terça-feira, outubro 31, 2017

E a Carta Educativa?

A dois meses do fim do ano, o Orçamento de Estado de 2018 (OE18) passou a ser o tema dominante da política nacional. Será certamente um ano histórico, com a possibilidade da diferença entre as despesas e as receitas do Estado ser menor a 1%, o que poderá significar que durante uns trimestres, essa diferença seja nula.

A “receita” será a mesma, controlo da despesa, com as cativações por Ministério a terem direito a indicador e controlo mensal pela Assembleia da República. Por outro lado, o investimento público continuará reduzido, não provocando alterações no crescimento do Produto Interno Bruto, antes pelo contrário.

Uma das certezas do próximo ano é que os manuais escolares para os alunos do 1º ciclo, continuarão a ser gratuitos. O sistema de reutilização desses manuais será melhorado, aperfeiçoando-se uma medida, que não é apenas simbólica, já utilizada em muitos países europeus. A incerteza que perdura, relativamente aos manuais escolares, prende-se com o alargamento da gratuitidade até ao 9º ano.

Enquanto isto não fica decidido é importante verificarmos como deve ficar o apoio autárquico ao ensino.

Durante anos, várias autarquias consagraram a oferta de manuais escolares aos alunos do 1º ciclo do ensino básico. Algumas optavam também por oferecer material escolar. Os destinatários dessa medida alteravam conforme o concelho e a sua disponibilidade financeira. Por cá, em S. João da Madeira, os mais necessitados eram os visados, recebendo apenas manuais. Houve um ano de interregno nesta política de apoio familiar, consagrando-se todas as famílias, independentemente do seu rendimento. A experiência autárquica do atual Primeiro – Ministro permitiu prever um programa nacional de oferta de manuais e atendendo às restrições orçamentais, implementou-se o tal sistema de reutilização, para alunos de anos futuros.

Com esta medida do Estado central, as autarquias ficaram órfãs da sua generosidade. Ficou patente nas últimas eleições para o poder local, em alguns programas eleitorais, a oferta de manuais escolares. Uma duplicação ou um complemento é a dúvida que subsiste. A confusão nas propostas poderia ser entre manuais escolares e livros de atividades, o que permitirá sustentar a tese de suplemento, caso o objetivo fosse a oferta destes últimos.

A questão que importa aprofundar é se é necessário tanto altruísmo para com a generalidade das famílias dos alunos do 1º ciclo.

Os indicadores educativos do concelho estão desatualizados. A Carta Educativa limitou-se a consagrar os agrupamentos escolares. Estes reportando ao Ministério de Educação estão preocupados com os rankings impostos por Lisboa. Os indicadores que demonstram a realidade educativa do concelho, como o abandono escolar, não são aprofundados, nem publicados anualmente.

Os dados nacionais recentemente divulgados demonstram duas situações. Em primeiro lugar, o tradicional abandono escolar precoce, foi diminuindo ao longo dos últimos dez anos, no entanto, em 2016 teve um pequeno aumento, fixando-se nos 14% de jovens que não completam o 9º ano. Em segundo lugar, atendendo às novas metas da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, os números são demolidores. Pelo estudo divulgado em Setembro passado, 36% dos jovens portugueses abandonam os seus estudos no ensino secundário. Esta realidade coloca Portugal na cauda dos países desenvolvidos.

A situação de S. João da Madeira não deve diferir muito da realidade nacional. Neste sentido, caso os indicadores concelhios assim o demonstrem, é importante traçar políticas municipais de apoio aos jovens e suas famílias, para contrariar o abandono escolar.

Mais do que “chover no molhado” e estar a apoiar quem já é contemplado pela gratuitidade (sem necessidade real), importa definir novas metas no Orçamento Municipal e lançar um programa que permita aumentar a qualificação da população jovem do concelho, extrapolando apoios quer ao nível de manuais, quer de livros de atividades, ou mesmo de material escolar, adequado aos alunos do ensino secundário, seguindo o princípio nacional da reutilização, atendendo às restrições orçamentais.

Um desafio para os novos autarcas.

 

(a publicar no dia 02/11/17)

quarta-feira, outubro 25, 2017

Valorizar o meio multicultural da cidade

Carlota Amado teve honra de primeira página na edição do jornal labor de 12/10. A manchete da entrevista da pianista radicada em Munique não passou despercebida: “Adoro o meio multicultural em que vivo”, foram as palavras destacadas.

Uma frase sintomática para quem escolhe a arte como profissão e tem a oportunidade de viver em cidades com apetência para desenvolver a carreira artística.

Uma frase igualmente exemplificativa da ambição da nova geração de músicos, para quem não chega a oferta de Porto ou de Lisboa, cidades portuguesas com reais possibilidades de um artista exercer a sua atividade de forma mais reconhecida.

Uma frase que pode servir de mote para um programa autárquico, atendendo ao novo ciclo que agora se inicia.

“Valorizar o meio multicultural da cidade”, é um imperativo para dar consequência aos investimentos municipais dos últimos dez anos, em equipamentos culturais.  

Os programas eleitorais, dos partidos representados no novo executivo municipal, focaram-se na difusão de agentes culturais, quer através da expansão do festival de teatro a outras empresas em laboração em S. João da Madeira, quer alargando a participação a várias iniciativas aos moradores dos bairros sociais da cidade, no sentido de promover a inclusão social através de atividades culturais. A ampliação previa-se numa determinada proposta eleitoral, na qual participei na elaboração, passaria também por envolver os artistas individuais da comunidade, integrando-os nas várias iniciativas culturais, existentes no calendário da cidade.

Independentemente da boa vontade das propostas eleitorais, existe uma realidade educativa que não mereceu a devida atenção por parte dos proponentes políticos.

Trata-se do ensino articulado de música ou de dança, que funciona até ao 9º ano e não tem algum tipo de consequência na comunidade. Ou pelo menos, não é visível.

