satisfaz.
Férias
É bom manter tradições e a redacção do Jornal Labor mantém o espírito, antigo, de que em Agosto é tempo de férias. Têm razão. Provavelmente os leitores também estão de férias, fora da residência e por isso, não se justifica garantir a edição no oitavo mês do ano.
Seguindo este calendário de publicação do jornal, a minha colaboração pela escrita terá a sua paragem para outros ócios. Fica concluído o segundo ano de textos publicados, num ritmo médio quinzenal: em dois anos enviei quarenta e oito textos para um pouco menos de noventa e seis edições.
O tempo agora é de descanso. A todos os leitores: Boas Férias!!!
terça-feira, julho 17, 2007
Ida ao Bosque
Nos primeiros dias de Verão, o cansaço acumulado ao longo de um ano de trabalho e a proximidade das férias encaminham o corpo e a mente para horas de descanso, preferencialmente serenas. Este ano, a chegada tardia dos dias quentes de Verão, com fins de semana chuvosos ou corridos a “nortada”, atiram a família para outras paragens que não a praia, tão perto de casa.
Encontra-se em contextos urbanos nas cidades de média dimensão, óptimas soluções para programas alternativos. Cidades com a história preservada, com várias ofertas para os tempos livres - desde o lazer em família a actividades didácticas - e sobretudo, urbes com reabilitações urbanas bem conseguidas, de forma a oferecer espaços amplos às populações, que prontamente se adaptam e adquirem hábitos de os frequentar.
Outra solução são os contactos com a natureza, em locais adequados. A observação da dinâmica dos animais em contraste com a tranquilidade do reino mineral ou vegetal, tornam-se nos passeios predilectos. Longe das áreas protegidas em serranias, os montes mais próximos não foram repovoados com espécies animais diferentes das existentes e raramente, podemos mostrar aos filhos mais do que rebanhos de vacas, ovelhas ou cabras. Simplesmente, gado. Bovino ou caprino.
A fauna bravia existente nas redondezas limita-nos as observações a ornitológicas. Esporadicamente, ainda assim. Sem esquecer os rastejantes de vária índole. Para quem, nas traseiras de casa é visitado por várias espécies de aves de rapina e voadores nocturnos, espera encontrar uma maior diversidade que vá de encontro as expectativas do imaginário dos mais pequenos numa ida à floresta. Permanece nas suas cabeças, a ideia dos animais vivendo em comunidade em pleno bosque.
É certo que a adaptação dos animais, dito selvagens, ao círculo humano é uma realidade. Testemunhos de um javali às portas de S. João da Madeira, provocando um acidente no IC2, há uns anos atrás, servem para assegurar ter presenciado um esquilo e mais tarde uma raposa a atravessar uma estrada no concelho da Feira. No entanto, tudo isto são observações isoladas sem qualquer hipótese de repetição. Provavelmente incursões do género da dos heróis do filme infantil “Pular a Cerca”.
A recepção no bosque não podia ter corrido da melhor maneira. No escuro da noite, um vulto de médio porte, em plena estrada, surgiu na frente do carro. Ao seu lado, o pequeno filho. A primeira impressão foi tratar-se duma vulgar cabra, meia perdida junto à estrada. Focando melhor, a surpresa de reconhecer uma mãe cervídeo e o seu “bambi”, alargou o contentamento familiar. O instinto maternal da corça foi comprovado por todos, pois a retirada da estrada só foi efectuada, quando o filhote estava em local seguro, fora do quentinho alcatrão, numa noite com temperaturas de 4º centígrados.
O resto do fim de semana foi chuvoso, quase nem víamos paisagens, por isso, das restantes e anunciadas espécies de animais, em habitat natural, existentes na reserva escolhida, nem vê-los.
Por estarmos em Espanha, aproveitámos, nas tréguas da chuva, para contemplar a harmonia paisagística das margens do Lago de Sanabria. Descobrindo, ou relembrando, ter por lá passado D. Quixote a caminho de mais uma aventura. Além das paisagens, os nossos vizinhos, conseguem preservar muito bem o seu património. Visitar Castelos faz também parte dos roteiros familiares. Este de Puebla de Sanabria, tão próximo de Portugal, não sendo muito grande tem o seu interior mais recheado e melhor aproveitado do que a maioria dos Castelos Nacionais, nos quais apenas se mostra muralhas, torres de vigia e ameias.
O regresso ficou marcado, pelo encanto de ver, pela primeira vez, Trás-os-Montes verde no Verão. As novas vias de comunicação permitem percorrer imensos quilómetros no interior do País, numa só tarde. Além desta vantagem, oferecem-nos óptimas oportunidades para o deslumbramento com a paisagem nacional: as belas e encantadoras encostas Durienses, quer atravessando o planalto ora rochoso, ora verdejante da Beira Alta. A incerteza do território.
Os estímulos duma viagem ficam nos actos e brincadeiras das crianças. No regresso à praia, ao construir um Túnel com o irmão, escavando na areia, a Luisinha optou por fazê-lo em curva, tal como tinha visto na A24, perto de Castro Daire. É certo que não memorizou a sua localização, referindo-se ao “Túnel da viagem a França”. Baralhada por ao regressar a Portugal, mal se transpõe a fronteira, ter atravessado uma aldeia com um nome deste país.
(a publicar no dia 19/07/07)
Encontra-se em contextos urbanos nas cidades de média dimensão, óptimas soluções para programas alternativos. Cidades com a história preservada, com várias ofertas para os tempos livres - desde o lazer em família a actividades didácticas - e sobretudo, urbes com reabilitações urbanas bem conseguidas, de forma a oferecer espaços amplos às populações, que prontamente se adaptam e adquirem hábitos de os frequentar.
Outra solução são os contactos com a natureza, em locais adequados. A observação da dinâmica dos animais em contraste com a tranquilidade do reino mineral ou vegetal, tornam-se nos passeios predilectos. Longe das áreas protegidas em serranias, os montes mais próximos não foram repovoados com espécies animais diferentes das existentes e raramente, podemos mostrar aos filhos mais do que rebanhos de vacas, ovelhas ou cabras. Simplesmente, gado. Bovino ou caprino.
A fauna bravia existente nas redondezas limita-nos as observações a ornitológicas. Esporadicamente, ainda assim. Sem esquecer os rastejantes de vária índole. Para quem, nas traseiras de casa é visitado por várias espécies de aves de rapina e voadores nocturnos, espera encontrar uma maior diversidade que vá de encontro as expectativas do imaginário dos mais pequenos numa ida à floresta. Permanece nas suas cabeças, a ideia dos animais vivendo em comunidade em pleno bosque.
É certo que a adaptação dos animais, dito selvagens, ao círculo humano é uma realidade. Testemunhos de um javali às portas de S. João da Madeira, provocando um acidente no IC2, há uns anos atrás, servem para assegurar ter presenciado um esquilo e mais tarde uma raposa a atravessar uma estrada no concelho da Feira. No entanto, tudo isto são observações isoladas sem qualquer hipótese de repetição. Provavelmente incursões do género da dos heróis do filme infantil “Pular a Cerca”.
A recepção no bosque não podia ter corrido da melhor maneira. No escuro da noite, um vulto de médio porte, em plena estrada, surgiu na frente do carro. Ao seu lado, o pequeno filho. A primeira impressão foi tratar-se duma vulgar cabra, meia perdida junto à estrada. Focando melhor, a surpresa de reconhecer uma mãe cervídeo e o seu “bambi”, alargou o contentamento familiar. O instinto maternal da corça foi comprovado por todos, pois a retirada da estrada só foi efectuada, quando o filhote estava em local seguro, fora do quentinho alcatrão, numa noite com temperaturas de 4º centígrados.
O resto do fim de semana foi chuvoso, quase nem víamos paisagens, por isso, das restantes e anunciadas espécies de animais, em habitat natural, existentes na reserva escolhida, nem vê-los.
Por estarmos em Espanha, aproveitámos, nas tréguas da chuva, para contemplar a harmonia paisagística das margens do Lago de Sanabria. Descobrindo, ou relembrando, ter por lá passado D. Quixote a caminho de mais uma aventura. Além das paisagens, os nossos vizinhos, conseguem preservar muito bem o seu património. Visitar Castelos faz também parte dos roteiros familiares. Este de Puebla de Sanabria, tão próximo de Portugal, não sendo muito grande tem o seu interior mais recheado e melhor aproveitado do que a maioria dos Castelos Nacionais, nos quais apenas se mostra muralhas, torres de vigia e ameias.
O regresso ficou marcado, pelo encanto de ver, pela primeira vez, Trás-os-Montes verde no Verão. As novas vias de comunicação permitem percorrer imensos quilómetros no interior do País, numa só tarde. Além desta vantagem, oferecem-nos óptimas oportunidades para o deslumbramento com a paisagem nacional: as belas e encantadoras encostas Durienses, quer atravessando o planalto ora rochoso, ora verdejante da Beira Alta. A incerteza do território.
Os estímulos duma viagem ficam nos actos e brincadeiras das crianças. No regresso à praia, ao construir um Túnel com o irmão, escavando na areia, a Luisinha optou por fazê-lo em curva, tal como tinha visto na A24, perto de Castro Daire. É certo que não memorizou a sua localização, referindo-se ao “Túnel da viagem a França”. Baralhada por ao regressar a Portugal, mal se transpõe a fronteira, ter atravessado uma aldeia com um nome deste país.
(a publicar no dia 19/07/07)
quarta-feira, julho 04, 2007
Jogos Olímpicos 2012
O historial da participação Portuguesa nas competições Olímpicas de Verão, se perspectivarmos a conquista de medalhas, demonstra ter existido três períodos diferentes:
a) uma fase inicial com a obtenção de bons resultados e a consequente conquista de medalhas em Vela, no que parecia ser a continuação do desígnio nacional de país de marinheiros, nos Jogos Olímpicos de 1948, 1952, 1960;
b) uma fase fantástica do Atletismo Português iniciada em 1976, por Carlos Lopes – Medalha de Prata nos 10.000 metros, no que se seguiriam os feitos históricos do mesmo Carlos Lopes – Medalha de Ouro na Maratona em 1984, Rosa Mota – Medalha de Ouro na Maratona em 1988 e Fernanda Ribeiro – Medalha de Ouro nos 10.000metros em 1996;
c) finalmente, um ciclo demonstrativo de outra capacidade técnica do Desporto Nacional, iniciado em 1996 na Vela com a obtenção da medalha de Bronze, à qual se seguiram em Sidney no ano 2000, duas medalhas de bronze, uma em Judo por Nuno Delgado e outra por Fernanda Ribeiro na corrida dos 10.000m. Em Atenas 2004, Portugal alcançou três medalhas: duas de Prata - novamente em Atletismo, desta feita em provas com um índice técnico mais elevado, Rui Silva nos 1.500 e Francis Obikwelu nos 100 metros - e uma de bronze por Sérgio Paulinho, no Ciclismo.
Esta mudança significativa dos resultados, que fazem a história das participações Olímpicas, foi acompanhada pela diversidade de modalidades englobadas na comitiva Portuguesa ao longo das últimas participações.
Os sacrifícios individuais dos atletas dos anos 80 não foram em vão. Portugal optou por outro tipo de política desportiva. Construíram-se mais e melhores infra-estruturas desportivas, adequadas à prática de desporto e não para recreio e lazer; as Federações desportivas organizaram-se de forma a prever e a apostar em ciclos Olímpicos; foi criado o estatuto de atleta de alta-competição; tendo sido dada a oportunidade a alguns atletas de profissionalização; nos últimos anos nasceram dois Centros de Preparação Olímpica em Portugal – Vila Real de Santo António e Rio Maior.
A um ano dos Jogos Olímpicos de Pequim, Portugal tem previsto a participação de 70 atletas, em diversas modalidades, com incidência nos desportos individuais. Razões existem para esta coincidência, que passam por critérios de qualificação e de apuramento mais difíceis de obter nos desportos colectivos.
Um dos atletas qualificados é Diogo Carvalho do Clube Galitos de Aveiro na modalidade Natação, o que vem provar o bom trabalho efectuado por treinadores e dirigentes de pequenos clubes, além do mérito pessoal do próprio nadador.
Para verificarmos que tudo está diferente no desporto nacional, já existe um Projecto Esperanças para os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres. Engloba 144 atletas de 20 modalidades.
O desporto acompanha as histórias das nações.
Em meados do próximo ano as atenções públicas estarão viradas para os Jogos Olímpicos. Aí, ilustres desconhecidos passam a receber a atenção duma nação (e a esperança da conquista de um resultado surpreendente).
Em 2012, em S. João da Madeira tudo pode ser diferente.
Em 2007, existe uma Nadadora da AEJ – Ana Rodrigues – com bons resultados desportivos e tempos fantásticos. Recentemente esteve presente no Dia Olímpico, em prova decorrida em Rio Maior, organizada pelo Comité Olímpico Português.
Devidamente apoiada e com boas condições de treino, o que implica atender às sugestões e melhorias aventadas pelo seu treinador Luís Ferreira, uma nova página pode-se abrir no desporto local.
Haja vontade.
Tudo seria mais fácil, se ao lado quantitativo do desporto (n.º de praticantes, de atletas federados), aliássemos o lado da qualidade (títulos conquistados) e da excelência (resultados desportivos relevantes).
Esta forma de encarar um ciclo Olímpico, poderia ser pioneira na Gestão Desportiva Municipal e daí exemplar.
(a publicar no dia 05/07/07)
a) uma fase inicial com a obtenção de bons resultados e a consequente conquista de medalhas em Vela, no que parecia ser a continuação do desígnio nacional de país de marinheiros, nos Jogos Olímpicos de 1948, 1952, 1960;
b) uma fase fantástica do Atletismo Português iniciada em 1976, por Carlos Lopes – Medalha de Prata nos 10.000 metros, no que se seguiriam os feitos históricos do mesmo Carlos Lopes – Medalha de Ouro na Maratona em 1984, Rosa Mota – Medalha de Ouro na Maratona em 1988 e Fernanda Ribeiro – Medalha de Ouro nos 10.000metros em 1996;
c) finalmente, um ciclo demonstrativo de outra capacidade técnica do Desporto Nacional, iniciado em 1996 na Vela com a obtenção da medalha de Bronze, à qual se seguiram em Sidney no ano 2000, duas medalhas de bronze, uma em Judo por Nuno Delgado e outra por Fernanda Ribeiro na corrida dos 10.000m. Em Atenas 2004, Portugal alcançou três medalhas: duas de Prata - novamente em Atletismo, desta feita em provas com um índice técnico mais elevado, Rui Silva nos 1.500 e Francis Obikwelu nos 100 metros - e uma de bronze por Sérgio Paulinho, no Ciclismo.
Esta mudança significativa dos resultados, que fazem a história das participações Olímpicas, foi acompanhada pela diversidade de modalidades englobadas na comitiva Portuguesa ao longo das últimas participações.
Os sacrifícios individuais dos atletas dos anos 80 não foram em vão. Portugal optou por outro tipo de política desportiva. Construíram-se mais e melhores infra-estruturas desportivas, adequadas à prática de desporto e não para recreio e lazer; as Federações desportivas organizaram-se de forma a prever e a apostar em ciclos Olímpicos; foi criado o estatuto de atleta de alta-competição; tendo sido dada a oportunidade a alguns atletas de profissionalização; nos últimos anos nasceram dois Centros de Preparação Olímpica em Portugal – Vila Real de Santo António e Rio Maior.
A um ano dos Jogos Olímpicos de Pequim, Portugal tem previsto a participação de 70 atletas, em diversas modalidades, com incidência nos desportos individuais. Razões existem para esta coincidência, que passam por critérios de qualificação e de apuramento mais difíceis de obter nos desportos colectivos.
Um dos atletas qualificados é Diogo Carvalho do Clube Galitos de Aveiro na modalidade Natação, o que vem provar o bom trabalho efectuado por treinadores e dirigentes de pequenos clubes, além do mérito pessoal do próprio nadador.
Para verificarmos que tudo está diferente no desporto nacional, já existe um Projecto Esperanças para os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres. Engloba 144 atletas de 20 modalidades.
O desporto acompanha as histórias das nações.
Em meados do próximo ano as atenções públicas estarão viradas para os Jogos Olímpicos. Aí, ilustres desconhecidos passam a receber a atenção duma nação (e a esperança da conquista de um resultado surpreendente).
Em 2012, em S. João da Madeira tudo pode ser diferente.
Em 2007, existe uma Nadadora da AEJ – Ana Rodrigues – com bons resultados desportivos e tempos fantásticos. Recentemente esteve presente no Dia Olímpico, em prova decorrida em Rio Maior, organizada pelo Comité Olímpico Português.
Devidamente apoiada e com boas condições de treino, o que implica atender às sugestões e melhorias aventadas pelo seu treinador Luís Ferreira, uma nova página pode-se abrir no desporto local.
Haja vontade.
Tudo seria mais fácil, se ao lado quantitativo do desporto (n.º de praticantes, de atletas federados), aliássemos o lado da qualidade (títulos conquistados) e da excelência (resultados desportivos relevantes).
Esta forma de encarar um ciclo Olímpico, poderia ser pioneira na Gestão Desportiva Municipal e daí exemplar.
(a publicar no dia 05/07/07)
quarta-feira, junho 13, 2007
Migrações
Pelos valores retirados dos Censos populacionais, obtidos desde do ano de 1930 até ao último de 2001, verifica-se que a população de S. João da Madeira passou de 5.481 para 21.102 habitantes. Um crescimento populacional acelerado em setenta e um anos, equivalente a um aumento de 285%, praticamente o quádruplo da sua população aquando da emancipação concelhia.
Os valores seguintes, retirados da Wikipédia, mostram a evolução ao longo das últimas décadas,
1930 = 5481 habitantes
1960 = 11921 habitantes
1981 = 16444 habitantes
1991 = 18452 habitantes
2001 = 21102 habitantes
2004 = 21538 habitantes
Este último ano apesar de não estar associado a nenhum Censos, e portanto, sem o rigor em termos de estudos demográficos, divulga-se em todas as páginas dedicadas aos concelhos da Região Entre o Douro e Vouga (EDV), o que permite deduzir estar associado a um outro tipo de estudo, cuja fonte me é desconhecida.
O crescimento populacional está associado a factores naturais – número de nascimentos e número de óbitos - e a factores de migrações.
Este último é o grande responsável pelo aumento da população em S. João da Madeira e da região onde este concelho está inserido. A forte industrialização da região condicionou a fixação da população ao longo dos anos. Em 1930, o somatório da população dos concelhos do EDV apresentava o valor de 128.410 habitantes, sendo que actualmente esse número é de 283.856 pessoas.
Se analisarmos os dados dos concelhos vizinhos em termos de evolução numérica, podemos ficar mais elucidados sobre o crescimento populacional da região:
Ano Feira OA VC Arouca
1930 52679 33072 15745 21433
1960 83483 46263 20404 26378
1981 109531 62821 24224 23896
1991 118641 66846 24537 23894
2001 135964 70721 24805 24227
2004 142245 71243 24761 24019
O crescimento constante de S. João da Madeira, é similar aos concelhos de Santa Maria da Feira e de Oliveira de Azeméis ao longo dos anos. Vale de Cambra e Arouca estagnaram em termos de crescimento populacional, tendo este último regredido até, durante alguns anos.
Analisando de novo os dados de S. João da Madeira...
Em termos percentuais, o crescimento populacional entre os anos dos estudos referidos é o seguinte:
1930-1960: 117%
1960-1981: 38%
1981-1991: 12%
1991-2001: 14%
2001-2004: 2%
Se considerarmos em termos médios anuais, a relação é mais esclarecedora:
1930-1960: 3,9%
1960-1981: 1,8%
1981-1991: 1,2%
1991-2001: 1,4%
2001-2004: 0,7%
Isto significa que o ritmo de crescimento da população alterou após o ano de 2001. Em termos demográficos existem dois tipos de crescimento populacional, acelerado e lento. Pelos valores indicados em 2004, S. João da Madeira está na fase de crescimento lento. Isto significa que um dos tipos de crescimento atrás verificado se alterou. Empiricamente, deduzo tratar-se do contributo das migrações.
Esta fase de crescimento lento poderia ser explicada por algum dos seguintes fenómenos: a) existem vários fluxos de migração de rotina diária à volta do concelho, diversas são as freguesias vizinhas que recebem muitos habitantes provenientes de S. João da Madeira, devido à procura de preços mais baixos por metro quadrado das habitações ou de terrenos para construção de moradias individuais. b) o fluxo de estudantes para o ensino superior – estudos universitários - que, não encontrando na cidade resposta para as suas necessidades de emprego após obterem as resectivas licenciaturas, fixam residência noutros locais.