Existem duas fases. Uma primeira agrega os jovens estudantes do 5º ao 9º ano. Havendo jovens de concelhos vizinhos que optam por fazer os seus estudos de primeiro contacto com estas artes na cidade. No final do ciclo de ensino, a tal segunda fase, apenas uma minoria prossegue com o estudo artístico. Alguns como complemento aos estudos curriculares, permanecem ligados às instituições de ensino artístico da cidade e outros que pretendem o estudo de artes de forma mais intensa recorrem a escolas profissionais, ou a escolas com ensino integrado, em outras localidades. Pode-se dar como exemplo, a nível de música escolas da Branca, Espinho, Paços de Brandão, Aveiro e Porto e a nível de dança, Branca e Vila Nova de Gaia.

Existem duas constatações perante estes movimentos: quem é de fora do concelho, raramente fica com ligação a S. João da Madeira e por outro lado, quem sai para prosseguir os seus estudos artísticos, fica apenas com uma ligação afetiva à cidade, o que não sendo pouco, não é suficiente.

Contrariar isto não é fácil.

Não estando eu ligado a qualquer estabelecimento de ensino, nem instituição cultural, nem associação cultural, posso apenas iniciar um debate, escrevendo a minha perspetiva sobre o assunto, baseando-me na minha experiência de encarregado de educação, tendo precisamente dois educandos relacionados com artes.

No meu ponto de vista, uma forma de manter o contacto dos jovens artistas com a cidade é dar-lhes a oportunidade de continuar a praticar a sua arte em S. João da Madeira. Através da constituição de orquestras, companhias de dança e até de teatro, consegue-se agarrar os jovens à cidade, melhorando o nível qualitativo das propostas culturais. Obviamente que o modelo de Associação é meu preferido, tendo sempre como referência o Coro de Câmara de S. João da Madeira. (Para não confundir ninguém, a ideia é direcionada para jovens, para fazer a captação de talentos em anos de ensino obrigatório, ou nos anos seguintes e não para criar companhias profissionais.)

Por outro lado, o ensino artístico no secundário devia ser uma realidade. Aproveitando-se todo o potencial da cidade com salas de espetáculo, museus, incubadoras de criatividade, pode ser um argumento competitivo para fixar temporariamente jovens estudantes na cidade, trazendo dos concelhos vizinhos outros interessados. A solução podem ser cursos profissionais, não esquecendo que existem escolas devolutas no concelho, caso o argumento das infraestruturas venha a debate.

É uma perspetiva que faz a ligação da educação com a cultura, servindo como fator dinamizador na melhoria das competências da população.

Esta valorização do meio multicultural, alicerçada em jovens, não evitará a saída dos mesmos para os grandes centros culturais nacionais, nem muito menos para qualquer cidade do estrangeiro. Mas, deixará marcas, mantendo os jovens ligados por muitos bons anos ao concelho, colocando-os como fundamentais em toda uma política cultural que, atendendo ao potencial físico, precisa de ser diferenciadora.

 

(a publicar no dia 26/10/17)

quarta-feira, outubro 18, 2017

Coincidências

Nota prévia: Os feriados de Outubro anteciparam a publicação semanal do jornal labor, nas edições das duas últimas semanas. Como habitualmente escrevo à terça-feira à noite, ou seja, depois do fecho editorial, não coincidi, por isso, no envio de artigos.

1700: A nota prévia fará mais sentido para os leitores, atendendo a que só nesta edição, passado quinze dias das eleições autárquicas, é que irei fazer um comentário sobre o assunto. A passagem deste período de tempo permite analisar de forma mais racional e menos emotiva (ver nota final), o resultado eleitoral.

A vitória do PS foi esmagadora.

A comparação de resultados tem que ser feita com os das eleições de 2016. As intercalares, portanto. Nestas circunstâncias há um dado curioso: o PS conseguiu uma melhoria de cerca de 1.700 votos, passando dos 4.400 para 6.100. Este ganho correspondeu a um decréscimo de igual valor da coligação PSD / CDS, ou seja, dos 5.200, do escrutínio das intercalares, a “maioria por S. João” desceu para 3.500 votos. Os valores apresentados não são rigorosos, não entrando na minúcia dos números, na ordem das dezenas e unidades, o que será facilmente entendível. No fundo, o que importa realçar é grandeza da movimentação dos votos e não a singularidade dos mesmos.

Convém igualmente evidenciar, antes de prosseguir com qualquer tipo de análise à alteração do sentido do voto dos eleitores, com outros dados: o aumento da abstenção em 400 eleitores, coincidindo este número com a votação do Movimento Independente “S. João da Madeira Sempre”, nas intercalares de 2016. Outra coincidência é o número de votos obtidos pelo PAN ser idêntico à perda relativa da CDU, do BE e do outro partido concorrente nas eleições do ano passado.

Não é linear que os votos tenham migrado conforme as coincidências numéricas, no entanto, esta evidência ajudaria mais facilmente a explicar os resultados das eleições autárquicas de 2017.

Existem várias explicações para a vitória do PS. Muitos procuraram atenuar o feito de Jorge Sequeira, tentando encontrar explicações nas desavenças do PSD ou na rotura de Ricardo Figueiredo com a concelhia do mesmo partido. Com o devido respeito pelos visados, julgo que a vitória é conseguida por mérito do próprio Jorge Sequeira.

Quais as razões para defender esta tese?

Reveja-se o processo eleitoral.

Em Abril, depois de meses de muita pressão da opinião pública, a concelhia do PS anunciou o seu candidato. Jorge Sequeira foi bem aceite e começou a trabalhar numa nova imagem do partido – menos populista, mais conciliador, mais próximo das associações locais. No mês de Junho ficava a saber-se que Ricardo Figueiredo não seria candidato pela coligação PSD / CDS. A menos de quatro meses das eleições, Paulo Cavaleiro, como líder da concelhia, assume a sua candidatura, arriscando o seu futuro político. O parceiro da coligação aceitou tal facto.

Em Julho são conhecidos a totalidade dos candidatos do PS. Só em Agosto é que são conhecidos os candidatos da coligação. Antes disso, o executivo municipal derruba o elemento arquitetónico da Praça (com contestação) e o jornal “O Regional” publica uma primeira sondagem, com um elevado número de indecisos, apontando para uma diferença de 10% de intenções de votos, favorecendo o candidato Paulo Cavaleiro.

Em Setembro a menos de um mês das eleições, ambas as forças partidárias apostaram forte, com a vinda de políticos nacionais a S. João da Madeira. O PS apresentou o seu secretário-geral, António Costa e ainda traria mais tarde o atual ministro da Cultura. Pelo lado da coligação, houve uma aposta clara numa ala política do PSD, com a vinda de Paulo Rangel, Rui Rio e Luís Montenegro, todos figuras de referência para a sucessão do ex-presidente do partido Passos Coelho. A balança pendeu para o lado do PS, apesar do apoio do CDS, através de João Almeida, ele próprio candidato e da presença de Pedro Mota Soares.

Entretanto, o programa eleitoral de ambos era divulgado e curiosamente, poucas, ou quase nenhumas, diferenças eram apresentadas. O PS prometia construir uma Piscina Municipal, fazendo “mea culpa” sobre o seu passado recente, o que não deixava de surpreender, ou mesmo de tranquilizar, alguns dos eleitores. Além disso corrigia alguns erros de campanha, deixando de atacar pessoalmente o adversário, passando a explorar as desavenças partidárias, surgidas na elaboração das listas eleitorais.

Chegava-se à última semana. Depois da mobilização de jantares e almoços ter evidenciado um empate de comensais, a rua haveria de clarificar a diferença. Uma arruada, impressionante para domingo à tarde, ficou na retina de quem viu passar a comitiva do PS pela Rua Oliveira Júnior em direção à Praça Luís Ribeiro. Dias depois, a arruada da coligação trazia pouca gente, não entusiasmando quem observava.

Até que surgiu o confronto direto. Numa semana, dois debates. Com poucos dias de diferença (o que não dá hipótese de corrigir algo que tivesse corrido mal no primeiro, a qualquer dos candidatos), a capacidade oratória de Jorge Sequeira sobressaiu. Tranquilo, expôs o seu programa e transmitiu uma imagem de confiança e de preparação política. Os indecisos, que seguiram o debate, devem ter retirado as suas conclusões, podendo depois ao ler as últimas entrevistas publicadas na imprensa local, ter decidido o seu voto.

A poucos dias das eleições, assistiu-se à habitual publicação de sondagens. O jornal “O Regional” publicava a sua terceira projeção, sempre com vitória para Paulo Cavaleiro, embora na última, a diferença fosse menor e indicava claramente o número de indecisos. O jornal labor, por seu lado, publicava uma sondagem apresentando empate técnico, embora com ligeira vantagem para Jorge Sequeira. Ambas as sondagens falharam claramente. 

No final do dia 1 de Outubro, já vencedor, Jorge Sequeira foi extremamente sensato nas suas declarações de vitória. Nos dias seguintes à eleição, tive oportunidade de seguir uma entrevista sua ao Porto Canal e não vi alteração nenhuma relativamente ao seu desempenho enquanto candidato.

Reduzir a vitória do PS a outras questões menores, é não reconhecer talento a quem fez melhor campanha, quem beneficiou do apoio da estrutura nacional e distrital do partido, quem controlou os ímpetos excessivos dos seus apoiantes e sobretudo, quem se preparou melhor politicamente. Penso que terá sido isto que terá motivado perto de 1700 eleitores a alterar o seu sentido de voto, dando uma maioria expressiva a Jorge Sequeira.

Nota final: essencialmente, em questões políticas, sou democrata e plural. Estou bastante longe da militância partidária. Em 2013, apoiei incondicionalmente a candidatura de Ricardo Figueiredo. Passei a ver os meus argumentos em sua defesa, expressos nas páginas deste jornal, a ser partilhados por muitos dos seus apoiantes. Em 2016, fiz parte da Comissão de Honra da sua candidatura. Por estes factos, encetei uma maior proximidade aos partidos que o apoiavam. Neste contexto, apareci, este ano, como membro da Comissão de Apoio de Paulo Cavaleiro, tendo igualmente contribuído para a elaboração do programa eleitoral. Contributo que exerci de forma desinteressada, sempre com a dedicação apropriada. Feito o esclarecimento aos leitores, não nego que no meu passado político, apoiei há vinte anos o candidato do PS, Josias Gil, por simpatia partidária. Mas, entre simpatias e relações afetivas, prefiro as últimas.

 

(a publicar no dia 19/10/17)