Estes fluxos sempre existiram e não me parece terem surgido apenas entre os anos de 2001 e 2004.
Existe um dado que não procurei mas, que poderia ser fundamental para perceber melhor a fixação e aumento da população em S. João da Madeira: trata-se do ano da finalização da construção e atribuição das habitações sociais no concelho. Este dado juntamente com a história industrial do concelho explicaria melhor o seu processo demográfico.
No entanto, é no emprego que surgem as melhores justificações. A perda de postos de trabalho no sector do calçado em S. João da Madeira - 1700 em 10 anos, trouxe como repercussão a migração negativa, ou seja, a crise no sector económico obriga à procura de emprego fora da cidade, para dentro do país ou para o estrangeiro.
Com este fluxo e observando em gráfico a evolução da população, podemos constatar que a curva característica apresenta sinais e semelhanças com uma curva logarítmica, fixando-se num determinado patamar de valores. A tendência será fixar-se em 22.500 habitantes em 2011.
(gráfico não disponível)
Tudo isto, salvaguardo, são suposições com base num valor estranho aos habituais Censos Populacionais.
A definição de um modelo para a cidade de S. João da Madeira não passa apenas pela qualidade de construção e funcionalidade de equipamentos públicos, acessibilidades às principais vias de comunicação e outros indicadores de índole urbana. Mais do que factores de modernidade, ao escolher-se um modelo existem implicações a nível económico, com reflexos na população activa e no número de habitantes da cidade.
Sendo certo que qualquer conceito moderno para a cidade não devia esquecer os problemas sociais da mesma: o desemprego constante (mais de 1.000 activos), os desempregados de longa duração (provavelmente retirados das listas do Centro de Emprego), uma população inactiva com necessidade de reconversão a curto e a médio prazo e claro, um tecido empresarial em lenta transformação, com artigos de valor acrescentado a não ocuparem a totalidade da mão de obra existente.
Tudo isto associado ao diagnóstico da Rede Social, cáustico a vários níveis, concretamente nas habilitações literárias da população do Concelho: para 4959 habitantes o 1º ciclo completo é a habilitação mais frequente.
Os próximos tempos não serão fáceis para a maioria da população residente em S. João da Madeira.
Não querer encarar esta situação é hipotecar o futuro da Cidade.
É urgente contrariá-la, traçando e executando projectos políticos na área social a médio prazo, dotando-os com elevadas verbas.
Todo o dinheiro aplicado na qualificação da população será mais útil do que qualquer obra municipal, tão caracteristicamente de fachada e muitas vezes desnecessária.
(a publicar no dia 21/06/07)
Os valores seguintes, retirados da Wikipédia, mostram a evolução ao longo das últimas décadas,
1930 = 5481 habitantes
1960 = 11921 habitantes
1981 = 16444 habitantes
1991 = 18452 habitantes
2001 = 21102 habitantes
2004 = 21538 habitantes
Este último ano apesar de não estar associado a nenhum Censos, e portanto, sem o rigor em termos de estudos demográficos, divulga-se em todas as páginas dedicadas aos concelhos da Região Entre o Douro e Vouga (EDV), o que permite deduzir estar associado a um outro tipo de estudo, cuja fonte me é desconhecida.
O crescimento populacional está associado a factores naturais – número de nascimentos e número de óbitos - e a factores de migrações.
Este último é o grande responsável pelo aumento da população em S. João da Madeira e da região onde este concelho está inserido. A forte industrialização da região condicionou a fixação da população ao longo dos anos. Em 1930, o somatório da população dos concelhos do EDV apresentava o valor de 128.410 habitantes, sendo que actualmente esse número é de 283.856 pessoas.
Se analisarmos os dados dos concelhos vizinhos em termos de evolução numérica, podemos ficar mais elucidados sobre o crescimento populacional da região:
Ano Feira OA VC Arouca
1930 52679 33072 15745 21433
1960 83483 46263 20404 26378
1981 109531 62821 24224 23896
1991 118641 66846 24537 23894
2001 135964 70721 24805 24227
2004 142245 71243 24761 24019
O crescimento constante de S. João da Madeira, é similar aos concelhos de Santa Maria da Feira e de Oliveira de Azeméis ao longo dos anos. Vale de Cambra e Arouca estagnaram em termos de crescimento populacional, tendo este último regredido até, durante alguns anos.
Analisando de novo os dados de S. João da Madeira...
Em termos percentuais, o crescimento populacional entre os anos dos estudos referidos é o seguinte:
1930-1960: 117%
1960-1981: 38%
1981-1991: 12%
1991-2001: 14%
2001-2004: 2%
Se considerarmos em termos médios anuais, a relação é mais esclarecedora:
1930-1960: 3,9%
1960-1981: 1,8%
1981-1991: 1,2%
1991-2001: 1,4%
2001-2004: 0,7%
Isto significa que o ritmo de crescimento da população alterou após o ano de 2001. Em termos demográficos existem dois tipos de crescimento populacional, acelerado e lento. Pelos valores indicados em 2004, S. João da Madeira está na fase de crescimento lento. Isto significa que um dos tipos de crescimento atrás verificado se alterou. Empiricamente, deduzo tratar-se do contributo das migrações.
Esta fase de crescimento lento poderia ser explicada por algum dos seguintes fenómenos: a) existem vários fluxos de migração de rotina diária à volta do concelho, diversas são as freguesias vizinhas que recebem muitos habitantes provenientes de S. João da Madeira, devido à procura de preços mais baixos por metro quadrado das habitações ou de terrenos para construção de moradias individuais. b) o fluxo de estudantes para o ensino superior – estudos universitários - que, não encontrando na cidade resposta para as suas necessidades de emprego após obterem as resectivas licenciaturas, fixam residência noutros locais.
Estes fluxos sempre existiram e não me parece terem surgido apenas entre os anos de 2001 e 2004.
Existe um dado que não procurei mas, que poderia ser fundamental para perceber melhor a fixação e aumento da população em S. João da Madeira: trata-se do ano da finalização da construção e atribuição das habitações sociais no concelho. Este dado juntamente com a história industrial do concelho explicaria melhor o seu processo demográfico.
No entanto, é no emprego que surgem as melhores justificações. A perda de postos de trabalho no sector do calçado em S. João da Madeira - 1700 em 10 anos, trouxe como repercussão a migração negativa, ou seja, a crise no sector económico obriga à procura de emprego fora da cidade, para dentro do país ou para o estrangeiro.
Com este fluxo e observando em gráfico a evolução da população, podemos constatar que a curva característica apresenta sinais e semelhanças com uma curva logarítmica, fixando-se num determinado patamar de valores. A tendência será fixar-se em 22.500 habitantes em 2011.
(gráfico não disponível)
Tudo isto, salvaguardo, são suposições com base num valor estranho aos habituais Censos Populacionais.
A definição de um modelo para a cidade de S. João da Madeira não passa apenas pela qualidade de construção e funcionalidade de equipamentos públicos, acessibilidades às principais vias de comunicação e outros indicadores de índole urbana. Mais do que factores de modernidade, ao escolher-se um modelo existem implicações a nível económico, com reflexos na população activa e no número de habitantes da cidade.
Sendo certo que qualquer conceito moderno para a cidade não devia esquecer os problemas sociais da mesma: o desemprego constante (mais de 1.000 activos), os desempregados de longa duração (provavelmente retirados das listas do Centro de Emprego), uma população inactiva com necessidade de reconversão a curto e a médio prazo e claro, um tecido empresarial em lenta transformação, com artigos de valor acrescentado a não ocuparem a totalidade da mão de obra existente.
Tudo isto associado ao diagnóstico da Rede Social, cáustico a vários níveis, concretamente nas habilitações literárias da população do Concelho: para 4959 habitantes o 1º ciclo completo é a habilitação mais frequente.
Os próximos tempos não serão fáceis para a maioria da população residente em S. João da Madeira.
Não querer encarar esta situação é hipotecar o futuro da Cidade.
É urgente contrariá-la, traçando e executando projectos políticos na área social a médio prazo, dotando-os com elevadas verbas.
Todo o dinheiro aplicado na qualificação da população será mais útil do que qualquer obra municipal, tão caracteristicamente de fachada e muitas vezes desnecessária.
(a publicar no dia 21/06/07)
segunda-feira, junho 04, 2007
Handicap
Ao assumir o incumprimento do seu programa eleitoral, o Presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira revelou uma forte auto – confiança. Os valores anunciados de 30%, implicam a concretização de alguns projectos da responsabilidade do Governo. A construção da A32 - com uma saída que sirva os interesses de S. João da Madeira para ficar com uma ligação terrestre rápida ao Porto e a renovação da linha do Vouga, com a introdução do vai e vem local são as empreitadas pretendidas, cuja conclusão é esperada antes das próximas eleições autárquicas. O risco do executivo municipal, torna-se maior se a renovação do Cinema Imperador não se concretizar e a projectada Sala de Espectáculos não abrir as portas até 2009.
Nesse cenário as metas anunciadas não serão alcançadas e o programa eleitoral ficará concretizado em apenas 40%.
Perante este panorama estatisticamente desolador, o programa eleitoral do ano de 2005, que suportou a maioria do partido vencedor, servirá de modelo a novos projectos políticos, para o ciclo eleitoral seguinte.
Outros argumentos políticos serão revelados.
Um iniciado na causa política descobre desde muito cedo as preocupações dos partidos no período que antecede umas eleições autárquicas. Essas inquietações são normalmente e hierarquizando: candidato, elementos das listas, promessas eleitorais, acções de campanha e programa político. O método não varia muito de partido para partido. Vencidas as duas primeiras etapas - ficando as listas constituídas e divulgadas, procura-se uma série de frases fortes para elaborar as promessas eleitorais. Depois desta fase, as energias passam a estar concentradas em questões de propaganda eleitoral: cartazes de várias dimensões, sites na Internet, folhetos e jornal de campanha, campanhas de rua, uma ou outra acção política programada, os jantares característicos e claro, a caravana de encerramento.
O programa político, o projecto, as ideias sobre e para o município, por vezes não conhecem a luz do dia.
Manifestamente por falta de tempo. O arranque tardio, com a escolha de candidatos e a constituição de listas de forma intermitente, não permite muito mais.
Habitualmente fazem-se programas eleitorais com duas ou três ideias sobre um determinado assunto – tópico político. Elegem-se os assuntos mais relevantes, ou por questões de mediatismo momentâneo e assim consegue-se atingir números como quarenta a cinquenta ideias soltas para os municípios. Por vezes, nada mais são do que promessas.
Tudo isto tende a repetir-se nos vários concelhos do país.
Os partidos consideram o mais importante nas eleições autárquicas a apresentação de candidatos. Retirando significado a questões como projecto político e consequente programa eleitoral. Esta atitude, impõe uma ideia de menoridade destas eleições e revela um desinteresse das concelhias pela causa comum, a pública.
Utilizando uma linguagem desportiva, concretamente do golfe, diria ser este o “handicap” das estruturas locais dos partidos políticos. O atraso com que iniciam a campanha eleitoral, relativamente ao partido do executivo Camarário, não lhes permite ter oportunidade de reduzir a diferença para quem já tem projecto político e obviamente candidato pré - definido. A menos que alguma “tacada” mal efectuada, provoque situações de crise política ou financeira.
Como foi o caso da Câmara Municipal de Lisboa.
Para as próximas eleições intercalares, os partidos e listas de independentes apresentaram candidatos fortes: ex-ministros, ex-presidentes de Câmara, ex-autarcas e políticos com inegável currículo.
Na comunicação social, os últimos dois anos da Autarquia Lisboeta não foram esquecidos, exigiu-se aos candidatos ideias para a Capital, nalguns casos por estas serem desconhecidas, obviamente.
A fórmula autárquica dos partidos, para Lisboa não foi suficiente.
Enquanto uns alegam a natureza intercalar das eleições, para conseguirem ganhar tempo e apresentarem um projecto estruturado para a cidade, outros preparam o ataque ao candidato que lidera as sondagens. Assim, só serão divulgados alguns programas, sendo certo, que a concretização efectiva dos mesmos ficará por números idênticos aos revelados há dias em S. João da Madeira.
(a publicar dia 07/06/07)
Nesse cenário as metas anunciadas não serão alcançadas e o programa eleitoral ficará concretizado em apenas 40%.
Perante este panorama estatisticamente desolador, o programa eleitoral do ano de 2005, que suportou a maioria do partido vencedor, servirá de modelo a novos projectos políticos, para o ciclo eleitoral seguinte.
Outros argumentos políticos serão revelados.
Um iniciado na causa política descobre desde muito cedo as preocupações dos partidos no período que antecede umas eleições autárquicas. Essas inquietações são normalmente e hierarquizando: candidato, elementos das listas, promessas eleitorais, acções de campanha e programa político. O método não varia muito de partido para partido. Vencidas as duas primeiras etapas - ficando as listas constituídas e divulgadas, procura-se uma série de frases fortes para elaborar as promessas eleitorais. Depois desta fase, as energias passam a estar concentradas em questões de propaganda eleitoral: cartazes de várias dimensões, sites na Internet, folhetos e jornal de campanha, campanhas de rua, uma ou outra acção política programada, os jantares característicos e claro, a caravana de encerramento.
O programa político, o projecto, as ideias sobre e para o município, por vezes não conhecem a luz do dia.
Manifestamente por falta de tempo. O arranque tardio, com a escolha de candidatos e a constituição de listas de forma intermitente, não permite muito mais.
Habitualmente fazem-se programas eleitorais com duas ou três ideias sobre um determinado assunto – tópico político. Elegem-se os assuntos mais relevantes, ou por questões de mediatismo momentâneo e assim consegue-se atingir números como quarenta a cinquenta ideias soltas para os municípios. Por vezes, nada mais são do que promessas.
Tudo isto tende a repetir-se nos vários concelhos do país.
Os partidos consideram o mais importante nas eleições autárquicas a apresentação de candidatos. Retirando significado a questões como projecto político e consequente programa eleitoral. Esta atitude, impõe uma ideia de menoridade destas eleições e revela um desinteresse das concelhias pela causa comum, a pública.
Utilizando uma linguagem desportiva, concretamente do golfe, diria ser este o “handicap” das estruturas locais dos partidos políticos. O atraso com que iniciam a campanha eleitoral, relativamente ao partido do executivo Camarário, não lhes permite ter oportunidade de reduzir a diferença para quem já tem projecto político e obviamente candidato pré - definido. A menos que alguma “tacada” mal efectuada, provoque situações de crise política ou financeira.
Como foi o caso da Câmara Municipal de Lisboa.
Para as próximas eleições intercalares, os partidos e listas de independentes apresentaram candidatos fortes: ex-ministros, ex-presidentes de Câmara, ex-autarcas e políticos com inegável currículo.
Na comunicação social, os últimos dois anos da Autarquia Lisboeta não foram esquecidos, exigiu-se aos candidatos ideias para a Capital, nalguns casos por estas serem desconhecidas, obviamente.
A fórmula autárquica dos partidos, para Lisboa não foi suficiente.
Enquanto uns alegam a natureza intercalar das eleições, para conseguirem ganhar tempo e apresentarem um projecto estruturado para a cidade, outros preparam o ataque ao candidato que lidera as sondagens. Assim, só serão divulgados alguns programas, sendo certo, que a concretização efectiva dos mesmos ficará por números idênticos aos revelados há dias em S. João da Madeira.
(a publicar dia 07/06/07)
quarta-feira, maio 23, 2007
Zona Proibida
Em meados da década passada, em Portugal, um novo conceito urbano surgia associado ao fenómeno da Expo 98. Várias cidades adoptavam e lançavam o programa Polis, esperando conseguir o mesmo que em Lisboa. A despoluição de pequenos rios, empedrando as suas margens, a recuperação de marginais, dotando-as com discotecas e bares, a construção de pontes para peões foram alguns dos projectos lançados.
Por todo o lado proliferaram zonas pedonais, ciclovias, pistas para “jogging”, “mecos” para evitar trânsito, além de outros pormenores arquitectónicos, como relvados decorados de forma arrojada, candeeiros e bancos peculiares, tudo isto com soluções demasiado semelhantes, aborrecendo a oferta e tornando-a sobretudo desportiva.
Para muitos municípios foi a oportunidade do programa Polis. Os não contemplados com o programa governamental, lançaram-se em projectos dentro do mesmo conceito - a criação de zonas de lazer.
Manuel Graça Dias – arquitecto – definiu assim todo este movimento: “(...)Depois, comecei a perceber que da maior parte das boas intenções anunciadas antes, quer por cansaço dos intérpretes envolvidos quer pelos costumeiros cortes orçamentais, iam desaparecendo as coisas diferentes e novas e só ia ficando o enorme manto igualitário e pobre a que ultimamente se chama “qualidade de vida”(...)”.
A vontade de adaptar novos conceitos urbanos na cidade, retirou legitimidade à zona pedonal do centro da cidade. As ruas, praças e largos classificados para esse efeito não servem para os tempos modernos. A ansiedade, bem portuguesa, de repetir as soluções de outros concelhos retirou-lhe importância.
Na década de 80 do século passado, S. João da Madeira passou a distinguir-se na região onde está inserida, precisamente pela transformação do seu centro – Praça Luís Ribeiro, Largo Santo António e mais algumas ruas com comércio instalado - em zona “só para peões”.
Ao seguir a tendência moderna, de dotar as cidades com lugares para desportos individuais, o centro da cidade sacrificou-se. Já tinha perdido comércio, em detrimento da Avenida Renato Araújo, pela inexistência de soluções de parqueamento de automóveis e prepara-se agora para perder mais visitantes nas suas horas de lazer.
A reposição de trânsito e consequente amputação da metade oeste da zona pedonal, descaracterizará de novo o centro.
A solução poderá ser a correcta, embora fiquem dúvidas na criação do novo espaço de lazer - Parque Urbano – e sobre o seu futuro, em especial, pelos serviços que irá oferecer, para além da possibilidade de se praticar “jogging”.
Para quem segue os lamentos legítimos dos habitantes e comerciantes da Praça, sente que nem tudo foi feito.
Em matéria de segurança nada foi projectado, nem executado.
A Zona Pedonal pelos últimos relatos está insegura.
Das forças policiais espera-se apenas e só uma acção: PATRULHAMENTO. Mais do que conselhos e políticas preventivas, os interessados por esta zona querem sentir-se seguros. Querem ver polícias na Praça e demais artérias. De preferência a pé.
A noção de patrulhamento parece esquecida dos compêndios da PSP local.
Se calhar, é tempo de se equacionar outras soluções para este local como: a Polícia Municipal ou a contratação de uma empresa de segurança, ambas devidamente enquadradas legalmente e financeiramente.
Para concluir, sem querer abordar o assunto do novo shopping, o conceito de zona de lazer que foi criado na Praça não foi devidamente ponderado ao longo dos últimos anos. A degradação foi chegando sobre várias formas: a inaptidão de parte do Parque América, quer pelo reduzido número de habitantes, como pela baixa ocupação de lojas; os edifícios degradados – agora demolidos; o desinvestimento em esplanadas; o eliminar de canteiros, arbustos e árvores; o encerramento de comércio, agências de bancos e seguros; a venda de droga; o aumento da insegurança. Para contrariar tudo isto, o grande investimento municipal, até à data, foi a transformação das artérias circundantes, implantando chapéus de ferro.
Todos estes sinais foram sendo captados pela população, que lentamente retirou dos seus hábitos uma ida ao centro. Para estes a Praça tornou-se em zona proibida.
(a publicar no dia 24/05/07)
Por todo o lado proliferaram zonas pedonais, ciclovias, pistas para “jogging”, “mecos” para evitar trânsito, além de outros pormenores arquitectónicos, como relvados decorados de forma arrojada, candeeiros e bancos peculiares, tudo isto com soluções demasiado semelhantes, aborrecendo a oferta e tornando-a sobretudo desportiva.
Para muitos municípios foi a oportunidade do programa Polis. Os não contemplados com o programa governamental, lançaram-se em projectos dentro do mesmo conceito - a criação de zonas de lazer.
Manuel Graça Dias – arquitecto – definiu assim todo este movimento: “(...)Depois, comecei a perceber que da maior parte das boas intenções anunciadas antes, quer por cansaço dos intérpretes envolvidos quer pelos costumeiros cortes orçamentais, iam desaparecendo as coisas diferentes e novas e só ia ficando o enorme manto igualitário e pobre a que ultimamente se chama “qualidade de vida”(...)”.
A vontade de adaptar novos conceitos urbanos na cidade, retirou legitimidade à zona pedonal do centro da cidade. As ruas, praças e largos classificados para esse efeito não servem para os tempos modernos. A ansiedade, bem portuguesa, de repetir as soluções de outros concelhos retirou-lhe importância.
Na década de 80 do século passado, S. João da Madeira passou a distinguir-se na região onde está inserida, precisamente pela transformação do seu centro – Praça Luís Ribeiro, Largo Santo António e mais algumas ruas com comércio instalado - em zona “só para peões”.
Ao seguir a tendência moderna, de dotar as cidades com lugares para desportos individuais, o centro da cidade sacrificou-se. Já tinha perdido comércio, em detrimento da Avenida Renato Araújo, pela inexistência de soluções de parqueamento de automóveis e prepara-se agora para perder mais visitantes nas suas horas de lazer.
A reposição de trânsito e consequente amputação da metade oeste da zona pedonal, descaracterizará de novo o centro.
A solução poderá ser a correcta, embora fiquem dúvidas na criação do novo espaço de lazer - Parque Urbano – e sobre o seu futuro, em especial, pelos serviços que irá oferecer, para além da possibilidade de se praticar “jogging”.
Para quem segue os lamentos legítimos dos habitantes e comerciantes da Praça, sente que nem tudo foi feito.
Em matéria de segurança nada foi projectado, nem executado.
A Zona Pedonal pelos últimos relatos está insegura.
Das forças policiais espera-se apenas e só uma acção: PATRULHAMENTO. Mais do que conselhos e políticas preventivas, os interessados por esta zona querem sentir-se seguros. Querem ver polícias na Praça e demais artérias. De preferência a pé.
A noção de patrulhamento parece esquecida dos compêndios da PSP local.
Se calhar, é tempo de se equacionar outras soluções para este local como: a Polícia Municipal ou a contratação de uma empresa de segurança, ambas devidamente enquadradas legalmente e financeiramente.
Para concluir, sem querer abordar o assunto do novo shopping, o conceito de zona de lazer que foi criado na Praça não foi devidamente ponderado ao longo dos últimos anos. A degradação foi chegando sobre várias formas: a inaptidão de parte do Parque América, quer pelo reduzido número de habitantes, como pela baixa ocupação de lojas; os edifícios degradados – agora demolidos; o desinvestimento em esplanadas; o eliminar de canteiros, arbustos e árvores; o encerramento de comércio, agências de bancos e seguros; a venda de droga; o aumento da insegurança. Para contrariar tudo isto, o grande investimento municipal, até à data, foi a transformação das artérias circundantes, implantando chapéus de ferro.
Todos estes sinais foram sendo captados pela população, que lentamente retirou dos seus hábitos uma ida ao centro. Para estes a Praça tornou-se em zona proibida.
(a publicar no dia 24/05/07)
quarta-feira, maio 02, 2007
Xeque - Mate
Ao olhar para a fotografia de suporte do cartaz da Gala de Comemoração dos 20 anos da AEJ, a realizar amanhã dia 4 de Maio, identifico-me entre os vários figurantes em pose para a posteridade.
O grupo fotografado fazia parte do 1º Campo de Férias Estamos Juntos, realizado nas traseiras da Escola “Primária” do Parque, em 1982.
Eu estava lá.
Estive sempre. Primeiro como participante até ao 3º Campo de Férias, depois no primeiro grupo de participantes promovidos a monitores, a partir do 4º.
Acompanhei todas as fases da Associação Estamos Juntos, fui sócio fundador, em 1986.
Não assisti, participei no desenrolar da sua história.
Em 1990 lancei a secção de xadrez, no período mais conturbado da história da Associação. Não o fiz sozinho, além dos amigos que estavam comigo nessa “epopeia”, apareceram vários xadrezistas experientes, que com o seu contributo tornaram possível o nascimento da secção.
Durante dez épocas fui seccionista, jogador, capitão de equipa, monitor de xadrez, entre outras tarefas, como organizador de Torneios, Campeonatos Nacionais e Distritais, colectivos e Individuais. É certo que fui acumulando outras funções ao longo desses anos na AEJ, entre as quais Vice – Presidente.
Esses anos não passaram depressa. Muitos títulos distritais conquistados, bons resultados a nível Nacional, como o 2º lugar no Nacional Feminino de Alzira Silva, logo em 1990 e da sua irmã, Madalena, 3ª, no ano seguinte, embora a grande aposta da AEJ tivesse sido a partir de 1992, os escalões de formação, tendo-se atingido bons resultados no Nacional de Sub-20 por Stephane Silva e Ricardo Pinho. Com base nesses jovens, criou-se uma equipa forte que atingiu o seu máximo ao subir à 2ª Divisão, em 1999, colocando-se entre as 20 melhores equipas do país.
Pelo meio deste percurso ascendente, tivemos sempre um rumo, a melhoria qualitativa. Se de inicio a “política” da secção esteve relacionada com factores numéricos - como quantidade de jogadores, títulos obtidos, que serviriam para a divulgação da modalidade e da Associação, no contexto da cidade e do distrito de Aveiro, a certo momento existiu necessidade de redefinir objectivos, prescindindo-se um pouco da formação, da conquista de títulos distritais e procurando-se a afirmação da AEJ como clube de âmbito nacional.
Ao assumir a Presidência da Direcção da AEJ, de 1999 a 2001, optei sempre pela defesa dos interesses desta associação, em detrimento de amizades ou de outros relacionamentos existentes.
Nem sempre fui bem compreendido. Hoje agiria de forma igual, estou convencido.
Não estive sozinho, obviamente. Recuperei parte da equipa que tinha fundado a secção de Xadrez. O propósito agora era a organização da AEJ, projectando-a para o futuro e consolidando-a na sua essência.
As principais conquistas neste biénio ficaram relacionadas com a adequação do estatuto de Associação Juvenil e com a concentração da actividade nas Corgas, tendo ficado assinado no final do meu mandato um protocolo com a Câmara Municipal de S. João da Madeira, em que esta se comprometia a ceder instalações para sede social da AEJ – o espaço visado era o actual, no entanto, o processo não foi directo -, a disponibilizar os campos de ténis, para dinamização de Escola e secção por parte da AEJ. Não me posso esquecer, que nesse protocolo ficou previsto o destacamento da Escola de Natação do nosso técnico, Luís Ferreira, com a despesa dos honorários a pertencerem à Câmara Municipal.
No final de 2001, a capoeira iniciava-se e juntava-se às secções existentes: Natação e Xadrez. Eu estava de saída. Foram dois anos intensos. Apadrinhei na Natação, o primeiro título Nacional de Daniela Azevedo; acompanhei o técnico Augusto Macedo nos primeiros passos da formação da sua nova equipa; aboli o pagamento de quotas por parte dos atletas. No xadrez cedi o destino da secção a Albino Faria - que dura até aos dias de hoje; promovi o fortalecimento da equipa principal, com o reforço de jogadores da região, que por pouco não subia ao escalão principal; mesmo no final, assegurei o reforço de Roman Chemeris, jogador que contribuiu nos últimos anos para a melhoria qualitativa do Xadrez em S. João da Madeira.
A grande transformação seria no Campo de Férias. Em dois anos, médias de 400 participantes, contra os 150 de anos anteriores. Horário alargado às tardes, serviço de almoço, foram as novidades introduzidas. Uma nova dinâmica nascia.
Passei os anos seguintes na presidência da Assembleia Geral, onde pacificamente assisti ao bom trabalho da direcção seguinte, liderada por Nuno Fernandes, tendo sempre presente o meu lema de servir o clube.
Desde 2003 participo em Assembleias Gerais, apenas na qualidade de sócio, no meio de directores e seccionistas. Acompanho pelos jornais as participações das várias secções e feitos dos seus atletas e treinadores, sem exigir nem projectar resultados, como sempre o fiz desde 1990.
Este último sábado, fruto de vários acontecimentos, apareci na sede para apoiar a equipa principal de xadrez, tão necessitada de resultados positivos no Campeonato Nacional da 2ª Divisão.
Ao ver afixado o cartaz da Gala desta sexta-feira, recordei este episódio da minha vida com alguma emoção.
(a publicar no dia 03/05/07)
O grupo fotografado fazia parte do 1º Campo de Férias Estamos Juntos, realizado nas traseiras da Escola “Primária” do Parque, em 1982.
Eu estava lá.
Estive sempre. Primeiro como participante até ao 3º Campo de Férias, depois no primeiro grupo de participantes promovidos a monitores, a partir do 4º.
Acompanhei todas as fases da Associação Estamos Juntos, fui sócio fundador, em 1986.
Não assisti, participei no desenrolar da sua história.
Em 1990 lancei a secção de xadrez, no período mais conturbado da história da Associação. Não o fiz sozinho, além dos amigos que estavam comigo nessa “epopeia”, apareceram vários xadrezistas experientes, que com o seu contributo tornaram possível o nascimento da secção.
Durante dez épocas fui seccionista, jogador, capitão de equipa, monitor de xadrez, entre outras tarefas, como organizador de Torneios, Campeonatos Nacionais e Distritais, colectivos e Individuais. É certo que fui acumulando outras funções ao longo desses anos na AEJ, entre as quais Vice – Presidente.
Esses anos não passaram depressa. Muitos títulos distritais conquistados, bons resultados a nível Nacional, como o 2º lugar no Nacional Feminino de Alzira Silva, logo em 1990 e da sua irmã, Madalena, 3ª, no ano seguinte, embora a grande aposta da AEJ tivesse sido a partir de 1992, os escalões de formação, tendo-se atingido bons resultados no Nacional de Sub-20 por Stephane Silva e Ricardo Pinho. Com base nesses jovens, criou-se uma equipa forte que atingiu o seu máximo ao subir à 2ª Divisão, em 1999, colocando-se entre as 20 melhores equipas do país.
Pelo meio deste percurso ascendente, tivemos sempre um rumo, a melhoria qualitativa. Se de inicio a “política” da secção esteve relacionada com factores numéricos - como quantidade de jogadores, títulos obtidos, que serviriam para a divulgação da modalidade e da Associação, no contexto da cidade e do distrito de Aveiro, a certo momento existiu necessidade de redefinir objectivos, prescindindo-se um pouco da formação, da conquista de títulos distritais e procurando-se a afirmação da AEJ como clube de âmbito nacional.
Ao assumir a Presidência da Direcção da AEJ, de 1999 a 2001, optei sempre pela defesa dos interesses desta associação, em detrimento de amizades ou de outros relacionamentos existentes.
Nem sempre fui bem compreendido. Hoje agiria de forma igual, estou convencido.
Não estive sozinho, obviamente. Recuperei parte da equipa que tinha fundado a secção de Xadrez. O propósito agora era a organização da AEJ, projectando-a para o futuro e consolidando-a na sua essência.
As principais conquistas neste biénio ficaram relacionadas com a adequação do estatuto de Associação Juvenil e com a concentração da actividade nas Corgas, tendo ficado assinado no final do meu mandato um protocolo com a Câmara Municipal de S. João da Madeira, em que esta se comprometia a ceder instalações para sede social da AEJ – o espaço visado era o actual, no entanto, o processo não foi directo -, a disponibilizar os campos de ténis, para dinamização de Escola e secção por parte da AEJ. Não me posso esquecer, que nesse protocolo ficou previsto o destacamento da Escola de Natação do nosso técnico, Luís Ferreira, com a despesa dos honorários a pertencerem à Câmara Municipal.
No final de 2001, a capoeira iniciava-se e juntava-se às secções existentes: Natação e Xadrez. Eu estava de saída. Foram dois anos intensos. Apadrinhei na Natação, o primeiro título Nacional de Daniela Azevedo; acompanhei o técnico Augusto Macedo nos primeiros passos da formação da sua nova equipa; aboli o pagamento de quotas por parte dos atletas. No xadrez cedi o destino da secção a Albino Faria - que dura até aos dias de hoje; promovi o fortalecimento da equipa principal, com o reforço de jogadores da região, que por pouco não subia ao escalão principal; mesmo no final, assegurei o reforço de Roman Chemeris, jogador que contribuiu nos últimos anos para a melhoria qualitativa do Xadrez em S. João da Madeira.
A grande transformação seria no Campo de Férias. Em dois anos, médias de 400 participantes, contra os 150 de anos anteriores. Horário alargado às tardes, serviço de almoço, foram as novidades introduzidas. Uma nova dinâmica nascia.
Passei os anos seguintes na presidência da Assembleia Geral, onde pacificamente assisti ao bom trabalho da direcção seguinte, liderada por Nuno Fernandes, tendo sempre presente o meu lema de servir o clube.
Desde 2003 participo em Assembleias Gerais, apenas na qualidade de sócio, no meio de directores e seccionistas. Acompanho pelos jornais as participações das várias secções e feitos dos seus atletas e treinadores, sem exigir nem projectar resultados, como sempre o fiz desde 1990.
Este último sábado, fruto de vários acontecimentos, apareci na sede para apoiar a equipa principal de xadrez, tão necessitada de resultados positivos no Campeonato Nacional da 2ª Divisão.
Ao ver afixado o cartaz da Gala desta sexta-feira, recordei este episódio da minha vida com alguma emoção.
(a publicar no dia 03/05/07)
terça-feira, abril 24, 2007
Jornalista!?
A interiorização de conceitos na fase de aprendizagem, em idades pré-escolares, confrontada com as informações obtidas em casa, leva por vezes à confusão dos miúdos.
Na pré-escola a professora ensinou aos pequenos “aquele que escreve nos jornais é um jornalista”, entre outras profissões de carácter lógico, com ligação do sujeito ao objecto.
Conhecendo a faceta do pai, enquanto colaborador nas páginas deste jornal, o meu filho ficou confuso. Duvidou dos ensinamentos caseiros. O meu pai é jornalista – pensou. À noite, em casa, esperou a minha chegada e mal me viu, disparou:
- Pai, tu és jornalista!
Atónito, perguntei-lhe quem lhe tinha dito tal coisa, pensando ser a confusão motivada pela informação de algum colega, cujos progenitores pudessem ser leitores ou assinantes das páginas deste jornal.
- A Fernanda (educadora)!
Ainda lhe perguntei se por acaso era leitora do jornal.
- Não, apenas me ensinou as profissões e como tu escreves no jornal, és jornalista!
Pois!
A face visível da minha vida provoca destas confusões. Lá expliquei ao Manel que num jornal não escreviam apenas e só jornalistas. Existem outras pessoas que escrevem sobre vários assuntos, sendo designados como cronistas, analistas, comentadores (deixei de fora articulistas e colunistas, para não o confundir ainda mais), não sendo propriamente jornalistas.
Não sei se ficou muito satisfeito com a explicação, se calhar, tinha gostado mais que eu lhe tivesse dito que sim.
Optei por não tentar a forma oficial, colaborador, sobretudo pela dificuldade em associar o termo com o objecto, em substituição da correcta associação, a acção.
Terminei a relembrar-lhe a profissão do pai e as várias vezes em que lhe mostrei, em determinadas lojas, o produto comercializado e produzido na empresa em que o pai exerce o seu real ofício.
Se o meu filho na inocência dos seus seis anos tem dúvidas, embora a conversa as tenha parcialmente dissipado, imaginem o que se passará na cabeça da irmã de apenas quatro anos? Para ela, sou essencialmente “arranjador”, definido por aquele que arranja - em geral, brinquedos. É claro que as minhas qualificações vão-se alterando com a tarefa a executar e a ocupação conhece outros nomes, seguindo a lógica da ligação do sujeito ao verbo. Por vezes, fico com o rótulo de cozinheiro, quando me dedico a aquecer no microondas, algum prato pré confeccionado. Pouco mais sei, reconheço.
Sendo o bricolage doméstico uma função com um grau de ocupação elevado, tarefeiro seria o título supremo que poderia obter em casa. Curiosamente, rima com o grau académico da minha licenciatura e como defendeu o nosso primeiro, é socialmente assim aceite e utilizado.
Títulos à parte, voltando às dúvidas do meu filho, segundo o Tomo IV do Dicionário Hoauiss da Língua Portuguesa, jornalista é aquele “que trabalha como redactor, repórter, colunista ou director em órgão de imprensa ou programa jornalístico na rádio ou na televisão”. Portanto, para que não fiquem dúvidas, não sou.
Caso pensasse que o meu contributo ocasional pudesse ser considerado jornalismo, estava enganado. A palavra anterior a jornalista no mesmo dicionário é precisamente jornalismo e está definido “por actividade profissional que visa colectar, investigar, analisar e transmitir periodicamente ao grande público, ou a segmentos dele, informações da actualidade, utilizando veículos de comunicação(...)”. Como podem ver tenho dificuldades em integrar-me nesta definição, logo na terceira palavra.
Resta-me continuar a escrever como amador, sem carreira, nem carteira profissional. De nada me servirá colectar, investigar, analisar e transmitir dados, porque serei sempre colaborador no jornal.
Já agora, segundo o referido dicionário, no Tomo II, colaborador é “aquele que escreve artigos para uma publicação periódica sem pertencer ao corpo permanente dos seus redactores”. Colaborar é, no mesmo contexto, definido como “escrever artigos”.
Simples, não é?
Fico perplexo quando os leitores vêem outras intenções na minha escrita.
(a publicar no dia 26/04/07)
Na pré-escola a professora ensinou aos pequenos “aquele que escreve nos jornais é um jornalista”, entre outras profissões de carácter lógico, com ligação do sujeito ao objecto.
Conhecendo a faceta do pai, enquanto colaborador nas páginas deste jornal, o meu filho ficou confuso. Duvidou dos ensinamentos caseiros. O meu pai é jornalista – pensou. À noite, em casa, esperou a minha chegada e mal me viu, disparou:
- Pai, tu és jornalista!
Atónito, perguntei-lhe quem lhe tinha dito tal coisa, pensando ser a confusão motivada pela informação de algum colega, cujos progenitores pudessem ser leitores ou assinantes das páginas deste jornal.
- A Fernanda (educadora)!
Ainda lhe perguntei se por acaso era leitora do jornal.
- Não, apenas me ensinou as profissões e como tu escreves no jornal, és jornalista!
Pois!
A face visível da minha vida provoca destas confusões. Lá expliquei ao Manel que num jornal não escreviam apenas e só jornalistas. Existem outras pessoas que escrevem sobre vários assuntos, sendo designados como cronistas, analistas, comentadores (deixei de fora articulistas e colunistas, para não o confundir ainda mais), não sendo propriamente jornalistas.
Não sei se ficou muito satisfeito com a explicação, se calhar, tinha gostado mais que eu lhe tivesse dito que sim.
Optei por não tentar a forma oficial, colaborador, sobretudo pela dificuldade em associar o termo com o objecto, em substituição da correcta associação, a acção.
Terminei a relembrar-lhe a profissão do pai e as várias vezes em que lhe mostrei, em determinadas lojas, o produto comercializado e produzido na empresa em que o pai exerce o seu real ofício.
Se o meu filho na inocência dos seus seis anos tem dúvidas, embora a conversa as tenha parcialmente dissipado, imaginem o que se passará na cabeça da irmã de apenas quatro anos? Para ela, sou essencialmente “arranjador”, definido por aquele que arranja - em geral, brinquedos. É claro que as minhas qualificações vão-se alterando com a tarefa a executar e a ocupação conhece outros nomes, seguindo a lógica da ligação do sujeito ao verbo. Por vezes, fico com o rótulo de cozinheiro, quando me dedico a aquecer no microondas, algum prato pré confeccionado. Pouco mais sei, reconheço.
Sendo o bricolage doméstico uma função com um grau de ocupação elevado, tarefeiro seria o título supremo que poderia obter em casa. Curiosamente, rima com o grau académico da minha licenciatura e como defendeu o nosso primeiro, é socialmente assim aceite e utilizado.
Títulos à parte, voltando às dúvidas do meu filho, segundo o Tomo IV do Dicionário Hoauiss da Língua Portuguesa, jornalista é aquele “que trabalha como redactor, repórter, colunista ou director em órgão de imprensa ou programa jornalístico na rádio ou na televisão”. Portanto, para que não fiquem dúvidas, não sou.
Caso pensasse que o meu contributo ocasional pudesse ser considerado jornalismo, estava enganado. A palavra anterior a jornalista no mesmo dicionário é precisamente jornalismo e está definido “por actividade profissional que visa colectar, investigar, analisar e transmitir periodicamente ao grande público, ou a segmentos dele, informações da actualidade, utilizando veículos de comunicação(...)”. Como podem ver tenho dificuldades em integrar-me nesta definição, logo na terceira palavra.
Resta-me continuar a escrever como amador, sem carreira, nem carteira profissional. De nada me servirá colectar, investigar, analisar e transmitir dados, porque serei sempre colaborador no jornal.
Já agora, segundo o referido dicionário, no Tomo II, colaborador é “aquele que escreve artigos para uma publicação periódica sem pertencer ao corpo permanente dos seus redactores”. Colaborar é, no mesmo contexto, definido como “escrever artigos”.
Simples, não é?
Fico perplexo quando os leitores vêem outras intenções na minha escrita.