quarta-feira, setembro 27, 2017

Do Parque ao Fórum

                A participação no Campo de Férias “Estamos Juntos” fez-me conhecer muitos conterrâneos ainda de tenra idade. Entre os anos de 1982 e 1987, as traseiras da escola primária do Parque recebiam, nas manhãs de Julho, os participantes daquela iniciativa, pioneira no preenchimento ocupacional dos tempos livres das crianças e jovens, entre os 4 e os 12 anos de idade.
Essas manhãs eram preenchidas com atividades desportivas, contacto com algumas e aprendizagem rudimentar de outras. Além da promoção do convívio entre os demais participantes, completava-se o tempo com a experimentação de artes performativas, com peças de teatro e danças a serem as mais eleitas. Com base neste esquema, foram-se sucedendo as edições do Campo de Férias. O número de participantes foi aumentando de edição para edição, apesar de surgir concorrência após as primeiras edições. Uma constante desses anos foi inovação implementada, que atraía os participantes dos anos anteriores e fidelizava outros para os anos vindouros. Neste capítulo, recordo-me da construção de um campo de basquetebol, nos quinze dias anteriores ao início de uma das edições, ou do fim-de-semana em acampamento na Serra da Freita, ou mesmo, a receção de um grupo de ingleses ao abrigo dos programas de intercâmbio, para exemplificar o que se conseguia fazer em tempos remotos.
Neste contexto conheci Paulo Cavaleiro. Lembro-me dele ainda criança, sempre com vontade de descobrir novas modalidades desportivas, de competir com os mais velhos e de se superar. À medida que o conceito do “Estamos Juntos” foi evoluindo, ao ponto de se constituir como Associação e passar anos depois a organizar os Campos de Férias nas Corgas, teve sempre a companhia do Paulo. Recordo quatro desses momentos, que podem ajudar a caraterizá-lo:
I) nos torneios desportivos do Campo de Férias, por vezes, havia provas a decorrer em simultâneo, uma final do torneio de xadrez coincidiu com as provas de Natação, voluntarioso o Paulo manteve a participação em ambas, abandonava o tabuleiro e ia nadar e depois da prova, voltava ofegante para o tabuleiro e repetia o vaivém porque estava inscrito para outra;
II) anos antes, num dos primeiros acampamentos na Serra da Freita, um dos inscritos tinha 4 anos, Paulo era o mais velho, ficou responsável durante os três dias por cuidar do mais novo, a criança foi entregue aos pais sem qualquer arranhão;
III) numa determinada manhã, Paulo e sua irmã Sónia apareceram a correr pelos acessos da escola do Parque com umas folhas na mão, tinham criado um jornal do Campo de Férias – “o Férinhas” – tudo escrito à mão e assim copiado, a iniciativa vingou, tendo sido nesse título em que publiquei o meu primeiro texto;
IV) por fim, na tal evolução da AEJ, organizaram-se vários espetáculos na Praça Luís Ribeiro, em 1989, o “Adeus ao Verão” espetáculo com artistas sanjoanenses e durante vários anos da década seguinte, a festa final do Campo de Férias, escusado será dizer que Paulo participava sempre, mobilizando outros jovens para o palco, enfrentando a assistência sem qualquer dificuldade.
Ao longo do seu percurso de vida, que fui acompanhando, encontrei sempre estas caraterísticas. Primeiro no futebol, depois na sua dedicação à ADS, mais tarde como profissional de desporto e por fim, na sua carreira política. Tudo etapas mais ou menos conhecidas dos leitores e que têm sido lembradas na propaganda política.
Paulo entrou na vida partidária muito jovem, fez a ascensão política de baixo para cima, ou seja, da juventude partidária até ser candidato a presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, subindo os sucessivos degraus em mais de 25 anos de filiado. É olhado com desconfiança, por um certo elitismo, que não acredita na sua simplicidade e na sinceridade do seu discurso. Esquecem a sua capacidade de mobilização, de iniciativa e da energia que deposita nas suas convicções. Não compreendem que a sua política é próxima dum humanismo preocupado em cuidar dos mais desfavorecidos, promovendo o desenvolvimento e a justiça social. Felizmente, Paulo Cavaleiro não alterou o seu discurso, nem se iludiu com uma perspetiva económica nas suas palavras. Manteve-se focado na cidade, nas suas instituições e associações e sobretudo, nos seus habitantes.
Para chegar ao 7º piso do Fórum Municipal falta-lhe apenas ultrapassar um degrau democrático, vencer as eleições deste domingo.
 

quarta-feira, setembro 20, 2017

Como vai a campanha

A argumentação política, em torno das autárquicas do próximo dia 1 de Outubro, continua aquém do esperado.

Por um lado temos os partidos ou coligações a apresentarem candidatos e o programa eleitoral, ou seja, com um espírito positivo e tentando manter uma elevação eleitoral. Por outro, temos o costume… a centralização na pessoalização, entrando-se na tentativa de denegrir a imagem dos adversários, utilizando-se, desta vez, as querelas partidárias como argumento. Cada vez mais, temos as redes sociais como fator de mobilização. Passando as ideias ali expressas para os textos de opinião nos jornais e até neste contexto surgiu uma notícia não assinada, no jornal labor, na qual a deontologia jornalística parecia ter ficada esquecida.

Poderia escalpelizar os casos e dar vários exemplos, através dos textos que fui recolhendo ao longo deste últimos quinze dias, acrescentando alguns de Julho, quando ficou oficializada a candidatura de Paulo Cavaleiro como candidato pela coligação PPD-PSD / CDS-PP. No entanto, seria maçador para os leitores prosseguir com o exercício exaustivamente, por isso, apenas será apresentado um ou outro exemplo, de forma reduzida.

Ficou visível para a sociedade a inversão de juízo que os agentes de oposição passaram a fazer do presidente da Câmara Municipal em exercício. Ricardo Figueiredo durante três anos e oito meses não foi reconhecido meritoriamente. Sofreu alguns ataques, como nunca tinha sido visto em S. João da Madeira. A partir do momento em que anunciou a sua indisponibilidade para se recandidatar e ficando-se a conhecer os pormenores desse processo, tal facto provocou uma inflexão na opinião que os seus opositores tinham sobre si.

Há quatro anos, utilizavam-se argumentos de elitismo para atacar Ricardo Figueiredo. Hoje, é o inverso. Apelida-se a candidatura de Paulo Cavaleiro de “populismo”. O populismo é um flagelo na democracia ocidental, que assenta em pilares como o ataque aos refugiados, aos imigrantes e sobretudo, às elites. Não se verifica a utilização de qualquer ataque por parte da coligação PSD / CDS a um dos grupos mencionados. Antes pelo contrário, há uma mensagem explícita que as “elites” de S. João da Madeira não querem Paulo Cavaleiro como presidente. Não me parece que tal seja verdadeiro. Estive na apresentação do candidato no Largo S. António em Julho e muitas das pessoas presentes, tinham estado igualmente em 2013 na Casa da Criatividade na apresentação de Ricardo Figueiredo, à qual igualmente compareci. Em ambas como independente. Há uma catarse argumentativa, uma expiação do populismo exercido em 2013, que fica bem se o arrependimento for sincero e não pontual. 

As redes sociais são hoje um instrumento ideal para o poder de manipulação. Devia ter escrito a frase entre aspas, pois é uma citação retirada de um texto de Pacheco Pereira. O contexto era a comemoração das 10.000 edições do jornal Público. O historiador alertava para a necessidade de mediar os comentários anónimos nas páginas on-line dos jornais nacionais. Quando li, lembrei-me dos ataques que existem no jornal “O Regional” aos cronistas residentes. É certo que existem outros esquemas de manuseamento das redes sociais a favor quer de políticos, quer de políticas, tudo isto sem qualquer transparência, utilizando-se páginas anónimas tentando ridicularizar candidatos, como tem acontecido nas eleições deste ano. Na mesma semana, uma página do Facebook, especializada em satirizar os agentes da política, publicou dois posts alusivos ao candidato de PSD / CDS de S. João da Madeira. Pelo meio ainda o brindaram com uma alcunha.