(a publicar no dia 26/04/07)
quarta-feira, abril 18, 2007
ALLGARVE
Desiluda-se quem pense encontrar neste texto alguma abordagem à recente campanha turística preparada pelo Ministro da Economia, para promoção da região do Turismo do Algarve.
Tão pouco alguma alusão ao conceito turístico desta cidade.
Daquela região surge um bom exemplo de divulgação das principais actividades culturais, um cartaz: anunciando os eventos, os concelhos, as datas associadas e o local de realização. É usual aparecer nos jornais nacionais, diários ou semanários, em jeito de publicidade e obviamente são espalhados vários painéis por toda a região.
Esta forma de promoção cultural colectiva dos vários municípios da região Algarvia é a forma adequada de como deve ser feita a programação cultural. Em actividades calendarizadas em concelhos próximos, deve existir a preocupação de não sobrepor actividades no mesmo dia, por vezes fim de semana e nalguns casos, semanas.
Trata-se apenas e só de programação integrada entre vários concelhos, uma vertente que infelizmente a sub-região Entre Douro e Vouga nunca abordou. É corrente nesta região surgirem coincidências fantásticas, com justaposição de datas de eventos, festivais, concertos, entre outros, que infelizmente só prejudica o promotor, o espectáculo ou a actividade, além do público e dos artistas, obviamente.
A concepção cultural merecia nova atenção à programação do auditório dos Paços da Cultura. Na semana em que se realiza uma louvável iniciativa – Festival de Teatro - nunca é demais lembrar que a inércia na programação deste espaço, continua a ser a legenda da política cultural da cidade. Dois anos depois da sua abertura, os hábitos culturais da cidade não se alteraram substancialmente. A propagada “grande actividade” continua com um ritmo lento. Depois de um prometedor arranque, o número de espectadores por mês, bem como o número de espectáculos promovidos em igual período não são muito encantadores. Sobretudo, servindo-nos desses números para justificar o grande investimento que será a recuperação do antigo Cinema Imperador transformando-o em Casa das Artes do Espectáculo (CAE).
Procurando por outra via essa justificação, tendo como base uma série de antigas salas de cinema, ou de teatro restauradas nos últimos anos em vários pontos do país, mais uma série de equipamentos construídos de raiz para o efeito, os dados da capacidade dessas Salas de Espectáculos e o número de habitantes desses concelhos (segundo a Wikipédia) são os seguintes:
Guarda : 44.084 habitantes - Teatro Municipal 626 lugares;
Vila Real: 49.957 habitantes – Teatro de Vila Real 500 lugares;
Faro: 57.151 habitantes - Teatro Municipal 794 lugares;
Figueira Foz: 62.601 habitantes – Centro de Artes 800 lugares;
Aveiro: 73.335 habitantes – Teatro Aveirense 632 lugares;
Viseu: 96.810 habitantes – Teatro Viriato 300 lugares;
Famalicão: 127.567 habitantes – Casa das Artes 500 lugares;
Coimbra: 168.105 habitantes - Teatro Gil Vicente 773 lugares;
Braga: 170.000 habitantes – Theatro Circo 1500 lugares;
Guimarães: 188.178 habitantes – Centro Cultural Vila Flor 794 lugares;
Se fizéssemos uma relação (regra de três simples) com todas as cidades, teríamos a necessidade da capacidade ideal do CAE entre 65 a 300 lugares, sendo os extremos as cidades de Viseu e Guarda, respectivamente. Este dado é curioso porque são cidades em que o equipamento similar mais próximo dista mais de 70 quilómetros. Se considerarmos a relação entre as médias (do número de habitantes de cada concelho e de lugares por Teatro) chegávamos ao seguinte valor, 147 lugares, o que seria o ideal para o CAE.
O auditório dos Paços da Cultura tem uma capacidade de 200 lugares. Pelas minhas contas, sem nenhum rigor científico, seria suficiente para o número de habitantes de S. João da Madeira (21.102 segundo o Censos 2001).
Não apresentarei qualquer conclusão, lembro apenas a existência do auditório do Europarque, em Santa Maria da Feira, com capacidade de 1.500 lugares e claro está, a distância de S. João da Madeira a este equipamento e às cidades de Aveiro e Porto.
Pode-se contrariar tudo isto, argumentando com as capacidades únicas do CAE e a possibilidade de com este investimento aumentar significativamente o número de espectadores por evento, atraindo novos públicos. Sobre isto, remeto os interessados ao artigo publicado no Jornal Público de 11 de Novembro de 2006, intitulado “Descentralização da Cultura” da autoria de Joana Gorjão Henriques, no qual outros dados são indicados e que servirão para cada qual tirar as suas conclusões.
Para terminar, relembro que o Theatro Circo de Braga, demorou 17 anos a ser restaurado. Sensato.
(a publicar no dia 19/04/07)
Tão pouco alguma alusão ao conceito turístico desta cidade.
Daquela região surge um bom exemplo de divulgação das principais actividades culturais, um cartaz: anunciando os eventos, os concelhos, as datas associadas e o local de realização. É usual aparecer nos jornais nacionais, diários ou semanários, em jeito de publicidade e obviamente são espalhados vários painéis por toda a região.
Esta forma de promoção cultural colectiva dos vários municípios da região Algarvia é a forma adequada de como deve ser feita a programação cultural. Em actividades calendarizadas em concelhos próximos, deve existir a preocupação de não sobrepor actividades no mesmo dia, por vezes fim de semana e nalguns casos, semanas.
Trata-se apenas e só de programação integrada entre vários concelhos, uma vertente que infelizmente a sub-região Entre Douro e Vouga nunca abordou. É corrente nesta região surgirem coincidências fantásticas, com justaposição de datas de eventos, festivais, concertos, entre outros, que infelizmente só prejudica o promotor, o espectáculo ou a actividade, além do público e dos artistas, obviamente.
A concepção cultural merecia nova atenção à programação do auditório dos Paços da Cultura. Na semana em que se realiza uma louvável iniciativa – Festival de Teatro - nunca é demais lembrar que a inércia na programação deste espaço, continua a ser a legenda da política cultural da cidade. Dois anos depois da sua abertura, os hábitos culturais da cidade não se alteraram substancialmente. A propagada “grande actividade” continua com um ritmo lento. Depois de um prometedor arranque, o número de espectadores por mês, bem como o número de espectáculos promovidos em igual período não são muito encantadores. Sobretudo, servindo-nos desses números para justificar o grande investimento que será a recuperação do antigo Cinema Imperador transformando-o em Casa das Artes do Espectáculo (CAE).
Procurando por outra via essa justificação, tendo como base uma série de antigas salas de cinema, ou de teatro restauradas nos últimos anos em vários pontos do país, mais uma série de equipamentos construídos de raiz para o efeito, os dados da capacidade dessas Salas de Espectáculos e o número de habitantes desses concelhos (segundo a Wikipédia) são os seguintes:
Guarda : 44.084 habitantes - Teatro Municipal 626 lugares;
Vila Real: 49.957 habitantes – Teatro de Vila Real 500 lugares;
Faro: 57.151 habitantes - Teatro Municipal 794 lugares;
Figueira Foz: 62.601 habitantes – Centro de Artes 800 lugares;
Aveiro: 73.335 habitantes – Teatro Aveirense 632 lugares;
Viseu: 96.810 habitantes – Teatro Viriato 300 lugares;
Famalicão: 127.567 habitantes – Casa das Artes 500 lugares;
Coimbra: 168.105 habitantes - Teatro Gil Vicente 773 lugares;
Braga: 170.000 habitantes – Theatro Circo 1500 lugares;
Guimarães: 188.178 habitantes – Centro Cultural Vila Flor 794 lugares;
Se fizéssemos uma relação (regra de três simples) com todas as cidades, teríamos a necessidade da capacidade ideal do CAE entre 65 a 300 lugares, sendo os extremos as cidades de Viseu e Guarda, respectivamente. Este dado é curioso porque são cidades em que o equipamento similar mais próximo dista mais de 70 quilómetros. Se considerarmos a relação entre as médias (do número de habitantes de cada concelho e de lugares por Teatro) chegávamos ao seguinte valor, 147 lugares, o que seria o ideal para o CAE.
O auditório dos Paços da Cultura tem uma capacidade de 200 lugares. Pelas minhas contas, sem nenhum rigor científico, seria suficiente para o número de habitantes de S. João da Madeira (21.102 segundo o Censos 2001).
Não apresentarei qualquer conclusão, lembro apenas a existência do auditório do Europarque, em Santa Maria da Feira, com capacidade de 1.500 lugares e claro está, a distância de S. João da Madeira a este equipamento e às cidades de Aveiro e Porto.
Pode-se contrariar tudo isto, argumentando com as capacidades únicas do CAE e a possibilidade de com este investimento aumentar significativamente o número de espectadores por evento, atraindo novos públicos. Sobre isto, remeto os interessados ao artigo publicado no Jornal Público de 11 de Novembro de 2006, intitulado “Descentralização da Cultura” da autoria de Joana Gorjão Henriques, no qual outros dados são indicados e que servirão para cada qual tirar as suas conclusões.
Para terminar, relembro que o Theatro Circo de Braga, demorou 17 anos a ser restaurado. Sensato.
(a publicar no dia 19/04/07)
quarta-feira, abril 04, 2007
Perguntar não ofende
A publicação de qualquer estudo de reestruturação do Estado, encomendado pelo actual Governo, deve ser um sufoco para os autarcas do país. A incerteza no fornecimento de serviços mínimos de Estado à população do seu concelho, deixou-os “à beira de um ataque de nervos”. Um pouco por todo o lado, assiste-se à reestruturação proposta pelo Ministério da Saúde e surgem as primeiras propostas dos Ministérios da Justiça e da Administração Interna.
O conceito de Estado altera-se.
As autarquias contrapõem com estudos próprios, ou inclusivé com manifestações. Todos os políticos, enquanto presidentes de Câmaras Municipais são defensores da reorganização do Estado, desde que não afectem o seu concelho.
O próprio financiamento das autarquias tem sofrido bastantes restrições, deixando os autarcas entre duas situações: ou reduzem o investimento municipal, ou reduzem na despesa corrente. Normalmente a segunda opção é a escolha. A forma de o fazer é que não parece criteriosa.
Em S. João da Madeira, a Câmara Municipal optou por reduzir o financiamento às aulas de Inglês promovidas, há muitos bons anos, pelo Instituto de Línguas. Ao financiar apenas aulas para carenciados e desempregados, a decisão do Executivo Camarário embora válida é pouco sustentada, em primeiro lugar por penalizar a restante população, que passará a ter aulas mais caras do que actualmente e ao basear-se na concorrência a efectuar a promotores privados. Além do contra-senso, a Câmara Municipal cria um precedente, que poderá no futuro voltar-se contra si própria.
Várias questões podem ser levantadas acerca do financiamento municipal que colide com alguns negócios privados:
1) A nível de ensino, os proprietários de escolas privadas terão legitimidade de questionar porque é que as Escolas Públicas são financiadas pela Autarquia?
2) Os promotores imobiliários não sentirão a concorrência da empresa Municipal de Habitação?
3) Os ginásios podem questionar a existência de uma Escola de Natação Municipal, que lhes retira alunos?
4) Os agentes de saúde privada podem insurgir-se contra os esforços da Autarquia para assegurar a continuidade de serviços de saúde pública à população?
5) Uma empresa a instalar-se na cidade, promovendo aulas de futebol para crianças, pode insurgir-se contra o subsídio atribuído aos clubes da cidade?
6) Um proprietário de uma Lan-house pode reclamar pela gratuitidade no acesso à web, no espaço Internet?
Com um pouco de bom senso a prevalecer, assertivamente respondia NÃO a todas estas questões. Não, porque o que se espera da Autarquia é a defesa dos interesses da população, mesmo que isso signifique a concorrência directa ou indirecta a negócios privados. Até porque estes ao instalarem-se na cidade sabem quais são as áreas de actuação da Autarquia, os financiamentos atribuídos e devem equacionar isso na ponderação da rentabilidade do negócio a criar. Ou pelo menos, deveriam...
Não acredito, sinceramente, que só ao fim destes anos de co-existência do Instituto de Línguas com os seus concorrentes, estes tenham-no finalmente “descoberto”.
Esta decisão do Executivo Municipal, inclusivamente, é contrária à tendência nacional e europeia de promover a formação e a qualificação pessoal ao longo da vida activa. Sabendo-se que o Inglês é um dos pilares da sociedade moderna e tecnológica, não facilitar o seu ensino a toda a população é impedir-lhes o futuro.
Estas contradições na actuação da Câmara Municipal são surpreendentes.
Aproveito a oportunidade para desejar uma Boa Páscoa a todos os leitores.
(a publicar no dia 05/04/07)
O conceito de Estado altera-se.
As autarquias contrapõem com estudos próprios, ou inclusivé com manifestações. Todos os políticos, enquanto presidentes de Câmaras Municipais são defensores da reorganização do Estado, desde que não afectem o seu concelho.
O próprio financiamento das autarquias tem sofrido bastantes restrições, deixando os autarcas entre duas situações: ou reduzem o investimento municipal, ou reduzem na despesa corrente. Normalmente a segunda opção é a escolha. A forma de o fazer é que não parece criteriosa.
Em S. João da Madeira, a Câmara Municipal optou por reduzir o financiamento às aulas de Inglês promovidas, há muitos bons anos, pelo Instituto de Línguas. Ao financiar apenas aulas para carenciados e desempregados, a decisão do Executivo Camarário embora válida é pouco sustentada, em primeiro lugar por penalizar a restante população, que passará a ter aulas mais caras do que actualmente e ao basear-se na concorrência a efectuar a promotores privados. Além do contra-senso, a Câmara Municipal cria um precedente, que poderá no futuro voltar-se contra si própria.
Várias questões podem ser levantadas acerca do financiamento municipal que colide com alguns negócios privados:
1) A nível de ensino, os proprietários de escolas privadas terão legitimidade de questionar porque é que as Escolas Públicas são financiadas pela Autarquia?
2) Os promotores imobiliários não sentirão a concorrência da empresa Municipal de Habitação?
3) Os ginásios podem questionar a existência de uma Escola de Natação Municipal, que lhes retira alunos?
4) Os agentes de saúde privada podem insurgir-se contra os esforços da Autarquia para assegurar a continuidade de serviços de saúde pública à população?
5) Uma empresa a instalar-se na cidade, promovendo aulas de futebol para crianças, pode insurgir-se contra o subsídio atribuído aos clubes da cidade?
6) Um proprietário de uma Lan-house pode reclamar pela gratuitidade no acesso à web, no espaço Internet?
Com um pouco de bom senso a prevalecer, assertivamente respondia NÃO a todas estas questões. Não, porque o que se espera da Autarquia é a defesa dos interesses da população, mesmo que isso signifique a concorrência directa ou indirecta a negócios privados. Até porque estes ao instalarem-se na cidade sabem quais são as áreas de actuação da Autarquia, os financiamentos atribuídos e devem equacionar isso na ponderação da rentabilidade do negócio a criar. Ou pelo menos, deveriam...
Não acredito, sinceramente, que só ao fim destes anos de co-existência do Instituto de Línguas com os seus concorrentes, estes tenham-no finalmente “descoberto”.
Esta decisão do Executivo Municipal, inclusivamente, é contrária à tendência nacional e europeia de promover a formação e a qualificação pessoal ao longo da vida activa. Sabendo-se que o Inglês é um dos pilares da sociedade moderna e tecnológica, não facilitar o seu ensino a toda a população é impedir-lhes o futuro.
Estas contradições na actuação da Câmara Municipal são surpreendentes.
Aproveito a oportunidade para desejar uma Boa Páscoa a todos os leitores.
(a publicar no dia 05/04/07)
terça-feira, março 06, 2007
Ontem não te vi no 8ª Avenida
Conforme tem sido noticiado na imprensa local e não só, no próximo Outono está programada a abertura do centro comercial 8ª Avenida. Pelos valores de investimento anunciados, verifica-se que S. João da Madeira se prepara para um novo momento da sua economia, apostando claramente no sector terciário, em detrimento das indústrias de transformação que a caracterizaram ao longo das últimas décadas.
A opção, pelo que pude ler recentemente, será acompanhada por outros investimentos em superfícies comerciais, o que permitirá aumentar a oferta de emprego, modificando a sua caracterização, obrigando a uma maior formação e consequente qualificação da população activa.
O conceito urbano será novamente questionado. Apesar das principais indústrias estarem remetidas a zonas apropriadas, as áreas comerciais tendem a alargar-se pelo território concelhio, salvaguardando-se a Reserva Agrícola que S. João da Madeira ainda consegue manter, de forma absurda, desde a definição do PDM em vigor.
O número de empregos a criar é o principal argumento a favor, para a construção destes “shoppings”. A oferta de outro tipo de comércio e de zonas de lazer, complementam o rol de benefícios.
O outro lado do 8ª avenida será a concorrência ao comércio tradicional. Em primeiro lugar precisamente pelo estacionamento – durante anos os comerciantes exigiram parques subterrâneos e agora que estão construídos, a abertura do shopping com centenas de lugares gratuitos à disposição, retirará os carros de novo do centro; em segundo lugar pela essência do centro comercial em si mesmo - climatizado tanto no Inverno como no verão. Com tudo isto e para agravar, assiste-se à abertura, em Ovar, do novo centro comercial e em Santa Maria da Feira anuncia-se outro, para abrir em 2009.
A própria zona pedonal da cidade não terá muitos argumentos para atrair a população. As cinco salas de cinema anunciadas, mais a inevitável praça de alimentação serão apostas suficientes para atrair pessoas ao 8ª Avenida. Mesmo outras áreas de lazer da cidade em fase de ampliação ou remodelação, terão dificuldade em ser atractivas e ficarão desertas em alguns momentos do ano.
A tudo isto se assistiu noutras cidades do nosso País.
Para contrariar esta tendência, as associações de comerciantes devem programar atempadamente, iniciativas para fidelizar a população ao comércio tradicional. Não apenas no Natal mas sim, permanentes.
O apoio da Autarquia é indispensável.
A partir do próximo Outono, obviamente, a oferta proposta alterará os interesses da população local e de terras vizinhas, modificando por isso, os hábitos diários de cada um.
A sociabilização local passará pelo espaço a inaugurar.
A expressão do título do presente artigo passará a ser usual na comunidade local.
O momento do desencontro associado a um ponto de referencia. Normalmente, como local de encontro de um grupo, de interesses vários, de uma rotina do quotidiano, nos momentos de lazer.
Não te vi no cinema, no pavilhão, no futebol, na praça, num determinado café, ou num bar, na avenida, na igreja, nas piscinas, no jardim, no parque, ou em outros locais foram expressões que acompanharam a cidade ao longo de épocas. Indicadores de um forte espírito comunitário.
Mais do que adornar o léxico local, o novo centro comercial desenvolverá um diferente conceito comercial na cidade, redefinindo a sua centralidade. A aridez que provocará à sua volta não está bem definida. Mas, nada ficará igual. A menos que a população residente aumente consideravelmente, o que só poderá ser conseguido alterando-se a “política de ocupação dos solos”, construindo-se habitações destinadas para jovens, atraindo e fixando desta forma esta faixa da população na cidade.
Isso é assunto para outra oportunidade.
Nota: É incompreensível que a construção destes centro comerciais, da responsabilidade de empresas enquadradas em sistemas de higiene e segurança, mesmo até em sistemas de gestão ambiental continuem a incomodar os vizinhos imediatos, retirando-lhes qualidade de vida, durante todo o processo de execução da obra. Tudo ficará bem quando a obra estiver concluída, no entanto, poderia ser evitado este transtorno a terceiros, não aceitável nos dias de hoje.
(a publicar no dia 08/03/07)
A opção, pelo que pude ler recentemente, será acompanhada por outros investimentos em superfícies comerciais, o que permitirá aumentar a oferta de emprego, modificando a sua caracterização, obrigando a uma maior formação e consequente qualificação da população activa.
O conceito urbano será novamente questionado. Apesar das principais indústrias estarem remetidas a zonas apropriadas, as áreas comerciais tendem a alargar-se pelo território concelhio, salvaguardando-se a Reserva Agrícola que S. João da Madeira ainda consegue manter, de forma absurda, desde a definição do PDM em vigor.
O número de empregos a criar é o principal argumento a favor, para a construção destes “shoppings”. A oferta de outro tipo de comércio e de zonas de lazer, complementam o rol de benefícios.
O outro lado do 8ª avenida será a concorrência ao comércio tradicional. Em primeiro lugar precisamente pelo estacionamento – durante anos os comerciantes exigiram parques subterrâneos e agora que estão construídos, a abertura do shopping com centenas de lugares gratuitos à disposição, retirará os carros de novo do centro; em segundo lugar pela essência do centro comercial em si mesmo - climatizado tanto no Inverno como no verão. Com tudo isto e para agravar, assiste-se à abertura, em Ovar, do novo centro comercial e em Santa Maria da Feira anuncia-se outro, para abrir em 2009.
A própria zona pedonal da cidade não terá muitos argumentos para atrair a população. As cinco salas de cinema anunciadas, mais a inevitável praça de alimentação serão apostas suficientes para atrair pessoas ao 8ª Avenida. Mesmo outras áreas de lazer da cidade em fase de ampliação ou remodelação, terão dificuldade em ser atractivas e ficarão desertas em alguns momentos do ano.
A tudo isto se assistiu noutras cidades do nosso País.
Para contrariar esta tendência, as associações de comerciantes devem programar atempadamente, iniciativas para fidelizar a população ao comércio tradicional. Não apenas no Natal mas sim, permanentes.
O apoio da Autarquia é indispensável.
A partir do próximo Outono, obviamente, a oferta proposta alterará os interesses da população local e de terras vizinhas, modificando por isso, os hábitos diários de cada um.
A sociabilização local passará pelo espaço a inaugurar.
A expressão do título do presente artigo passará a ser usual na comunidade local.
O momento do desencontro associado a um ponto de referencia. Normalmente, como local de encontro de um grupo, de interesses vários, de uma rotina do quotidiano, nos momentos de lazer.
Não te vi no cinema, no pavilhão, no futebol, na praça, num determinado café, ou num bar, na avenida, na igreja, nas piscinas, no jardim, no parque, ou em outros locais foram expressões que acompanharam a cidade ao longo de épocas. Indicadores de um forte espírito comunitário.
Mais do que adornar o léxico local, o novo centro comercial desenvolverá um diferente conceito comercial na cidade, redefinindo a sua centralidade. A aridez que provocará à sua volta não está bem definida. Mas, nada ficará igual. A menos que a população residente aumente consideravelmente, o que só poderá ser conseguido alterando-se a “política de ocupação dos solos”, construindo-se habitações destinadas para jovens, atraindo e fixando desta forma esta faixa da população na cidade.
Isso é assunto para outra oportunidade.
Nota: É incompreensível que a construção destes centro comerciais, da responsabilidade de empresas enquadradas em sistemas de higiene e segurança, mesmo até em sistemas de gestão ambiental continuem a incomodar os vizinhos imediatos, retirando-lhes qualidade de vida, durante todo o processo de execução da obra. Tudo ficará bem quando a obra estiver concluída, no entanto, poderia ser evitado este transtorno a terceiros, não aceitável nos dias de hoje.
(a publicar no dia 08/03/07)
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Escrita Regular
Aprecio cronistas de periodicidade regular. Normalmente ocupam páginas de uma ou mais publicações, escrevendo semanalmente. Alguns mais raros, escrevem diariamente. Como é difícil a leitura de todos os escritos, mesmo para o mais atento leitor, a compilação em livros é uma forma simpática de, com um ritmo mais apropriado a cada um, podermos dedicar o nosso tempo ao autor, enquanto cronista.
Nos últimos dias, dediquei-me a ler a compilação de textos publicados por Miguel Esteves Cardoso, “A minha Andorinha”, editado em 2006.
Para mim tudo começou com ele: a leitura dos textos de Escrítica Pop, de 1982; os textos semanais no Expresso; a aventura do Independente; a Kapa... depois perdi-o, na Má Língua. Eu sei que já “ninguém” o lê. Ou melhor, passam os olhos pela sua coluna no semanário Expresso, vêem a sua figura obesa e seguem para outra página. Como desapareceu das luzes da ribalta, sem aparecer na televisão, ficou esquecido. No entanto, ainda mexe.
A particularidade da sua prosa é a apreciação do cidadão nacional. Analisa grupos, comportamentos. Fala do ócio, da preguiça, dos prazeres da vida, sem malícia, com o respeito pelos outros.
Esta forma interessante de escrever mantêm-no activo – actualmente, em duas publicações nacionais - há vinte e muitos anos.
A publicação dos seus textos é uma garantia para o director do jornal. A publicação nos jornais é a sua garantia.
Um jornal vive da capacidade de trabalho da sua redacção mas também, dos textos dos seus colaboradores, ao abrigo de artigos de opinião ou de crónicas.
Os jornais locais têm uma outra singularidade, são meios de divulgação das actividades das várias colectividades locais. Páginas e páginas de informação desportiva são frequentes em qualquer edição do Jornal Labor. Uma relação simbiótica e profícua entre ambas as partes. Várias são as associações e diferentes secções que se divulgam, com esforço dos seus responsáveis, ou por quem assina os textos.
É importante não esquecer que o associativismo ainda é uma prestação de serviço à comunidade, à qual os seus dirigentes se dedicam sem fins lucrativos. Estão obviamente sujeitos a críticas, primeiro em sede própria, nas Assembleias Gerais, por exemplo. Como a sua actividade não se restringe à sede social, ou demais instalações desportivas, as críticas podem extravasar e surgirem artigos de opinião nos jornais locais.
Cabe aqui ao Director do Jornal, para defesa da sua publicação, dar oportunidade de defesa ao clube visado, moderando as críticas, caso estas se tornem insultuosas ou com juízo de valor, alertando para o conteúdo do texto, conseguindo assim que os seus leitores, assinantes e até anunciantes não sejam melindrados por problemas, que por vezes, não devem sair da sede dos clubes.
A elevação dos textos escritos para um jornal, incute-lhe uma qualidade superior e permite-lhe diferenciar-se dos restantes.
Uma nota final, fico contente por ter motivado o regresso do Sr. Albino Costa à escrita.
(publicado a 15/02/07)
Nos últimos dias, dediquei-me a ler a compilação de textos publicados por Miguel Esteves Cardoso, “A minha Andorinha”, editado em 2006.
Para mim tudo começou com ele: a leitura dos textos de Escrítica Pop, de 1982; os textos semanais no Expresso; a aventura do Independente; a Kapa... depois perdi-o, na Má Língua. Eu sei que já “ninguém” o lê. Ou melhor, passam os olhos pela sua coluna no semanário Expresso, vêem a sua figura obesa e seguem para outra página. Como desapareceu das luzes da ribalta, sem aparecer na televisão, ficou esquecido. No entanto, ainda mexe.
A particularidade da sua prosa é a apreciação do cidadão nacional. Analisa grupos, comportamentos. Fala do ócio, da preguiça, dos prazeres da vida, sem malícia, com o respeito pelos outros.
Esta forma interessante de escrever mantêm-no activo – actualmente, em duas publicações nacionais - há vinte e muitos anos.
A publicação dos seus textos é uma garantia para o director do jornal. A publicação nos jornais é a sua garantia.
Um jornal vive da capacidade de trabalho da sua redacção mas também, dos textos dos seus colaboradores, ao abrigo de artigos de opinião ou de crónicas.
Os jornais locais têm uma outra singularidade, são meios de divulgação das actividades das várias colectividades locais. Páginas e páginas de informação desportiva são frequentes em qualquer edição do Jornal Labor. Uma relação simbiótica e profícua entre ambas as partes. Várias são as associações e diferentes secções que se divulgam, com esforço dos seus responsáveis, ou por quem assina os textos.
É importante não esquecer que o associativismo ainda é uma prestação de serviço à comunidade, à qual os seus dirigentes se dedicam sem fins lucrativos. Estão obviamente sujeitos a críticas, primeiro em sede própria, nas Assembleias Gerais, por exemplo. Como a sua actividade não se restringe à sede social, ou demais instalações desportivas, as críticas podem extravasar e surgirem artigos de opinião nos jornais locais.
Cabe aqui ao Director do Jornal, para defesa da sua publicação, dar oportunidade de defesa ao clube visado, moderando as críticas, caso estas se tornem insultuosas ou com juízo de valor, alertando para o conteúdo do texto, conseguindo assim que os seus leitores, assinantes e até anunciantes não sejam melindrados por problemas, que por vezes, não devem sair da sede dos clubes.
A elevação dos textos escritos para um jornal, incute-lhe uma qualidade superior e permite-lhe diferenciar-se dos restantes.
Uma nota final, fico contente por ter motivado o regresso do Sr. Albino Costa à escrita.
(publicado a 15/02/07)
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Bairrismo e oposição
“A História não nos dá nenhum exemplo, nem um, de unanimidade ou mesmo de maioria absoluta onde essa maioria se tenha mostrado com a força de quem tem razão, segura, justa, generosa e com a vocação de quem está ao serviço dos outros.(...)”, cito Carlos Quevedo, num excerto de um dos seus textos publicados no livro “Já não me lembrava”.
A unanimidade foi o principal facto da política concelhia no ano de 2006, o primeiro do segundo mandato do executivo liderado pelo Dr. Castro Almeida.
O PSD aproveitou três assuntos nacionais para envolver a oposição e de seguida esvaziou-a na Assembleia Municipal: primeiro com a aprovação do documento contestatário à pretensa intenção do Secretário de Estado da Administração Interna em extinguir Juntas de Freguesia, em concelhos de uma freguesia única; no caso do possível financiamento à renovação da linha do Vouga, para introdução de um transporte tipo vai-vém; finalmente, no emotivo e (im)previsível fecho da Urgência do Hospital.
Para cada um destes assuntos, o argumento principal rondou sempre o “bairrismo”: “não se pode extinguir uma Junta de Freguesia como a de S. João da Madeira”; “um voto unânime é importante para negociar com o governo a possibilidade de requalificação da linha do Vouga, infra-estrutura que permitirá dotar a cidade com um moderno e único transporte”; e no Hospital, após meses (se calhar anos) em que o Director foi anunciando a importância de se preparar a defesa da Urgência, quando o Ministério da Saúde anunciou o estudo, a situação ficou colocada da seguinte forma, “quem não está contra o fecho das Urgências, está contra a cidade e os seus munícipes”.
Desta forma, o executivo camarário deu outra dimensão à sua nova maioria. Conseguiu criar a imagem de que até a oposição local “está do seu lado”.
Perante este ardil a oposição desapareceu. As recentes entrevistas dos líderes das concelhias locais, apesar das divergências apresentadas, demonstraram isso mesmo.
Dos actuais partidos de oposição com representação camarária, um manteve a convicção que os bons projectos em curso são os do executivo anterior e outro, por seu lado, manteve uma excelente retórica num discurso de oposição, com argumentos adequados, virados para o passado e não para o futuro.
Em todo o espectro político permanece a convicção que o futuro da política local passa forçosamente pelo actual Presidente. É evidente de que nada serve opinar sobre a sua eventual carreira política, a nível nacional, como eu próprio já o fiz, ou querer encaminhá-lo para a Feira, como vi escrito na imprensa local na semana anterior. Nos próximos dois anos e meio, o calendário político terá a agenda do Dr. Castro Almeida, que como político profissional e experiente, saberá qual o seu tempo de saída e certamente quer deixar o seu cunho na cidade, finalizando alguns seus projectos antigos, mais os que apresentou no seu programa eleitoral e pelos quais tem lutado. Aliás, apesar de alguns contratempos que vão sempre aparecendo ao longo da gestão política, a imagem dinâmica e sobretudo, renovadora com que o Presidente da Câmara se apresentou ao eleitorado em 2001, ainda resiste.
Obviamente, o PSD está refém da sua continuidade e os outros partidos anseiam a sua saída.
É por aqui que poderá começar a diferença entre os vários partidos.
Da oposição espera-se a apresentação de propostas alternativas e inovadoras. A sua capacidade de argumentação não deve apenas servir para criticar o facto consumado, ou em vias de o ser mas também, para marcar a agenda política da cidade.
A oposição deverá iniciar assertiva e tranquilamente o seu projecto político com um discurso de ruptura, com ideias próprias - novas de preferência, com um projecto integrado para a cidade e claro, com um conceito urbano esclarecido, onde sejam enquadrados os parceiros regionais envolventes, até por referência ao novo QREN que assim o exige.
Numa cidade em renovação, com fluxos permanentes de pessoas, tendo por ideia ser o centro da região onde está inserida, o argumento “bairrismo” não pode continuar a ser uma bandeira. Corre-se vários riscos como a dificuldade de integração de novos munícipes e o afastamento das populações vizinhas.
Termino com um forte conceito escondido por detrás da globalização, “uma pessoa é de onde se sente bem”.
(publicado em 01/02/07)
A unanimidade foi o principal facto da política concelhia no ano de 2006, o primeiro do segundo mandato do executivo liderado pelo Dr. Castro Almeida.
O PSD aproveitou três assuntos nacionais para envolver a oposição e de seguida esvaziou-a na Assembleia Municipal: primeiro com a aprovação do documento contestatário à pretensa intenção do Secretário de Estado da Administração Interna em extinguir Juntas de Freguesia, em concelhos de uma freguesia única; no caso do possível financiamento à renovação da linha do Vouga, para introdução de um transporte tipo vai-vém; finalmente, no emotivo e (im)previsível fecho da Urgência do Hospital.
Para cada um destes assuntos, o argumento principal rondou sempre o “bairrismo”: “não se pode extinguir uma Junta de Freguesia como a de S. João da Madeira”; “um voto unânime é importante para negociar com o governo a possibilidade de requalificação da linha do Vouga, infra-estrutura que permitirá dotar a cidade com um moderno e único transporte”; e no Hospital, após meses (se calhar anos) em que o Director foi anunciando a importância de se preparar a defesa da Urgência, quando o Ministério da Saúde anunciou o estudo, a situação ficou colocada da seguinte forma, “quem não está contra o fecho das Urgências, está contra a cidade e os seus munícipes”.
Desta forma, o executivo camarário deu outra dimensão à sua nova maioria. Conseguiu criar a imagem de que até a oposição local “está do seu lado”.
Perante este ardil a oposição desapareceu. As recentes entrevistas dos líderes das concelhias locais, apesar das divergências apresentadas, demonstraram isso mesmo.
Dos actuais partidos de oposição com representação camarária, um manteve a convicção que os bons projectos em curso são os do executivo anterior e outro, por seu lado, manteve uma excelente retórica num discurso de oposição, com argumentos adequados, virados para o passado e não para o futuro.
Em todo o espectro político permanece a convicção que o futuro da política local passa forçosamente pelo actual Presidente. É evidente de que nada serve opinar sobre a sua eventual carreira política, a nível nacional, como eu próprio já o fiz, ou querer encaminhá-lo para a Feira, como vi escrito na imprensa local na semana anterior. Nos próximos dois anos e meio, o calendário político terá a agenda do Dr. Castro Almeida, que como político profissional e experiente, saberá qual o seu tempo de saída e certamente quer deixar o seu cunho na cidade, finalizando alguns seus projectos antigos, mais os que apresentou no seu programa eleitoral e pelos quais tem lutado. Aliás, apesar de alguns contratempos que vão sempre aparecendo ao longo da gestão política, a imagem dinâmica e sobretudo, renovadora com que o Presidente da Câmara se apresentou ao eleitorado em 2001, ainda resiste.
Obviamente, o PSD está refém da sua continuidade e os outros partidos anseiam a sua saída.
É por aqui que poderá começar a diferença entre os vários partidos.
Da oposição espera-se a apresentação de propostas alternativas e inovadoras. A sua capacidade de argumentação não deve apenas servir para criticar o facto consumado, ou em vias de o ser mas também, para marcar a agenda política da cidade.
A oposição deverá iniciar assertiva e tranquilamente o seu projecto político com um discurso de ruptura, com ideias próprias - novas de preferência, com um projecto integrado para a cidade e claro, com um conceito urbano esclarecido, onde sejam enquadrados os parceiros regionais envolventes, até por referência ao novo QREN que assim o exige.
Numa cidade em renovação, com fluxos permanentes de pessoas, tendo por ideia ser o centro da região onde está inserida, o argumento “bairrismo” não pode continuar a ser uma bandeira. Corre-se vários riscos como a dificuldade de integração de novos munícipes e o afastamento das populações vizinhas.
Termino com um forte conceito escondido por detrás da globalização, “uma pessoa é de onde se sente bem”.
(publicado em 01/02/07)
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Quartzo
A conversa começou mais ou menos assim: Pai, hoje na escola um colega levou pedras de quartzo!
A atenção redobrou: Quartzo ?
- Sim, batíamos uma contra a outra e dava faísca.
- E de que cor eram? – perguntei para verificar se o nome tinha sido bem entendido.
- Brancas. Foi com o pai à Serra da Freita e trouxe hoje para o ATL. Também gostava de ter. Podemos ir à Serra da Freita? Nunca lá vamos!
Mais do que um desejo, para mim foi uma vontade: Claro, vamos lá no fim de semana, no Domingo.
- Sabes onde há?
- Sei, não te preocupes.
Claro que sabia. Veios de quartzo, escombreiras com quartzo, hexagonal ou em qualquer outro sistema que cristalizou a minha geologia, a Serra da Freita no que se refere a pedras ou a rochas tem poucos segredos.
A dúvida era saber que tipo de pedra tinha visto o Manel.
O carro foi até ao local de sempre. O local de vários acampamentos da AEJ, agora transformado em parque de merendas, com grelhas e tudo.
No acesso surgem as primeiras amostras: eram assim as do teu colega?
“Isso mesmo”, respondeu feliz ao reconhecer e recolheu uma, duas, três e mais pedrinhas brancas. Mal pode, começou logo a bater uma conta a outra.
Atravessámos o riacho na nova ponte e no relvado perguntou-me “Passam carros aqui?”. Como a resposta foi negativa, sentiu-se livre e explorou as pedras, a relva, o riacho que se forma no inverno, os restos de fogueiras e claro, recolheu mais pedras de quartzo. Um saco cheio de pedras brancas e mais uma em tons de cinzento, que o pai ao recolher disse: “Uma pedra parideira aqui!? Que engraçado!”
De nada valeu explicar ao Manel, que aquela pedra tinha sido transportada por conhecidos do pai e posteriormente abandonada, alguns anos antes. Numa época em que se palmilhava a Serra a pé, com o objectivo de visitar as “Pedras Parideiras” ou à procura de itinerários esquecidos para as abandonadas minas de Volfrâmio.
O silêncio da Serra é interrompido por turistas radicais, distantes nas suas BTT . A Freita tornou-se um local aprazível e procurado nestes Invernos moderados.
Uma visita rápida ao Miradouro da Mizarela, para ver os 60 metros da Frecha. Manel não tinha ideia desta imagem, desta paisagem, desta queda de água. Adorou, associando com qualquer aventura televisionada, perguntou logo se havia grutas por detrás da água. “Não, nada disso, apenas pequenos lagos que são refrescantes no Verão”, ou pelo menos assim eram, quando desci o carreiro pela última vez.
Por detrás de Albergaria, as hélices da energia eólica rodavam, numa paisagem transformada, que acompanha a família há três gerações.
Em casa da avó, oportunidade para ver um cristal de quartzo, este sim hexagonal. “Lá na Freita, um bocado mais longe, podemos encontrar deste género de quartzo.”
- Temos que lá ir também, ok?
Até esse regresso, no escuro da garagem, ouve-se o bater de pedras e a exclamação: Vi uma faísca!
(publicado a 25/01/07)
A atenção redobrou: Quartzo ?
- Sim, batíamos uma contra a outra e dava faísca.
- E de que cor eram? – perguntei para verificar se o nome tinha sido bem entendido.
- Brancas. Foi com o pai à Serra da Freita e trouxe hoje para o ATL. Também gostava de ter. Podemos ir à Serra da Freita? Nunca lá vamos!
Mais do que um desejo, para mim foi uma vontade: Claro, vamos lá no fim de semana, no Domingo.
- Sabes onde há?
- Sei, não te preocupes.
Claro que sabia. Veios de quartzo, escombreiras com quartzo, hexagonal ou em qualquer outro sistema que cristalizou a minha geologia, a Serra da Freita no que se refere a pedras ou a rochas tem poucos segredos.
A dúvida era saber que tipo de pedra tinha visto o Manel.
O carro foi até ao local de sempre. O local de vários acampamentos da AEJ, agora transformado em parque de merendas, com grelhas e tudo.
No acesso surgem as primeiras amostras: eram assim as do teu colega?
“Isso mesmo”, respondeu feliz ao reconhecer e recolheu uma, duas, três e mais pedrinhas brancas. Mal pode, começou logo a bater uma conta a outra.
Atravessámos o riacho na nova ponte e no relvado perguntou-me “Passam carros aqui?”. Como a resposta foi negativa, sentiu-se livre e explorou as pedras, a relva, o riacho que se forma no inverno, os restos de fogueiras e claro, recolheu mais pedras de quartzo. Um saco cheio de pedras brancas e mais uma em tons de cinzento, que o pai ao recolher disse: “Uma pedra parideira aqui!? Que engraçado!”