                Perante tudo isto, aguarda-se pela publicação de novas sondagens, para verificarmos qual a mensagem que melhor é acolhida pelos eleitores: a positiva, respeitando os adversários políticos e promovendo uma campanha dinâmica de informação ou, no campo oposto, a ziguezagueante com argumentos antagónicos conforme o adversário e sobretudo, com apreciações dos candidatos que em nada abonam a classe política que o permite.

                O escrutínio do primeiro dia de Outubro dissipará todas as dúvidas. 

 

(a publicar no dia 21/09/17)

quarta-feira, setembro 06, 2017

Apontamentos de Agosto (não necessariamente autárquicos)

1. Em 1986 quando a Praça Luís Ribeiro ficou liberta de trânsito, havia a ingénua expetativa de a tornarem num espaço amplo, como algumas praças de cidades europeias (incluindo as vizinhas espanholas), mantendo a traça arquitetónica do lado nascente, que nessa época tinha o seu lado sul a fechar. Infelizmente, o Parque América, apesar de ainda não estar finalizado, já era uma realidade edificada, demonstrando a sua monstruosidade. O anunciado progresso com arranha-céus, centro comercial, discoteca e cinema inibiram a população de se pronunciar contra a construção. Houve sempre a esperança, atendendo às dificuldades da empreitada, que o edifício jamais terminasse. Ano após ano, a obra esteve parada e durante todo esse tempo não houve nenhuma manifestação veemente, ruidosa e organizada. A passividade continuou com a ideia de aplicar uma chaminé bem no centro, retirando amplitude à Praça. Nessa época, a possibilidade de promover concertos de música era uma realidade bem aproveitada, enchendo-se o centro com centenas de pessoas, para ouvir grupos de vários estilos musicais, havendo um critério rigoroso na seleção dos mesmos. E não havia sábado, domingo ou feriado em que não estivesse a praça cheia, mesmo na véspera. O elemento arquitetónico, depois de entrar em funcionamento em 1992,nada trouxe ao centro. Na perspetiva de espaço musical, a redução de capacidade na plateia, devido ao volume de construção no centro, associado a uma escolha sofrível nos concertos promovidos, foram afastando a população. Entretanto, novos espaços da cidade recebiam concertos a sério. O elemento arquitetónico era pouco visitado, até surgir a ideia de ali instalar uma associação de jovens. Tudo mudou já neste século, esta associação foi despejada, o elemento arquitetónico ficou vazio, a ocupar espaço no centro da Praça e aos poucos a sua utilidade foi posta em causa, bem como, a sua estética. Este Agosto desapareceu. A Praça ganhou de novo amplitude, visibilidade de nascente para poente, trinta anos depois. Houve protestos. Chegaram atrasados. Três décadas, uma geração. Tempo perdido.

2. Foi simpático aparecer um cachecol da ADS, durante o concerto de Manel Cruz no Festival de Paredes de Coura. Passei por lá quatro dias, a ouvir bandas emergentes e outras consagradas, muitas ao meu gosto, noutros casos a descobrir novos sons e a educar o ouvido. Sobretudo ouvir jovens que se inspiram em bandas que acompanhei devotamente, nos tais anos 80 do século passado. No rescaldo das férias, passei o mês a ver concertos. Logo no início a assistir à homenagem da cidade do Porto e do festival PianoFest à pianista Olga Prats. Além dos dias do Alto Minho, ainda tive tempo de passar, no sul do país, pelos Xutos e Pontapés, para mesmo no fim de Agosto e passados 33 anos, conseguir assistir ao filme Stop Making Sense. Um concerto dos Talking Heads filmado pelo falecido Jonathan Demme (realizador referência do cinema norte americano da década de 90). Numa sala de cinema, tive oportunidade de ver um documento que mostra o divertimento que pode ser um concerto, para o público e para os músicos. Além disso, a prestação de David Byrne é excelente e deu para arrepiar ao assistir ao seu desempenho, levando-me a perceber como sempre gostei da exuberância, no momento apropriado.

3. Assunto de Agosto, resolvido no início de Setembro, compareço na apresentação da nova equipa de Natação da ADS. Como sócio fico contente pela aposta do clube. A ADS continua a prestar um grande serviço à comunidade local e como bem afirmou o seu presidente, Luís Vargas Cruz, seria imperdoável que a atleta olímpica da cidade, Ana Rodrigues, tivesse que ir representar um clube de outro concelho. Dos novos diretores da secção, espera-se a dedicação apropriada para constituir uma nova equipa de acordo com os pergaminhos do clube. Ao treinador, Luís Ferreira, pela experiência acumulada, pede-se o empenho de sempre e sobretudo, audácia, para lançar um projeto de longo prazo para a Natação de competição de S. João da Madeira.                 

 

quarta-feira, agosto 30, 2017

Clima eleitoral

Foi necessário esperar pelo mês de Agosto, para finalmente se ficar a conhecer a totalidade dos candidatos às eleições autárquicas, do próximo dia 1 de Outubro.

Entre surpresas pela positiva, com o ingresso de novas caras entre os candidatos e a estupefação, pela saída de nomes consagrados da política local, os demais partidos ou coligações optaram claramente por uma maior renovação das suas listas, nos mais variados órgãos. Sendo certo que há recandidatos e alguns a encabeçar determinadas listas.

Existem dois fatores a destacar nas listas dos partidos com mais hipótese de vencer, segundo a sondagem publicada pelo semanário “O Regional” no dia 27/07.

Em primeiro lugar, a semelhante idade dos candidatos à presidência da Câmara Municipal de S. João da Madeira, ambos na casa dos quarenta anos. O que é um sinal de renovação e uma aposta no futuro, seguindo o princípio de que a experiência vai-se acumulando no exercício do cargo. Contudo, atendendo à sua idade, estes candidatos sofrem da desconfiança da população.

O aumento da esperança de vida tornou a população mais envelhecida, havendo uma grande percentagem de habitantes na casa dos 50, 60, 70 e 80 anos ainda ativos e com vontade de exercer o seu direito ao voto. Perante candidatos mais novos, desencadeia-se uma certa dúvida acerca das suas aptidões políticas. Porém, contraria-se as incertezas com o vasto currículo político dos candidatos. Sobrando, apesar de tudo, um sentimento paternalista dos eleitores mais velhos, estando sempre prontos a dar conselhos aos candidatos, mais novos.