De nada valeu explicar ao Manel, que aquela pedra tinha sido transportada por conhecidos do pai e posteriormente abandonada, alguns anos antes. Numa época em que se palmilhava a Serra a pé, com o objectivo de visitar as “Pedras Parideiras” ou à procura de itinerários esquecidos para as abandonadas minas de Volfrâmio.
O silêncio da Serra é interrompido por turistas radicais, distantes nas suas BTT . A Freita tornou-se um local aprazível e procurado nestes Invernos moderados.
Uma visita rápida ao Miradouro da Mizarela, para ver os 60 metros da Frecha. Manel não tinha ideia desta imagem, desta paisagem, desta queda de água. Adorou, associando com qualquer aventura televisionada, perguntou logo se havia grutas por detrás da água. “Não, nada disso, apenas pequenos lagos que são refrescantes no Verão”, ou pelo menos assim eram, quando desci o carreiro pela última vez.
Por detrás de Albergaria, as hélices da energia eólica rodavam, numa paisagem transformada, que acompanha a família há três gerações.
Em casa da avó, oportunidade para ver um cristal de quartzo, este sim hexagonal. “Lá na Freita, um bocado mais longe, podemos encontrar deste género de quartzo.”
- Temos que lá ir também, ok?
Até esse regresso, no escuro da garagem, ouve-se o bater de pedras e a exclamação: Vi uma faísca!
(publicado a 25/01/07)
quinta-feira, janeiro 18, 2007
clandestinos
Chegavam ao balcão sozinhas. Era o primeiro acto social depois de revelar o sucedido. A opção tinha sido tomada em desespero, contrariando crenças e convicções pessoais. Ponderados os prós e os contras, a decisão estava feita. Quem as acompanhava até à clínica, familiares, ou os próprios namorados, ou só amigas, penalizavam-nas neste momento. Tinham que enfrentar terceiros, expondo a sua mágoa.
A cara não escondia o receio, ou a vergonha do julgamento por terceiros.
Uma consulta especial para o Doutor..., ou só uma consulta, sem nada de especialidades, era o código de abertura para as mãos do médico. As palavras saíam da boca a medo e quem as atendia, já experientes, colocavam-nas à vontade.
Formalismos consumados e pagava-se. Muito. Economias várias, dinheiro emprestado. Em notas, sem rasto, sem direito a recibo ou a comprovativo.
As adolescentes - ou um pouco mais velhinhas - seguiam para uma sala de espera. Em principio não veriam ninguém, além do pessoal auxiliar. Por vezes, o tempo de espera era longo e lá entrava mais uma rapariga, acompanhada ou não, tornando o silêncio comprometedor. Ali a espera era diferente de uma normal sala de hospital, ninguém ousava perguntar nada às outras, não por falta de simpatia mas, porque era arriscado e aborrecido falar-se do assunto. Bem, no fundo não havia nada a falar. O que interessava era terminar aquilo e sobretudo, fugir dali o mais depressa possível.
Quando se era chamada, as pernas tremiam; havia casos encaminhados para as urgências no hospital distrital, muitas vezes devido a semanas mal contadas, outras por circunstâncias várias e lá se ia o segredo, além dos graves problemas físicos associados.
Não veriam a cara do médico, escondida sob uma discreta máscara. Só escutariam a sua voz.
No final, as incertezas, dúvidas e receios desapareciam, tudo correra bem. Um regresso à dura realidade. Os conselhos apropriados: relações só daqui a um mês, atenção à utilização de contraceptivos e o discurso ajustado da obtenção e frequência das consultas de planeamento familiar para adolescentes.
Um lugar democrata a troco de umas dezenas de “contos”.
De volta à sala de espera, onde o silêncio imperava. Umas lágrimas finais, o nervoso miudinho explodia após o sucedido.
O reencontro e a reconciliação com os entes queridos, entre fortes e sentidos abraços.
Um recomeçar de vida, com a mágoa pessoal e um silêncio eterno sobre o assunto, porque a sociedade recrimina estes actos.
Até um dia.
(publicado em 18/01/07)
A cara não escondia o receio, ou a vergonha do julgamento por terceiros.
Uma consulta especial para o Doutor..., ou só uma consulta, sem nada de especialidades, era o código de abertura para as mãos do médico. As palavras saíam da boca a medo e quem as atendia, já experientes, colocavam-nas à vontade.
Formalismos consumados e pagava-se. Muito. Economias várias, dinheiro emprestado. Em notas, sem rasto, sem direito a recibo ou a comprovativo.
As adolescentes - ou um pouco mais velhinhas - seguiam para uma sala de espera. Em principio não veriam ninguém, além do pessoal auxiliar. Por vezes, o tempo de espera era longo e lá entrava mais uma rapariga, acompanhada ou não, tornando o silêncio comprometedor. Ali a espera era diferente de uma normal sala de hospital, ninguém ousava perguntar nada às outras, não por falta de simpatia mas, porque era arriscado e aborrecido falar-se do assunto. Bem, no fundo não havia nada a falar. O que interessava era terminar aquilo e sobretudo, fugir dali o mais depressa possível.
Quando se era chamada, as pernas tremiam; havia casos encaminhados para as urgências no hospital distrital, muitas vezes devido a semanas mal contadas, outras por circunstâncias várias e lá se ia o segredo, além dos graves problemas físicos associados.
Não veriam a cara do médico, escondida sob uma discreta máscara. Só escutariam a sua voz.
No final, as incertezas, dúvidas e receios desapareciam, tudo correra bem. Um regresso à dura realidade. Os conselhos apropriados: relações só daqui a um mês, atenção à utilização de contraceptivos e o discurso ajustado da obtenção e frequência das consultas de planeamento familiar para adolescentes.
Um lugar democrata a troco de umas dezenas de “contos”.
De volta à sala de espera, onde o silêncio imperava. Umas lágrimas finais, o nervoso miudinho explodia após o sucedido.
O reencontro e a reconciliação com os entes queridos, entre fortes e sentidos abraços.
Um recomeçar de vida, com a mágoa pessoal e um silêncio eterno sobre o assunto, porque a sociedade recrimina estes actos.
Até um dia.
(publicado em 18/01/07)
quinta-feira, janeiro 11, 2007
graça ou desgraça
Antuérpia e Bruges têm histórias contrastantes. Bruges foi capital da Flandres durante vários anos e até ao século XV. Era nesta cidade, servida pelo estuário do rio Zwin, que se faziam as principais trocas comerciais dos produtos produzidos no Norte da Europa e também com as sedas e especiarias do Oriente, comercializadas por Italianos. Bruges prosperou e desenvolveu novas indústrias, como a lapidação de diamantes e no século referido tinha o dobro da população de Londres.
No século seguinte, o assoreamento do rio afastou os grandes navios das docas de Bruges e devido a este facto, os grandes comerciantes transferiram-se para a costa de Antuérpia. Nessa época, esta cidade transformou-se numa das maiores potências económicas da Europa. Apesar do aparecimento de transportes rodoviários, ferroviários e aéreos, o porto de Antuérpia ainda é um dos principais da Europa e os negócios de diamantes passam infalivelmente por esta cidade Belga. Bruges, em contrapartida, é uma cidade museu virada essencialmente para o turismo.
A partir desta descrição sobre a evolução destas duas cidades da Bélgica, Tim Harford, no seu livro “O Economista Disfarçado”, chegou ao seguinte postulado: “se quiser ser rico, é boa ideia forjar ligações estreitas com o resto do mundo(...)”.
Os economistas adoram fornecer exemplos de pequenos países prósperos. A Europa tem vários que assim souberam manter-se ao longo de anos, até ao presente.
Pretender alavancar a economia de um concelho, sabendo da importância das acessibilidades e esperando que a prosperidade surja de acordo com a evidência de Tim Harford, tem sido a intenção dos últimos anos da Autarquia local.
A verificar-se a opção pelo traçado B na construção da A32 entre Gaia e Oliveira de Azeméis, S. João da Madeira volta à estaca zero. Terá que reivindicar acessos rápidos ao nó mais próximo, construídos por concelhos vizinhos. Como se viu em todo este processo, as vontades dos autarcas dos concelhos vizinhos são oficiosamente diferentes.
Mesmo que seja esta a solução política a encontrar, a promessa eleitoral do candidato Castro Almeida, de ligação por auto-estrada de SJM ao Porto, dificilmente será cumprida.
Este é um importante ponto para ponderar sobre o “estado de graça” do Presidente da Câmara.
Apesar de ecos na imprensa local, em especial no Jornal “O Regional”, os eleitores estão expectantes.
O ano de 2007 será decisivo para a relação dos munícipes com o Presidente da Câmara. Nos próximos meses, a decisão sobre o futuro do serviço de Urgências do Hospital de S. João da Madeira poderá implicar algumas mudanças.
Caso se altere a vontade do estudo prévio do Ministério da Saúde, tudo continuará bem, ou melhor, ficará bem melhor para um eventual terceiro mandato do actual Presidente da Câmara. Os argumentos apresentados para a manutenção da Urgência do Hospital revelar-se-ão fundamentais e obviamente o ”estado de graça” permanecerá.
Tudo muda de figura, caso se verifique o anunciado fecho. Penso que muitos eleitores encararão mal o facto e com desconfiança questionarão as várias acções e obras em curso na cidade. A unanimidade desaparecerá e a contestação subirá de tom. A oposição terá oportunidade para dizer “Nós bem avisámos”.
Este cenário dois anos antes das eleições autárquicas, pode levar o actual Presidente a repensar a sua opção política, já que o calendário eleitoral prevê eleições Legislativas e Europeias antes das Autárquicas de 2009.
(publicado em 11/01/07)
No século seguinte, o assoreamento do rio afastou os grandes navios das docas de Bruges e devido a este facto, os grandes comerciantes transferiram-se para a costa de Antuérpia. Nessa época, esta cidade transformou-se numa das maiores potências económicas da Europa. Apesar do aparecimento de transportes rodoviários, ferroviários e aéreos, o porto de Antuérpia ainda é um dos principais da Europa e os negócios de diamantes passam infalivelmente por esta cidade Belga. Bruges, em contrapartida, é uma cidade museu virada essencialmente para o turismo.
A partir desta descrição sobre a evolução destas duas cidades da Bélgica, Tim Harford, no seu livro “O Economista Disfarçado”, chegou ao seguinte postulado: “se quiser ser rico, é boa ideia forjar ligações estreitas com o resto do mundo(...)”.
Os economistas adoram fornecer exemplos de pequenos países prósperos. A Europa tem vários que assim souberam manter-se ao longo de anos, até ao presente.
Pretender alavancar a economia de um concelho, sabendo da importância das acessibilidades e esperando que a prosperidade surja de acordo com a evidência de Tim Harford, tem sido a intenção dos últimos anos da Autarquia local.
A verificar-se a opção pelo traçado B na construção da A32 entre Gaia e Oliveira de Azeméis, S. João da Madeira volta à estaca zero. Terá que reivindicar acessos rápidos ao nó mais próximo, construídos por concelhos vizinhos. Como se viu em todo este processo, as vontades dos autarcas dos concelhos vizinhos são oficiosamente diferentes.
Mesmo que seja esta a solução política a encontrar, a promessa eleitoral do candidato Castro Almeida, de ligação por auto-estrada de SJM ao Porto, dificilmente será cumprida.
Este é um importante ponto para ponderar sobre o “estado de graça” do Presidente da Câmara.
Apesar de ecos na imprensa local, em especial no Jornal “O Regional”, os eleitores estão expectantes.
O ano de 2007 será decisivo para a relação dos munícipes com o Presidente da Câmara. Nos próximos meses, a decisão sobre o futuro do serviço de Urgências do Hospital de S. João da Madeira poderá implicar algumas mudanças.
Caso se altere a vontade do estudo prévio do Ministério da Saúde, tudo continuará bem, ou melhor, ficará bem melhor para um eventual terceiro mandato do actual Presidente da Câmara. Os argumentos apresentados para a manutenção da Urgência do Hospital revelar-se-ão fundamentais e obviamente o ”estado de graça” permanecerá.
Tudo muda de figura, caso se verifique o anunciado fecho. Penso que muitos eleitores encararão mal o facto e com desconfiança questionarão as várias acções e obras em curso na cidade. A unanimidade desaparecerá e a contestação subirá de tom. A oposição terá oportunidade para dizer “Nós bem avisámos”.
Este cenário dois anos antes das eleições autárquicas, pode levar o actual Presidente a repensar a sua opção política, já que o calendário eleitoral prevê eleições Legislativas e Europeias antes das Autárquicas de 2009.
(publicado em 11/01/07)
quarta-feira, novembro 29, 2006
Longo silêncio
Cruzo-me com pessoas, sem nome conhecido. Trocamos olhares, pequenos cumprimentos em forma de tímidos sorrisos, de iguais acenos de cabeça ou com um pequeno erguer das mãos, em dias mais alegres.
Muitos, não sei quem são, qual o nome próprio, alcunha, apelido ou sequer a morada, apenas um rosto circulante nas ruas da cidade, que com o aumento populacional tornou-se impessoal. Ironicamente são apelidados de “ilustres desconhecidos”, ou “povo anónimo”.
Sinto a passagem do tempo, ao ver os seus corpos transformarem-se: as caras a envelhecerem, os troncos a encolherem e a arquearem. Os cumprimentos trocam-se por silêncios, que não ouso interromper.
Depois... desaparecem.
Por uma longa temporada não os vejo, até um dia.
Nesse dia, as suas fotografias são expostas num poste, numa qualquer parede ou página de necrologia, com os dados que não conhecíamos e jamais perguntámos.
Com vergonha verificamos a sua morte e pensativos, soletramos o nome que ignorávamos.
Lentamente a cidade, apesar de todo o ruído inerente, fica mais silenciosa.
Tendo a afastar-me dela. As incursões são diárias, por necessidade, ou esporádicas, em resposta a algum convite de amigos ou para compromissos associativos.
A escrita, em colaboração com o Jornal, repousa à espera de vez. O blog ocupa-me os tempos livres e mesmo a divagação pelos temas da cidade, não são particularmente motivadores.
Percorro as ruas do centro da cidade, a minha memória colectiva.
A preparação para o Natal não esconde o estado decrépito a que estas ruas chegaram.
Cumprimentam-me os comerciantes de sempre, amáveis quando me reconhecem.
Outras lojas da minha infância fecharam. Em seu lugar surgiu o vazio, com um letreiro, propondo uma solução comercial.
A cidade vive num impasse. Político é certo. As pessoas esperam respostas aos assuntos que foram manchete dos jornais, nos últimos meses. Dúvidas para serem resolvidas por Ministérios.
A cidade já não se resolve, aguenta.
Espera a sua vez, paciente, como estando numa qualquer fila.
Entretanto, na idealizada nova “urbe”, com os seus novos pontos de interesse, edifícios ou serviços, a cidade projecta-se sobretudo para o exterior.
Nesse novo contexto, o “espaço” destinado para as suas gentes, para a sua expressão, para a sua susceptibilidade é curto e a memória tenderá a apagar-se.
Esta inquietação ocupa-me.
Isso é bom.
Muitos, não sei quem são, qual o nome próprio, alcunha, apelido ou sequer a morada, apenas um rosto circulante nas ruas da cidade, que com o aumento populacional tornou-se impessoal. Ironicamente são apelidados de “ilustres desconhecidos”, ou “povo anónimo”.
Sinto a passagem do tempo, ao ver os seus corpos transformarem-se: as caras a envelhecerem, os troncos a encolherem e a arquearem. Os cumprimentos trocam-se por silêncios, que não ouso interromper.
Depois... desaparecem.
Por uma longa temporada não os vejo, até um dia.
Nesse dia, as suas fotografias são expostas num poste, numa qualquer parede ou página de necrologia, com os dados que não conhecíamos e jamais perguntámos.
Com vergonha verificamos a sua morte e pensativos, soletramos o nome que ignorávamos.
Lentamente a cidade, apesar de todo o ruído inerente, fica mais silenciosa.
Tendo a afastar-me dela. As incursões são diárias, por necessidade, ou esporádicas, em resposta a algum convite de amigos ou para compromissos associativos.
A escrita, em colaboração com o Jornal, repousa à espera de vez. O blog ocupa-me os tempos livres e mesmo a divagação pelos temas da cidade, não são particularmente motivadores.
Percorro as ruas do centro da cidade, a minha memória colectiva.
A preparação para o Natal não esconde o estado decrépito a que estas ruas chegaram.
Cumprimentam-me os comerciantes de sempre, amáveis quando me reconhecem.
Outras lojas da minha infância fecharam. Em seu lugar surgiu o vazio, com um letreiro, propondo uma solução comercial.
A cidade vive num impasse. Político é certo. As pessoas esperam respostas aos assuntos que foram manchete dos jornais, nos últimos meses. Dúvidas para serem resolvidas por Ministérios.
A cidade já não se resolve, aguenta.
Espera a sua vez, paciente, como estando numa qualquer fila.
Entretanto, na idealizada nova “urbe”, com os seus novos pontos de interesse, edifícios ou serviços, a cidade projecta-se sobretudo para o exterior.
Nesse novo contexto, o “espaço” destinado para as suas gentes, para a sua expressão, para a sua susceptibilidade é curto e a memória tenderá a apagar-se.
Esta inquietação ocupa-me.
Isso é bom.
terça-feira, outubro 31, 2006
Deslizes e Mergulhos
Os estabelecimentos de ensino da cidade foram notícia, em semanas anteriores, por bons motivos.
A aposta do executivo municipal em dotar o concelho com escolas “entre as melhores do país” tem sido executada perseverantemente.
A recente inauguração da nova biblioteca na Escola EB1 do Espadanal, complementando a reestruturação global de que as escolas municipais foram alvo, terá continuidade com a expansão da Rede de Bibliotecas a mais 2 escolas, nos próximos anos.
Mesmo sem apoio para a construção da quarta Escola secundária, a atribuição de verbas do PIDDAC à Escola Secundária Dr. Serafim Leite, para ampliação de instalações, permite prosseguir a remodelação do parque escolar, procurando-se com este pressuposto que a ambicionada qualidade no ensino seja alcançada e reconhecida.
Para isto contribuem as posições no ranking nacional das Escolas Secundárias, seja qual for o critério de avaliação. A colocação da Escola João da Silva Correia entre as melhores do distrito e do país, enaltece o trabalho de todos os envolvidos no processo de ensino, em particular da própria Escola, claro está.
Tendo o vértice da estrutura piramidal reconhecido, estando o parque escolar recuperado, não havendo graves problemas, nem mesmo inclusão em listas negras de análises da DECO, poder-se-ia pensar no “dossier” ensino como pronto e a entrar em “velocidade cruzeiro”.
O próprio Presidente da Câmara reconheceu que os próximos investimentos serão “menores”, a nível de “software educativo e equipamentos desportivos”.
Na minha opinião existe aqui uma possibilidade de melhoria de instalações que não se deveria desperdiçar.
As escolas primárias foram recuperadas, é certo. Foram dotadas com espaços culturais, com equipamentos de diversão no recreio, com melhorias ao nível do conforto dos alunos e do serviço de refeições. Apesar de considerar tudo isto extremamente importante e suficiente para o bom funcionamento do ano escolar, não posso deixar de ser um pouco mais ambicioso para as escolas do concelho.
Das verbas a atribuir pelo PIDDAC, 78.838 euros provêm do projecto Conservação e Remodelação do Parque Escolar da Região Norte. Através deste montante não seria possível, atribuir uma verba para a recuperação do Tanque – Piscina da Escola do Parque?
Este equipamento desportivo está abandonado, enquanto piscina destinada a crianças em idade escolar, desde o final da década de 80. A sua recuperação permitiria aos alunos desta escola frequentarem aulas de natação em horário diurno, sem saírem das instalações da escola. Além destes, a piscina poderia ser utilizada por crianças do pré-escolar. Os horários complementares poderiam ser rentabilizados com aulas para este público específico, em especial, finais de tarde e fins de semana, os períodos mais procurados e por isso mais saturados na actual piscina municipal.
É evidente que uma piscina de 12,5 metros não se esquece, existe na memória colectiva de muitos que ali aprenderam a nadar. Mais do que o valor afectivo, é justo alertar para o desperdício de um equipamento municipal, que dotaria uma escola EB1, com umas instalações excelentes de nível europeu.
A aposta do executivo municipal em dotar o concelho com escolas “entre as melhores do país” tem sido executada perseverantemente.
A recente inauguração da nova biblioteca na Escola EB1 do Espadanal, complementando a reestruturação global de que as escolas municipais foram alvo, terá continuidade com a expansão da Rede de Bibliotecas a mais 2 escolas, nos próximos anos.
Mesmo sem apoio para a construção da quarta Escola secundária, a atribuição de verbas do PIDDAC à Escola Secundária Dr. Serafim Leite, para ampliação de instalações, permite prosseguir a remodelação do parque escolar, procurando-se com este pressuposto que a ambicionada qualidade no ensino seja alcançada e reconhecida.
Para isto contribuem as posições no ranking nacional das Escolas Secundárias, seja qual for o critério de avaliação. A colocação da Escola João da Silva Correia entre as melhores do distrito e do país, enaltece o trabalho de todos os envolvidos no processo de ensino, em particular da própria Escola, claro está.
Tendo o vértice da estrutura piramidal reconhecido, estando o parque escolar recuperado, não havendo graves problemas, nem mesmo inclusão em listas negras de análises da DECO, poder-se-ia pensar no “dossier” ensino como pronto e a entrar em “velocidade cruzeiro”.
O próprio Presidente da Câmara reconheceu que os próximos investimentos serão “menores”, a nível de “software educativo e equipamentos desportivos”.
Na minha opinião existe aqui uma possibilidade de melhoria de instalações que não se deveria desperdiçar.
As escolas primárias foram recuperadas, é certo. Foram dotadas com espaços culturais, com equipamentos de diversão no recreio, com melhorias ao nível do conforto dos alunos e do serviço de refeições. Apesar de considerar tudo isto extremamente importante e suficiente para o bom funcionamento do ano escolar, não posso deixar de ser um pouco mais ambicioso para as escolas do concelho.
Das verbas a atribuir pelo PIDDAC, 78.838 euros provêm do projecto Conservação e Remodelação do Parque Escolar da Região Norte. Através deste montante não seria possível, atribuir uma verba para a recuperação do Tanque – Piscina da Escola do Parque?
Este equipamento desportivo está abandonado, enquanto piscina destinada a crianças em idade escolar, desde o final da década de 80. A sua recuperação permitiria aos alunos desta escola frequentarem aulas de natação em horário diurno, sem saírem das instalações da escola. Além destes, a piscina poderia ser utilizada por crianças do pré-escolar. Os horários complementares poderiam ser rentabilizados com aulas para este público específico, em especial, finais de tarde e fins de semana, os períodos mais procurados e por isso mais saturados na actual piscina municipal.
É evidente que uma piscina de 12,5 metros não se esquece, existe na memória colectiva de muitos que ali aprenderam a nadar. Mais do que o valor afectivo, é justo alertar para o desperdício de um equipamento municipal, que dotaria uma escola EB1, com umas instalações excelentes de nível europeu.
terça-feira, outubro 24, 2006
Iluminação Nocturna
Em tempos fui deputado Municipal na respectiva Assembleia de S. João da Madeira.
É verdade.
O meu mandato, de substituição a terceiro, durou 6 meses, interrompido pelo regresso do membro efectivamente eleito. Durante esse período, tive a oportunidade de perceber a dinâmica da Assembleia Municipal, o seu regimento, as tácticas e as inscrições sobre um assunto a debater. Não tive propriamente uma participação activa, preferi mais escutar e assimilar do que proferir qualquer palavra sobre determinado assunto. Penso que o facto de estar a prazo e a iniciação política me inibiram um pouco.
Lembro-me que o período antes da ordem do dia me surpreendeu bastante. Reparos, simples reparos eram abordados pelos vários deputados municipais. Estado de conservação de ruas, sinalização de obras e outros assuntos similares eram motivo de intervenções sumárias. Os mais experientes adiantaram-me que essa prática era comum a vários concelhos, pelo que passei a visitar os locais com problemas levantados, para melhor perceber o assunto. Numa sessão, nesse referido período, um determinado deputado alertou para o facto de uma das ruas da cidade, em período nocturno, se encontrar completamente às escuras. Como o assunto me pareceu grave, desloquei-me a essa artéria de noite, para verificar a escuridão. A rua não era muito grande e dois simples candeeiros tinham as lâmpadas fundidas. Com a simples troca, o problema da iluminação ficava resolvido, no entanto, em noites sem luar, de facto, não se via nada. Passado uns dias a iluminação foi reposta, para sossego dos moradores dessa rua.
Recordo este curto episódio, sem importância, para introduzir uma novidade nestes artigos de opinião, precisamente, o reparo. Não por uma qualquer rua mal iluminada mas, porque na principal Avenida da cidade a iluminação nocturna é diminuta. Associada à pequena queixa está um tema importante, a segurança rodoviária da cidade.
Existem na cidade várias passadeiras bem iluminadas, devidamente pintadas, com sinalização vertical eficaz e até com um moderno sistema de sinalização horizontal, através de pequenas lâmpadas intermitentes implantadas no chão. Penso que nessas, as pessoas não têm medo de atravessar porque sabem que o farão em segurança e serão vistas pelos automobilistas. Pelo que tenho lido, ultimamente os atropelamentos rodoviários ocorrem de dia, alguns precisamente em passadeiras e outros na zona pedonal. Infelizmente alguns são mortais, o que levanta sérias reservas sobre a eficácia do patrulhamento policial. Aliás, o principal motivo de insegurança da circulação de peões na cidade é precisamente o atravessar na passadeira. Os transeuntes apesar de já estarem na passadeira, quando um carro se aproxima nunca sabem se este pára ou não.
Na Avenida Renato Araújo entre as bombas de gasolina e a rotunda do Orreiro, devido à construção do novo centro comercial, a iluminação nocturna desta artéria é bastante reduzida. Sinceramente, as passadeiras estão apagadas, a sinalização vertical mal se vê e os modernos sistemas de lâmpadas intermitentes não existem. Como as obras estão para durar, tendo ainda a agravante da construção aérea, a visibilidade nesta avenida será cada vez menor. A probabilidade de surgirem atropelamentos aumentará. Antes que isso aconteça, é urgente intervir, garantindo que o avanço das obras não retirará a visibilidade aos automobilistas e permitirá a todos os que circulam a pé e têm necessidade de atravessar a Avenida Renato Araújo o possam fazer em absoluta segurança, sem receios de atropelamento.
Não tomem este reparo, como qualquer tentativa de oposição à construção do centro comercial. É importante que a sua construção seja efectuada com segurança para todos, prevenindo-se, ou melhor, evitando-se a ocorrência de acidentes rodoviários graves. A PSP como controladora de trânsito tem uma importante tarefa neste sentido, no entanto, a autarquia como “entidade reguladora”, deve manter e projectar os meios necessários para que a circulação de peões na cidade se faça sem receio, por parte dos munícipes.
É verdade.
O meu mandato, de substituição a terceiro, durou 6 meses, interrompido pelo regresso do membro efectivamente eleito. Durante esse período, tive a oportunidade de perceber a dinâmica da Assembleia Municipal, o seu regimento, as tácticas e as inscrições sobre um assunto a debater. Não tive propriamente uma participação activa, preferi mais escutar e assimilar do que proferir qualquer palavra sobre determinado assunto. Penso que o facto de estar a prazo e a iniciação política me inibiram um pouco.
Lembro-me que o período antes da ordem do dia me surpreendeu bastante. Reparos, simples reparos eram abordados pelos vários deputados municipais. Estado de conservação de ruas, sinalização de obras e outros assuntos similares eram motivo de intervenções sumárias. Os mais experientes adiantaram-me que essa prática era comum a vários concelhos, pelo que passei a visitar os locais com problemas levantados, para melhor perceber o assunto. Numa sessão, nesse referido período, um determinado deputado alertou para o facto de uma das ruas da cidade, em período nocturno, se encontrar completamente às escuras. Como o assunto me pareceu grave, desloquei-me a essa artéria de noite, para verificar a escuridão. A rua não era muito grande e dois simples candeeiros tinham as lâmpadas fundidas. Com a simples troca, o problema da iluminação ficava resolvido, no entanto, em noites sem luar, de facto, não se via nada. Passado uns dias a iluminação foi reposta, para sossego dos moradores dessa rua.
Recordo este curto episódio, sem importância, para introduzir uma novidade nestes artigos de opinião, precisamente, o reparo. Não por uma qualquer rua mal iluminada mas, porque na principal Avenida da cidade a iluminação nocturna é diminuta. Associada à pequena queixa está um tema importante, a segurança rodoviária da cidade.
Existem na cidade várias passadeiras bem iluminadas, devidamente pintadas, com sinalização vertical eficaz e até com um moderno sistema de sinalização horizontal, através de pequenas lâmpadas intermitentes implantadas no chão. Penso que nessas, as pessoas não têm medo de atravessar porque sabem que o farão em segurança e serão vistas pelos automobilistas. Pelo que tenho lido, ultimamente os atropelamentos rodoviários ocorrem de dia, alguns precisamente em passadeiras e outros na zona pedonal. Infelizmente alguns são mortais, o que levanta sérias reservas sobre a eficácia do patrulhamento policial. Aliás, o principal motivo de insegurança da circulação de peões na cidade é precisamente o atravessar na passadeira. Os transeuntes apesar de já estarem na passadeira, quando um carro se aproxima nunca sabem se este pára ou não.
Na Avenida Renato Araújo entre as bombas de gasolina e a rotunda do Orreiro, devido à construção do novo centro comercial, a iluminação nocturna desta artéria é bastante reduzida. Sinceramente, as passadeiras estão apagadas, a sinalização vertical mal se vê e os modernos sistemas de lâmpadas intermitentes não existem. Como as obras estão para durar, tendo ainda a agravante da construção aérea, a visibilidade nesta avenida será cada vez menor. A probabilidade de surgirem atropelamentos aumentará. Antes que isso aconteça, é urgente intervir, garantindo que o avanço das obras não retirará a visibilidade aos automobilistas e permitirá a todos os que circulam a pé e têm necessidade de atravessar a Avenida Renato Araújo o possam fazer em absoluta segurança, sem receios de atropelamento.
Não tomem este reparo, como qualquer tentativa de oposição à construção do centro comercial. É importante que a sua construção seja efectuada com segurança para todos, prevenindo-se, ou melhor, evitando-se a ocorrência de acidentes rodoviários graves. A PSP como controladora de trânsito tem uma importante tarefa neste sentido, no entanto, a autarquia como “entidade reguladora”, deve manter e projectar os meios necessários para que a circulação de peões na cidade se faça sem receio, por parte dos munícipes.
terça-feira, outubro 10, 2006
Reentré política sinuosa
Decididamente os tempos estão difíceis para o edil local.
Uma sucessão de acontecimentos nestes últimos meses, podem ter alterado a sua imagem perante os munícipes.
Tudo começou com a implosão da vereação. A saída da Dr. Fátima Roldão, foi um momento crítico para a proclamada coesão da “equipa vencedora”. Ainda por cima, no mesmo momento, na Assembleia de Freguesia, um dos elementos afectos ao PSD optou por abdicar. No caso da ex-vereadora ficou a ideia, com fundamento ou não, de que terá acontecido algo diferente do motivo apresentado para a demissão. Na verdade, na política por mais razões pessoais que se apresentem, espera-se sempre ouvir histórias diferentes. Como as razões apresentadas não satisfizeram, conjectura-se sobre as relações entre vereadores e destes com o Presidente.
Tudo estaria bem com a remodelação efectuada. No entanto, apesar de ser defendido o contrário, o suposto traçado da A32, mais favorável a S. João da Madeira mas, com impacte ambiental negativo, revelou que houve outros concelhos mais habilidosos na arte de negociação. Uma auto-estrada que durante anos foi apresentada como sendo até S. João da Madeira, inclusivamente foi uma das principais promessas eleitorais, afinal e na melhor das hipóteses fica afastada uns 500 metros. Se o traçado A for o escolhido (o que sinceramente espero que aconteça), inaugura-se um período novo na política, promessas eleitorais com tolerâncias, tal como as cotas nos desenhos técnicos.
A capacidade de negociação de Oliveira de Azeméis ficou mais evidente ao manter as Urgências no Hospital do concelho, depois de perder o Serviço de Maternidade. Apesar do próprio Ministro da Saúde, segundo o DN de 10 de Outubro de 2006, sossegar os autarcas dizendo que o estudo não é definitivo. É certo que a Autarquia de SJM reagiu veemente, tendo inclusivamente divulgados números demonstrativos de que a equipa que efectuou o estudo para o Ministério da Saúde não é conhecedora da realidade local. Segundo os dados revelados, em SJM são assistidos mais residentes do concelho vizinho, do que do próprio. O argumento apresentado pelo Administrador do Hospital Distrital de S. João da Madeira sobre as condições da Urgência, comparados com o Hospital S. Miguel é bastante válido. Quem teve a oportunidade de ser atendido nos dois hospitais, facilmente constata as condições de um e de outro. Todos estes argumentos, obrigam a um desgaste extra dos autarcas locais. Defesa de um serviço de saúde que pode alterar a qualidade de vida dos munícipes, é obrigatória. Todavia, o Ministério da Saúde não costuma ser flexível. A ver vamos.
Apesar do endividamento público do concelho não estar entre os setenta mais elevados, o Governo anunciou que SJM iria perder verbas canalizadas do próximo orçamento de Estado. Menos 2,5%, revelava o jornal Público, o que significa que o próximo orçamento municipal será mais apertado, situação que poderá manter-se até 2009. Como se pode ver, tempos difíceis para a gestão autárquica. Nos próximos anos, a capacidade de investimento municipal será menor e a possibilidade de endividamento será muito condicionada, segundo a nova Lei de Finanças Locais. Muitas das promessas eleitorais de 2001 não serão cumpridas.
Veja-se a reabilitação da linha do Vouga, assunto sobre o qual a autarquia ainda não conseguiu enquadrar-se com os seus parceiros geográficos. O Engenheiro Ludgero Marques, presidente da AEP, voltou a referir-se à inevitável extensão do Metro do Porto a sul, até à futura Exponor, que será transferida para o Europarque em Santa Maria da Feira, mais concretamente freguesia de Espargo. Segundo as suas palavras, será uma mais valia importante para o centro de exposições, uma ligação ao centro do Porto por Metro. Em tempos, o trajecto sugerido foi uma ligação paralela à linha do Norte e com uma perpendicular a esta, sensivelmente em Maceda, ligando ao Europarque. A concretizar-se esta ideia o “progresso” volta a ficar aqui ao lado, outra vez a 7 ou 8 quilómetros. Sem querer entrar em discussões de pormenores técnicos como bitolas e distância entre carris, parece-me que a ideia da AEP se poderia conjugar com a vontade de requalificação da linha do Vouga, integrando-a no Metro do Porto. Afinal, o actual traçado do “Vouguinha” dista apenas 2,5 quilómetros do Europarque.
Para culminar, na semana passada, uma coluna do Jornal “O Regional” colocava o Presidente da Câmara de S. João da Madeira em baixa, por não ter comparecido, nem se fazer representar no lançamento de um livro, promovido pela própria autarquia, em convite assinado pelo próprio Presidente. Esta falha, num momento conturbado como este, não foi perdoada nem pelo incógnito “José” ou “Zé”, sempre defensor do trabalho do Presidente da Câmara.
Melhores dias virão.
Uma sucessão de acontecimentos nestes últimos meses, podem ter alterado a sua imagem perante os munícipes.
Tudo começou com a implosão da vereação. A saída da Dr. Fátima Roldão, foi um momento crítico para a proclamada coesão da “equipa vencedora”. Ainda por cima, no mesmo momento, na Assembleia de Freguesia, um dos elementos afectos ao PSD optou por abdicar. No caso da ex-vereadora ficou a ideia, com fundamento ou não, de que terá acontecido algo diferente do motivo apresentado para a demissão. Na verdade, na política por mais razões pessoais que se apresentem, espera-se sempre ouvir histórias diferentes. Como as razões apresentadas não satisfizeram, conjectura-se sobre as relações entre vereadores e destes com o Presidente.
Tudo estaria bem com a remodelação efectuada. No entanto, apesar de ser defendido o contrário, o suposto traçado da A32, mais favorável a S. João da Madeira mas, com impacte ambiental negativo, revelou que houve outros concelhos mais habilidosos na arte de negociação. Uma auto-estrada que durante anos foi apresentada como sendo até S. João da Madeira, inclusivamente foi uma das principais promessas eleitorais, afinal e na melhor das hipóteses fica afastada uns 500 metros. Se o traçado A for o escolhido (o que sinceramente espero que aconteça), inaugura-se um período novo na política, promessas eleitorais com tolerâncias, tal como as cotas nos desenhos técnicos.
A capacidade de negociação de Oliveira de Azeméis ficou mais evidente ao manter as Urgências no Hospital do concelho, depois de perder o Serviço de Maternidade. Apesar do próprio Ministro da Saúde, segundo o DN de 10 de Outubro de 2006, sossegar os autarcas dizendo que o estudo não é definitivo. É certo que a Autarquia de SJM reagiu veemente, tendo inclusivamente divulgados números demonstrativos de que a equipa que efectuou o estudo para o Ministério da Saúde não é conhecedora da realidade local. Segundo os dados revelados, em SJM são assistidos mais residentes do concelho vizinho, do que do próprio. O argumento apresentado pelo Administrador do Hospital Distrital de S. João da Madeira sobre as condições da Urgência, comparados com o Hospital S. Miguel é bastante válido. Quem teve a oportunidade de ser atendido nos dois hospitais, facilmente constata as condições de um e de outro. Todos estes argumentos, obrigam a um desgaste extra dos autarcas locais. Defesa de um serviço de saúde que pode alterar a qualidade de vida dos munícipes, é obrigatória. Todavia, o Ministério da Saúde não costuma ser flexível. A ver vamos.
Apesar do endividamento público do concelho não estar entre os setenta mais elevados, o Governo anunciou que SJM iria perder verbas canalizadas do próximo orçamento de Estado. Menos 2,5%, revelava o jornal Público, o que significa que o próximo orçamento municipal será mais apertado, situação que poderá manter-se até 2009. Como se pode ver, tempos difíceis para a gestão autárquica. Nos próximos anos, a capacidade de investimento municipal será menor e a possibilidade de endividamento será muito condicionada, segundo a nova Lei de Finanças Locais. Muitas das promessas eleitorais de 2001 não serão cumpridas.
Veja-se a reabilitação da linha do Vouga, assunto sobre o qual a autarquia ainda não conseguiu enquadrar-se com os seus parceiros geográficos. O Engenheiro Ludgero Marques, presidente da AEP, voltou a referir-se à inevitável extensão do Metro do Porto a sul, até à futura Exponor, que será transferida para o Europarque em Santa Maria da Feira, mais concretamente freguesia de Espargo. Segundo as suas palavras, será uma mais valia importante para o centro de exposições, uma ligação ao centro do Porto por Metro. Em tempos, o trajecto sugerido foi uma ligação paralela à linha do Norte e com uma perpendicular a esta, sensivelmente em Maceda, ligando ao Europarque. A concretizar-se esta ideia o “progresso” volta a ficar aqui ao lado, outra vez a 7 ou 8 quilómetros. Sem querer entrar em discussões de pormenores técnicos como bitolas e distância entre carris, parece-me que a ideia da AEP se poderia conjugar com a vontade de requalificação da linha do Vouga, integrando-a no Metro do Porto. Afinal, o actual traçado do “Vouguinha” dista apenas 2,5 quilómetros do Europarque.
Para culminar, na semana passada, uma coluna do Jornal “O Regional” colocava o Presidente da Câmara de S. João da Madeira em baixa, por não ter comparecido, nem se fazer representar no lançamento de um livro, promovido pela própria autarquia, em convite assinado pelo próprio Presidente. Esta falha, num momento conturbado como este, não foi perdoada nem pelo incógnito “José” ou “Zé”, sempre defensor do trabalho do Presidente da Câmara.
Melhores dias virão.
segunda-feira, outubro 02, 2006
Quando o Outono começa...
O equinócio de Setembro não deixou dúvidas, dia de chuva, para recordar a todos que o Outono tinha chegado.
Adeus dias escaldantes.
Na viagem matinal e apressada rumo à escola dos filhos, recordo as férias grandes. Meses e meses, sem aulas. Houve um ano com quatro, de 15 de Junho a 15 de Outubro. Quando chegavam os dias de chuva, sabíamos que as férias estavam a terminar. A hora recuava em final de Setembro, o que tornava as tardes mais curtas. Era o último sinal para o fim de férias. O ano lectivo era o nosso principal calendário.
A escola para quem é pai, é hoje sobretudo uma recordação. É certo que existem as várias preocupações. Analisar, avaliar e comentar as escolas e os professores. Escolher um sem número de actividades extra escolares: desportos, formação física, musical, linguistica, etc., que julgamos serem as adequadas para os nossos descendentes. Contudo, este tempo de regresso à escola, encaminha-nos para o reino da nostalgia.