O outro destaque vai para a composição das listas para o executivo municipal. O PS com uma aposta clara e corajosa em independentes, atribuindo lugares elegíveis a duas mulheres, o que reforça o esforço pela igualdade de género daquele partido. A este equilíbrio, a coligação PSD / CDS-PP respondeu com maestria. Primeiro recuperou mais dois dos vereadores que acompanharam os primeiros mandatos de Castro Almeida, reforçando a ideia da aposta em experiencia autárquica. Além disso, contemplou o parceiro mais pequeno da coligação com um lugar destacado, o que não só, é um reforço político, atendendo à experiência de João Pinho de Almeida, como também a tentativa de fixar o voto de direita nesta coligação.

E este é um ponto fulcral na eleição deste ano: a ausência do movimento independente.

Depois do surpreendente resultado de 2013, com a eleição de um vereador, o eleitorado penalizou esta força política, nas eleições intercalares de 24 de Janeiro de 2016, esvaziando-a nas urnas. Saber como vão reagir os 6,5% de eleitores no presente ano, é um dos desafios para os partidos. Para já, atendendo à matriz conservadora associada ao movimento independente S. João da Madeira Sempre, a coligação, pelo 3º lugar atribuído ao CDS conforme atrás mencionado, alarga mais os seus limites eleitorais e pode vir a recolher dividendos políticos para a obtenção de uma maioria tranquila.      

 Perante tudo isto, ultrapassado os atribulados convites, a apresentação de candidatos que afinal eram mandatários, chegamos a Setembro com tudo definido e em tempo de apresentação de propostas eleitorais.

Olhando para o calendário, verificamos que apenas falta um mês, para se saber quem será o vencedor das eleições autárquicas de S. João da Madeira.

As eleições deste ano, entre a apresentação de candidatos e a contagem de votos, ficarão resolvidas em seis meses, o que pode parecer curto. Ou antes pelo contrário, poderá ser o tempo ideal para um período eleitoral.

 

(a publicar no dia 31/08/17)

quarta-feira, julho 19, 2017

Vizinhos

A 1 de Outubro, seja qual for o resultado eleitoral, São João da Madeira vai conhecer um novo presidente da câmara. 

Depois de 18 anos da presidência de Manuel Cambra e de 12 de Castro Almeida, não haverá recandidatura de Ricardo Figueiredo, pelo que um novo ciclo começará no concelho.

Os 30 anos de estabilidade presidencial permitiram uma melhoria significativa da estrutura da cidade e das condições de vida da sua população. Embora alguns dos períodos de Manuel Cambra tenham sido de alguma turbulência, nada comparados com os primeiros anos da década de 80 do século passado, que antecederam o seu mandato, a verdade é que o então presidente, além da dinâmica implementada na autarquia, conseguiu unir esforços com os concelhos vizinhos, implementando uma série de serviços intermunicipais, ao abrigo da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria. O próprio Castro Almeida continuou a aposta com os vizinhos e conseguiu fazer progredir a intermunicipalidade, lançando vários projetos comuns, tanto na área digital, como na gestão de energia, de resíduos, entre outros.

Ambos tinham ascendente sobre os presidentes da câmara da terra vizinhas. Um pela experiência de vida e pela capacidade de concretizar obra, outro pelo percurso político e pela capacidade de captar fundos comunitários. Tanto um como o outro foram os verdadeiros líderes da sub-região, designada por Entre Douro e Vouga.

É certo que a integração desta sub-região na área metropolitana do Porto retirou força às parcerias de vizinhança.

Dos projetos em comum subsistem poucos. No entanto, nos últimos 4 anos, o Conselho Metropolitano do Porto foi liderado pelo autarca eleito de Oliveira de Azeméis e mais recentemente pelo de Santa Maria da Feira. Embora não tenha retido nenhuma medida agregadora durante o exercício de Hermínio Loureiro para os concelhos do Entre o Douro e Vouga, já nos últimos meses, voltaram a surgir notícias em que o interesse comum da sub-região passou à ordem do dia. Nomeadamente, na questão dos transportes, com a intenção da transformação do troço do Vouguinha entre Espinho e Oliveira de Azeméis a ser servido por comboio urbano, o que permitirá uma maior coesão territorial e rápida acessibilidade à cidade do Porto. Outro facto a realçar, prende-se com a renovação do coletor intermunicipal das águas residuais. Dois exemplos que permitem verificar que é necessário continuar a apostar nas boas relações com os vizinhos, apesar da inserção em espaço Metropolitano mais alargado.

As questões ambientais seriam porventura as mais fáceis de convergir e reivindicar em conjunto, como por exemplo, no processo de limitação dos odores do “casqueira”. A soma das partes afetadas ascenderia a quase 50.000 habitantes, considerando freguesias ou união delas, em redor da sede da empresa.

Haverá outros casos em termos ambientais, como por exemplo, a despoluição de rios com percursos a atravessar mais do que um concelho, em que o princípio deveria ser o mesmo, o bem-estar e a qualidade de vida da população.

Há, contudo, outras matérias em que S. João da Madeira pode voltar a liderar, o turismo é uma delas. Atendendo ao produto diferenciador implementado na cidade, com os roteiros de turismo industrial, seria importante pensar-se na sub-região quer no complemento na oferta, ou como integração no mesmo conceito, aumentando os processos e produtos industriais a incluir em roteiros. De qualquer forma, a ideia será avançar para captar a atenção dos operadores turísticos, diversificando a oferta dos milhões de estrangeiros que aterram no aeroporto Sá Carneiro e que podem ter uma experiência nova, num conceito novo intitulado de Porto industrial.

 

(a publicar no dia 20/07/17)

terça-feira, junho 27, 2017

da Madeira

                José Mattoso, prestigiado historiador português, desenvolveu a tese que alguns nomes das localidades derivam da sua principal atividade económica. Porto é o mais significativo e serve como exemplo. Do mesmo modo, a concentração de artesãos em determinada rua, ou mesmo, localidade, serviu como designação das mesmas. Neste sentido, tal como já o escrevi anteriormente neste jornal, S. Paio de Oleiros, S. Félix da Marinha e S. João da Madeira, seriam nas terras medievais de Santa Maria a localização de artífices da olaria, da pesca e do trabalho em madeira.

                Esta tese fundamenta a apetência histórica da indústria de S. João da Madeira.

Em época anterior ao aproveitamento do vapor como fonte de energia, a transformação de madeira servia essencialmente para a construção civil, mobiliário e armazenamento de alimentos. Ficou na toponímia da cidade o lugar do Orreiro, vocábulo associado à trave que entra na cavidade das lajes de certos moinhos, ou seja, um termo de edificação. É certo que em épocas tão remotas, o trabalho em madeira cingia-se à serração para tábuas e ao debaste através da enxó. Pode-se ainda pressupor que dessa madeira, cortada nas oficinas da povoação, conseguia-se produzir tamancos, socas e chancas, no que terá sido a génese da indústria do calçado. A toponímia, também aqui, tem um papel importante, pois identifica-se, precisamente, uma Rua dos Tamanqueiros, no norte da cidade, numa artéria perpendicular à Rua do Condestável.

                Não há transformação de madeira sem árvores e continuando pela designação de nomes de ruas ou lugares de S. João da Madeira, é possível identificar espécies como castanheiros (através do topónimo Largo do Souto, sendo este o nome coletivo para um conjunto destas árvores, o que é uma evidência histórica do arvoredo existente outrora na localidade), carvalhos (a existência de um lugar nas imediações chamado Carvalhosa, prova a presença antiga destas árvores, embora, tenha apreciado umas fotografias antigas de um belo carvalhal na zona de Fundões), além da Devesa-Velha, cujo significado indica lugar cercado por árvores, ou noutra versão, alameda ladeada por árvores. 

Tudo mudou com a revolução industrial.

Primeiro com o consumo de lenha para alimentar as caldeiras. Aumentado a procura nas imediações dos novos centros industriais.

O que acredito ter tido repercussões no negócio dos artesões da madeira foi a construção do caminho-de-ferro, com o fabrico de traves para as linhas e o facto das próprias locomotivas serem alimentadas a lenha. As serrações passaram ter outra capacidade de produção e como o produto tinha muita procura, a maior parte destas pequenas indústrias começaram a formar-se na proximidade da principal linha ferroviária do país, a linha do Norte.

                As serrações mais distantes da ferrovia foram-se especializando em outros produtos. É certo que a construção e o mobiliário continuavam a absorver muita madeira, no entanto, a especialização e por outro lado, a reconversão dos artesãos locais, fizeram com durante o século XX, ainda assim, vigorassem em S. João da Madeira algumas serrações, a produção de urnas, associadas à indústria de outros artigos funerários, como a cera, a produção de tábuas de passar a ferro e noutra perspetiva, os lápis de madeira, que ainda hoje são produzidos. 

A história da indústria da madeira muda com a chegada da eletricidade e mais tarde das locomotivas movidas a diesel e claro, com a introdução do betão na construção civil. Aqui, a transformação de madeira teve que descobrir outras soluções: caixas para acondicionar frutas ou legumes foi uma delas e após à utilização de polímeros naquelas embalagens, a produção de paletes tornou-se a solução ideal para quem trabalha no sector da madeira. Outra solução passou por painéis em platex, mdf, ou outros aglomerados.

                A produção florestal está associada à procura da indústria transformadora. Das espécies autóctones evoluiu-se para pinheiros, por insistência do Estado Novo (desenvolvendo-se a industria resineira e o aproveitamento do pinho para os mais variados fins) e mais tarde para as manchas de eucaliptos, alimentando-se as celuloses, que são hoje os principais clientes da floresta.

O desenvolvimento urbano da cidade, com a inerente industrialização, confinou a pequenas manchas as espécies florestais. Não é por isso que S. João da Madeira fica indiferente aos trágicos acontecimentos vividos na pretérita semana nos concelhos do interior do país.

                Sendo a produção de eucaliptos a principal fonte de riqueza da florestal nacional, pelo seu rápido crescimento até ao abate, parece-me importante, que não esteja sujeito a ações de vilipendiação, como fogos. Todas as ações de prevenção são importantes, assim como, recuperar os ensinamentos do passado: limpeza, acumulação de águas pluviais, evitar as monoculturas, introduzir pelo meio do pinhal ou do eucaliptal várias espécies autóctones, com maior resistência ao fogo e desta forma evitar a sua propagação por extensões tão elevadas. No fundo, é necessário reverter os erros dos últimos cinquenta anos e procurar encontrar um desenvolvimento sustentável na floresta.

 

(a publicar no dia 29/06/17)

terça-feira, junho 13, 2017

Os estáveis e os instáveis

Na passada semana prosseguiram as entusiasmantes eleições em alguns países europeus.

Em Março, na Holanda começou a esboçar-se o desmoronamento do populismo da extrema-direita nacionalista. Seguiram-se as eleições presidenciais franceses. Uma primeira volta, com grande incerteza sobre quem seriam os dois candidatos mais votados, que permitiu fazer-se toda e qualquer especulação sobre a política francesa. Mesmo após a vitória de Emmanuel Macron, na eleição definitiva, surgiram vários reparos: o fim da dicotomia “jacobinos” e “girondinos”; o voto “útil” republicano contra a Frente Nacional (FN) da família Le Pen, empolando-se o resultado desta força política, afirmando-se precipitadamente ser o maior partido de França; a impossibilidade do presidente eleito poder governar, pois o parlamento a eleger em Junho ser-lhe-ia hostil.

Chegados ao dia 11 de Junho, os resultados eleitorais de França permitem chegar a conclusões diferentes das premissas ventiladas após as eleições presidenciais. Em primeiro lugar, o novo partido “social-liberal” fundado em torno das convicções do novo Presidente passou a ser a maior força do parlamento, garantindo assim, a governabilidade da França. Em segundo lugar, a dispersão de votos pelos restantes partidos, fazendo com que a FN seja apenas a quarta força eleitoral, à frente do Partido Socialista (PSF), mas atrás do Partido Republicano e da esquerda insubmissa de Mélenchon. Por último, como se pode ver pelas linhas anteriores, o PSF perdeu completamente o seu eleitorado.