Percebemos a alegria dos nossos filhos, pois recordamos a alegria do que era voltar a ver amigos, colegas, professores e demais pessoal envolvido, caras que perdemos o contacto visual, com o tempo. Nomes que são hoje apenas uma memória, que sabemos vivos, embora sem saber o seu paradeiro. Nada sabemos deles, o que julgávamos impossível nesse tempo.
É verdade que os primeiros anos escolares são os mais apreciados. O novo mundo que nos é ensinado e o fascínio proposto, não tem comparação com os demais anos. A partir da adolescência, a escola fica para segundo plano, pois o tempo livre é mais apreciado e aproveitado para outros interesses.
No período após as aulas, ou no intervalo das mesmas, enquadramo-nos com pessoas com afinidades comuns. O grupo de amigos, que nos irá acompanhar pelos anos seguintes, até sairmos para outras cidades, para seguirmos os estudos e optarmos por uma actividade profissional.
Os primeiros dias de Outono, logo chuvosos.
Afinidades com uma música de Tim e Zé Pedro. Entre a “chuva dissolvente”, verificamos que de todas as artes, a música é das mais nostálgicas. Acompanhamos novidades da sétima e de outras artes. Não conseguimos seguir, descobrir a música do momento e as tendências actuais. Invariavelmente, voltamos ao passado. Enquanto adolescentes, convivemos com gerações que tinham feito todas as revoluções, políticas, culturais e outras. Não entendíamos a constante referência a grupos musicais surgidos em décadas anteriores. Agora, recordamos e assinalamos as duas décadas da edição de alguns LPs do nosso tempo. Músicas sem videoclip obrigatório, porque a rádio era o principal meio de divulgação. Ouvir novamente a fantástica sonoridade de “How soon is now?”, dos The Smiths vocalizado por Morrissey, ao fim destes anos todos, é um puro acto de desespero. Passar alguns minutos a olhar para prateleiras de discos de vinil com capas em tamanho grande, é sobretudo uma recordação de uma actividade de juventude. O entrar da agulha em cena, com aquele barulho característico, tipo fritar de batatas, por mais escovada que aquela estivesse , ou limpo o vinil. O ouvir uma sequência 5 ou 6 faixas e repetir novamente aquele gesto, que no fundo era um ritual, para o lado B.
Esperamos os dias secos e quentinhos de Outono. A vontade de regressar aos espaços naturais. As praias próximas serão de novo itinerário, já desprovidas de domingueiros. Mais as subidas à serra, que já se deve ter “limpo” das atrocidades do verão.
A grande cidade ganha nesta época uma atracção maior. Os seus jardins e parques, envolvidos pela paisagem urbana. Pelas folhas caídas das grandes árvores, pela oferta que nos proporciona. Percebemos porque é que alguns dos nossos amigos, colegas de escola jamais voltaram à terra natal. Felizes, apesar dos contratempos do trânsito confuso. De longe, prefiro a vida recata da província.
Outono, cobertores de volta. Edredões para os mais friorentos. As primeiras constipações que degeneram em gripes. Iniciamos a preparação para o aquecimento caseiro pelo fogo envidraçado. Até haver essa necessidade, ainda escrevo mais umas linhas. Certamente.
Adeus dias escaldantes.
Na viagem matinal e apressada rumo à escola dos filhos, recordo as férias grandes. Meses e meses, sem aulas. Houve um ano com quatro, de 15 de Junho a 15 de Outubro. Quando chegavam os dias de chuva, sabíamos que as férias estavam a terminar. A hora recuava em final de Setembro, o que tornava as tardes mais curtas. Era o último sinal para o fim de férias. O ano lectivo era o nosso principal calendário.
A escola para quem é pai, é hoje sobretudo uma recordação. É certo que existem as várias preocupações. Analisar, avaliar e comentar as escolas e os professores. Escolher um sem número de actividades extra escolares: desportos, formação física, musical, linguistica, etc., que julgamos serem as adequadas para os nossos descendentes. Contudo, este tempo de regresso à escola, encaminha-nos para o reino da nostalgia.
Percebemos a alegria dos nossos filhos, pois recordamos a alegria do que era voltar a ver amigos, colegas, professores e demais pessoal envolvido, caras que perdemos o contacto visual, com o tempo. Nomes que são hoje apenas uma memória, que sabemos vivos, embora sem saber o seu paradeiro. Nada sabemos deles, o que julgávamos impossível nesse tempo.
É verdade que os primeiros anos escolares são os mais apreciados. O novo mundo que nos é ensinado e o fascínio proposto, não tem comparação com os demais anos. A partir da adolescência, a escola fica para segundo plano, pois o tempo livre é mais apreciado e aproveitado para outros interesses.
No período após as aulas, ou no intervalo das mesmas, enquadramo-nos com pessoas com afinidades comuns. O grupo de amigos, que nos irá acompanhar pelos anos seguintes, até sairmos para outras cidades, para seguirmos os estudos e optarmos por uma actividade profissional.
Os primeiros dias de Outono, logo chuvosos.
Afinidades com uma música de Tim e Zé Pedro. Entre a “chuva dissolvente”, verificamos que de todas as artes, a música é das mais nostálgicas. Acompanhamos novidades da sétima e de outras artes. Não conseguimos seguir, descobrir a música do momento e as tendências actuais. Invariavelmente, voltamos ao passado. Enquanto adolescentes, convivemos com gerações que tinham feito todas as revoluções, políticas, culturais e outras. Não entendíamos a constante referência a grupos musicais surgidos em décadas anteriores. Agora, recordamos e assinalamos as duas décadas da edição de alguns LPs do nosso tempo. Músicas sem videoclip obrigatório, porque a rádio era o principal meio de divulgação. Ouvir novamente a fantástica sonoridade de “How soon is now?”, dos The Smiths vocalizado por Morrissey, ao fim destes anos todos, é um puro acto de desespero. Passar alguns minutos a olhar para prateleiras de discos de vinil com capas em tamanho grande, é sobretudo uma recordação de uma actividade de juventude. O entrar da agulha em cena, com aquele barulho característico, tipo fritar de batatas, por mais escovada que aquela estivesse , ou limpo o vinil. O ouvir uma sequência 5 ou 6 faixas e repetir novamente aquele gesto, que no fundo era um ritual, para o lado B.
Esperamos os dias secos e quentinhos de Outono. A vontade de regressar aos espaços naturais. As praias próximas serão de novo itinerário, já desprovidas de domingueiros. Mais as subidas à serra, que já se deve ter “limpo” das atrocidades do verão.
A grande cidade ganha nesta época uma atracção maior. Os seus jardins e parques, envolvidos pela paisagem urbana. Pelas folhas caídas das grandes árvores, pela oferta que nos proporciona. Percebemos porque é que alguns dos nossos amigos, colegas de escola jamais voltaram à terra natal. Felizes, apesar dos contratempos do trânsito confuso. De longe, prefiro a vida recata da província.
Outono, cobertores de volta. Edredões para os mais friorentos. As primeiras constipações que degeneram em gripes. Iniciamos a preparação para o aquecimento caseiro pelo fogo envidraçado. Até haver essa necessidade, ainda escrevo mais umas linhas. Certamente.
domingo, setembro 17, 2006
Kit Patriótico
Após a leitura da última página de um livro, existe um momento que antecede a sua arrumação. Quando o livro nos interessou fica exposto algum tempo, em cima de uma mesa, ou na mesinha de cabeceira, ou noutro sítio de uso pessoal. Esse tempo é o momento de reflexão sobre a leitura terminada. Propositadamente não o colocamos na prateleira, na estante. Ao vê-lo desarrumado, sabemos que o livro ainda tem algo que nos encanta. Uma dúvida, um assunto por resolver, uma série de referências que precisamos de decifrar. Pesquisamos, ora suave ora intensamente, sobretudo quando nos é permitido, usando os meios de que dispomos.
Googlear é actualmente o acto mais eficaz.
“Suspiros en España”, um pasodoble do final do século XIX, serviu ao escritor Javier Cercas como ligação do relato da vida do falangista Rafael Sánchez-Mazas para a continuação da sua narrativa e concretização do seu livro “Soldados de Salamina”. A narrativa encaminha-nos para a coincidência da dança ao som do tal pasodoble, em tempos diferentes, contado por distintas pessoas, tendo como elo simultâneo, um soldado republicano, que o escritor acredita ser o mesmo que salvou a vida ao nacionalista atrás citado. O autor, certamente premeditadamente, persegue através desta música o propósito de reconciliação entre os opositores da guerra civil.
Consegui ouvi-la através do motor de busca mais utilizado na actualidade. Apercebi-me ainda que muitos dos nossos vizinhos vibram ao ouvi-la. Uma música que os faz comover, sobretudo, quando estão no estrangeiro.
Uma ideia de identificação com o seu próprio país, com a língua comum. Tentei a analogia com o nosso país. O patriotismo em Portugal é hoje em dia um conceito banalizado, resume-se a um kit, composto por uma bandeira - hasteada de qualquer forma em casa - e por cantar o hino no início e durante os jogos da selecção de futebol.
“Um fado” – responderam-me quando questionei qual seria a música dos Portugueses. Aceitei prontamente interrogando, mas qual? “Um qualquer” – asseguraram-me.
“Fado” era uma faixa do disco "Sex and Death", editado em 1994, pelos Durutti Column - banda britânica do guitarrista Vini Reilly. Recordo-me da primeira vez que ouvi essa faixa, pensei que algum erro tinha o leitor de CD. Como era possível ouvir-se a voz de Amália no meio da melodia de Vini Reilly? A dúvida ficou desfeita na contracapa do CD. Essa faixa tinha um "sampler" com a voz "à capella" de Amália Rodrigues, interpretando o poema “Povo que lavas no rio”. Esta referência do britânico a Portugal é, sem dúvida, curiosa, não se tratando de uma versão como a de António Variações ou a de Dulce Pontes, apenas o reconhecimento ao nosso país, que durante anos o apreciou.
Lendo o poema na integra de Pedro Homem de Melo, verificamos a monumental homenagem, com mais de 50 anos, do poeta dedicado a conhecer o seu povo, interagindo com ele, apesar de toda a sua ascendência aristocrática. Não distante nem solitário, como António Nobre, que apesar de escrever belos versos referindo-se a quem bem o acolhia e tratava, não conseguia ligar-se abertamente ao povo, refugiando-se e preferindo retirar-se para outros lados.
Com este forte suporte étnico, que na íntegra retrata um certo conceito do povo Português, o fado “Povo que lavas no rio” na voz de Amália Rodrigues, é resposta à minha pergunta.
Procurei ouvi-la novamente. Com os auscultadores no devido lugar, seleccionei a faixa...
Agora o livro de Javier Cercas poderá ir para a prateleira, juntando-se a outro do mesmo autor. Por ali ficará, amarelecendo ao tempo.
Googlear é actualmente o acto mais eficaz.
“Suspiros en España”, um pasodoble do final do século XIX, serviu ao escritor Javier Cercas como ligação do relato da vida do falangista Rafael Sánchez-Mazas para a continuação da sua narrativa e concretização do seu livro “Soldados de Salamina”. A narrativa encaminha-nos para a coincidência da dança ao som do tal pasodoble, em tempos diferentes, contado por distintas pessoas, tendo como elo simultâneo, um soldado republicano, que o escritor acredita ser o mesmo que salvou a vida ao nacionalista atrás citado. O autor, certamente premeditadamente, persegue através desta música o propósito de reconciliação entre os opositores da guerra civil.
Consegui ouvi-la através do motor de busca mais utilizado na actualidade. Apercebi-me ainda que muitos dos nossos vizinhos vibram ao ouvi-la. Uma música que os faz comover, sobretudo, quando estão no estrangeiro.
Uma ideia de identificação com o seu próprio país, com a língua comum. Tentei a analogia com o nosso país. O patriotismo em Portugal é hoje em dia um conceito banalizado, resume-se a um kit, composto por uma bandeira - hasteada de qualquer forma em casa - e por cantar o hino no início e durante os jogos da selecção de futebol.
“Um fado” – responderam-me quando questionei qual seria a música dos Portugueses. Aceitei prontamente interrogando, mas qual? “Um qualquer” – asseguraram-me.
“Fado” era uma faixa do disco "Sex and Death", editado em 1994, pelos Durutti Column - banda britânica do guitarrista Vini Reilly. Recordo-me da primeira vez que ouvi essa faixa, pensei que algum erro tinha o leitor de CD. Como era possível ouvir-se a voz de Amália no meio da melodia de Vini Reilly? A dúvida ficou desfeita na contracapa do CD. Essa faixa tinha um "sampler" com a voz "à capella" de Amália Rodrigues, interpretando o poema “Povo que lavas no rio”. Esta referência do britânico a Portugal é, sem dúvida, curiosa, não se tratando de uma versão como a de António Variações ou a de Dulce Pontes, apenas o reconhecimento ao nosso país, que durante anos o apreciou.
Lendo o poema na integra de Pedro Homem de Melo, verificamos a monumental homenagem, com mais de 50 anos, do poeta dedicado a conhecer o seu povo, interagindo com ele, apesar de toda a sua ascendência aristocrática. Não distante nem solitário, como António Nobre, que apesar de escrever belos versos referindo-se a quem bem o acolhia e tratava, não conseguia ligar-se abertamente ao povo, refugiando-se e preferindo retirar-se para outros lados.
Com este forte suporte étnico, que na íntegra retrata um certo conceito do povo Português, o fado “Povo que lavas no rio” na voz de Amália Rodrigues, é resposta à minha pergunta.
Procurei ouvi-la novamente. Com os auscultadores no devido lugar, seleccionei a faixa...
Agora o livro de Javier Cercas poderá ir para a prateleira, juntando-se a outro do mesmo autor. Por ali ficará, amarelecendo ao tempo.
segunda-feira, setembro 04, 2006
No Rivoli ou aqui?
No final do mês de Julho a Câmara Municipal do Porto (CMP) anunciou a intenção de alterar o modelo de gestão do Teatro Municipal Rivoli. Pretende com esta medida, o executivo liderado por Rui Rio, concessionar a uma entidade privada a gestão do Teatro, garantindo desta forma uma diminuição dos custos de programação cultural, cingindo-se os gastos apenas à gestão corrente com o teatro, como manutenção, limpeza, pagamento de água e de electricidade. A CMP receberá como contrapartida 5% das receitas de bilheteira. A entidade que assumir a gestão do Teatro Rivoli terá de garantir 300 dias de espectáculos por ano, duas grandes produções anuais, espectáculos para crianças, peças experimentais com actores do Porto e garantir a formação teatral aos jovens da cidade.
É evidente que a apresentação deste modelo de gestão causou polémica e foram várias as formas de protesto, incluindo a contestação dos números da autarquia, no que se refere à média diária de espectadores no ano de 2005 - 388, à receita efectivamente gerada – 6%, entre outros.
Curiosamente, o Rivoli, nome pelo qual é usual referir-se o Teatro Municipal da cidade do Porto, nunca foi encarado pela autarquia de S. João da Madeira como o exemplo a seguir na reabilitação do antigo Cinema Imperador, transformando-o na Casa das Artes do Espectáculo. Inexplicavelmente, o Presidente da autarquia local preferiu inspirar-se em modelos externos ao País, segundo o próprio Teatros de Berlim e Paris.
O estudo prévio de arquitectura apresentado há largos meses pelo Arquitecto Filipe Oliveira Dias transformará o antigo cinema num moderno Teatro Municipal, versátil, com boas condições técnicas, capaz de albergar vários tipos de produções. Serão certamente encontradas boas e óptimas soluções do ponto de vista técnico para tornar o edifício num moderno e único equipamento. E depois? Como será depois de concluídas as obras e inaugurado o espaço?
Já em Janeiro do presente ano abordei este assunto, incentivando a uma melhoria na programação cultural de forma a atrair público à cidade e lançar assim os alicerces da Casa de Artes e Espectáculo. Sabendo-se hoje que a capacidade financeira do Município melhorou consideravelmente e antes que surja a tentação de novo endividamento - para por exemplo arrancar com as obras no antigo cinema, seria importante analisar-se qual será a capacidade financeira para promover vários espectáculos por ano para 400 pessoas ou para promover “importantes espectáculos teatrais”, como finaliza o estudo prévio atrás citado e “entrar assim na alta roda cultural”?
A resposta está no Rivoli...
A CMP chegou à conclusão que precisa de um parceiro privado. A grande cidade tem vários equipamentos públicos, que aqui não é importante descriminar. Não tem público para todos, por vários erros e um que é apontado é precisamente programação deficiente.
Mais do que encarar o projecto de reabilitação e inauguração da Casa das Artes e Espectáculo, é necessário pensar-se nos meses seguintes. Será o Teatro Municipal capaz de gerar receita própria para fazer face aos custos inerentes de exploração ou terá necessidade de recorrer ao orçamento municipal?
Acreditando que a resposta será o recurso ao orçamento municipal, em que rubrica se vai enquadrar? Pensando-se na lógica macro orçamental, será na reduzida verba para actividades culturais ou na verba distribuída pelas associações desportivas e afins, significando com isto uma redução das verbas actualmente distribuídas? Ou muito pelo contrário, gerando receitas extraordinárias com a venda de património municipal?
Pode-se responder de várias formas mas, seria importante equacionar-se qual o modelo adequado à gestão do Teatro Municipal. Mais do que copiar modelos externos, com realidades culturais próprias, importa estudar os vários casos nacionais de recuperação e consequente exploração de antigos teatros. A realidade de outros concelhos poderá ajudar a definir o modelo a seguir. Desta forma, as linhas orientadoras do estudo prévio de arquitectura farão mais sentido, tornando a centralidade do reabilitado espaço cultural uma mais valia para todos.
É evidente que a apresentação deste modelo de gestão causou polémica e foram várias as formas de protesto, incluindo a contestação dos números da autarquia, no que se refere à média diária de espectadores no ano de 2005 - 388, à receita efectivamente gerada – 6%, entre outros.
Curiosamente, o Rivoli, nome pelo qual é usual referir-se o Teatro Municipal da cidade do Porto, nunca foi encarado pela autarquia de S. João da Madeira como o exemplo a seguir na reabilitação do antigo Cinema Imperador, transformando-o na Casa das Artes do Espectáculo. Inexplicavelmente, o Presidente da autarquia local preferiu inspirar-se em modelos externos ao País, segundo o próprio Teatros de Berlim e Paris.
O estudo prévio de arquitectura apresentado há largos meses pelo Arquitecto Filipe Oliveira Dias transformará o antigo cinema num moderno Teatro Municipal, versátil, com boas condições técnicas, capaz de albergar vários tipos de produções. Serão certamente encontradas boas e óptimas soluções do ponto de vista técnico para tornar o edifício num moderno e único equipamento. E depois? Como será depois de concluídas as obras e inaugurado o espaço?
Já em Janeiro do presente ano abordei este assunto, incentivando a uma melhoria na programação cultural de forma a atrair público à cidade e lançar assim os alicerces da Casa de Artes e Espectáculo. Sabendo-se hoje que a capacidade financeira do Município melhorou consideravelmente e antes que surja a tentação de novo endividamento - para por exemplo arrancar com as obras no antigo cinema, seria importante analisar-se qual será a capacidade financeira para promover vários espectáculos por ano para 400 pessoas ou para promover “importantes espectáculos teatrais”, como finaliza o estudo prévio atrás citado e “entrar assim na alta roda cultural”?
A resposta está no Rivoli...
A CMP chegou à conclusão que precisa de um parceiro privado. A grande cidade tem vários equipamentos públicos, que aqui não é importante descriminar. Não tem público para todos, por vários erros e um que é apontado é precisamente programação deficiente.
Mais do que encarar o projecto de reabilitação e inauguração da Casa das Artes e Espectáculo, é necessário pensar-se nos meses seguintes. Será o Teatro Municipal capaz de gerar receita própria para fazer face aos custos inerentes de exploração ou terá necessidade de recorrer ao orçamento municipal?
Acreditando que a resposta será o recurso ao orçamento municipal, em que rubrica se vai enquadrar? Pensando-se na lógica macro orçamental, será na reduzida verba para actividades culturais ou na verba distribuída pelas associações desportivas e afins, significando com isto uma redução das verbas actualmente distribuídas? Ou muito pelo contrário, gerando receitas extraordinárias com a venda de património municipal?
Pode-se responder de várias formas mas, seria importante equacionar-se qual o modelo adequado à gestão do Teatro Municipal. Mais do que copiar modelos externos, com realidades culturais próprias, importa estudar os vários casos nacionais de recuperação e consequente exploração de antigos teatros. A realidade de outros concelhos poderá ajudar a definir o modelo a seguir. Desta forma, as linhas orientadoras do estudo prévio de arquitectura farão mais sentido, tornando a centralidade do reabilitado espaço cultural uma mais valia para todos.
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