Ainda falta apurar os resultados definitivos das eleições legislativas, a segunda volta, a decorrer no próximo Domingo, no entanto, dá para perceber que o PSF está a ser penalizado pela péssima atuação do anterior Presidente da República Francesa e o seu indeciso governo. O PSF, mesmo com a sua deriva ideológica à esquerda, solução encontrada para evitar processos eleitorais semelhantes aos socialistas gregos, ou mesmo, holandeses, não cativou. Desta vez, o seu eleitorado preferiu o discurso claro, integrador e pró-europeu de Emmanuel Macron, optando por apoiar um partido central.

Um partido “social-liberal”, como se definiu o “A República em Marcha”, pode ser novo em França, no entanto, em Portugal já existe há alguns anos, precisamente o PPD / PSD, que alterna entre a ideologia liberal e a social-democracia de inspiração cristã. Curiosamente nos gráficos dos resultados eleitorais do passado Domingo, nos órgãos de comunicação social franceses, os resultados do partido de Macron apareciam a laranja.

A estabilidade eleitoral francesa, a sua opção europeia, contrasta com a instabilidade inglesa. Ambos os países tinham resultados nas eleições europeias semelhantes – uma clara vitória de partidos que pretendiam uma saída da União Europeia (em França, a FN e no Reino Unido, o UKIP). Para agravar a posição dos britânicos, no referendo sobre a permanência na Europa, o voto foi dividido, com ascendente para o “Não”. Com o “Brexit” na agenda, a primeira-ministra britânica forçou eleições antecipadas, para garantir maior capacidade negocial, baseando-se em sondagens que eram favorável ao seu partido, o Conservador. Uma campanha eleitoral com várias contradições, um discurso pouco claro, com pouco apoio dos jovens, não permitiu a Theresa May alcançar a maioria absoluta e corre o risco de governar com uma oposição maioritária no parlamento, caso não consiga fazer uma coligação séria com algum partido.

Por seu lado, o Partido Trabalhista conseguiu o melhor dos resultados dos últimos anos. Com um discurso, apelidado de retrógrado, do seu líder, Jeremy Corbyn, que agradou sobretudo ao eleitorado mais novo, o que não deixa de ser uma curiosidade. No meio da instabilidade inglesa, parece plausível afirmar que a convicção do líder Trabalhista foi o único argumento estável das eleições britânicas.

Pela diferença de posições dos partidos da esquerda moderada, em França e no Reino Unido, podemos verificar que as derivas ideológicas não correspondem exatamente aos mesmos resultados eleitorais. Cada país é diferente de outro, havendo sempre voto penalizador para discursos e atos pouco claros. Acontecendo o contrário, quando a convicção é grande, quer seja ideológica, quer seja inclusivamente pragmática, ou pró-Europeia, o eleitor prontifica-se a premiar a coerência.

A terminar, umas palavras para as eleições autárquicas em S. João da Madeira. Após a recusa de Ricardo Figueiredo em ser candidato pela coligação PSD/CDS-PP, recordo a ideia democrática portuguesa baseada nos partidos políticos. Cada vez mais me convenço, que o caminho dos independentes é seguir o exemplo de Rui Moreira: pela cidade, sozinho e quem quiser apoiar… não fica com os “louros” políticos.

 

(a publicar no dia 14/06/17)

quarta-feira, junho 07, 2017

O convite

                A aproximação temporal às eleições autárquicas e o desconhecimento dos candidatos de alguns partidos contrasta com o período que antecedeu o sufrágio de 2013.

                Sendo certo que em 2016,ano de eleições intercalares, a agitação partidária culminou com a vitória com maioria absoluta da coligação PSD / CDS-PP, no presente ano, o processo eleitoral ainda permanece em “banho-maria”.

                Durante os quatro anos alguma coisa mudou.

                Um balanço autárquico pode ser efetuado por três indicadores financeiros: despesas com o pessoal; endividamento e investimento efetuado. Na apresentação do relatório de contas referente ao ano de 2016, a autarquia de S. João da Madeira anunciou a redução da dívida municipal, para quase metade do valor de 2013, informando simultaneamente que em igual período o investimento tinha sido de 20 milhões. Sobre as despesas com o pessoal, confesso não ter retido nenhum número no último ano e recordo que em tempos houve a tentativa de empolar os números dos funcionários municipais, por parte de um antigo vereador, posição contrariada e demonstrada pelo executivo liderado por Ricardo Figueiredo.

                Aos três indicadores tradicionais, deve-se acrescentar um quarto: capacidade de atrair investimento para o município. Neste ponto, a reabilitação urbana financiada através de fundos comunitários (PEDU), com o consequente investimento privado em torno da Rua Oliveira Júnior ajudam a quantificar o montante global de euros a investir, que transformarão a entrada norte da cidade. No presente ano, a existência de uma grua naquela zona da cidade, é um sinal que os tempos são de mudança.

Outra forma de se fazer um balanço autárquico, é verificarmos a capacidade de resolução de assuntos herdados do executivo anterior. Se Castro Almeida, em oito anos, conseguiu resolver problemas antigos: pontão no Orreiro, túnel na Rua 5 de Outubro, restauro no Palacete dos Condes, finalização do arranjo da rua dos “jeitos”, acrescentando-se ainda o Jardim na Avenida da Liberdade, o Parque Urbano no Rio Ul, o Museu da Chapelaria, os Paços da Cultura, rematando a lista com a diminuição da dívida municipal, muito suportada pela venda de terreno para centro comercial.

Para o futuro presidente subsistiriam as inaugurações da Casa da Criatividade e da Oliva Creative Factory. Restauros com financiamento garantido, ficando Ricardo Figueiredo com a tarefa facilitada. O mesmo não aconteceu com a Piscina projetada por Souto Moura, com o desfecho conhecido de todos, que não vou relembrar.

Pelo caminho, neste mandato com intervalo eleitoral, concretizou-se o Museu do Calçado, enriquecendo o núcleo museológico da cidade, apoiou-se o empreendedorismo com a diversificação de incubadoras de empresas, lançaram-se obras para inaugurar antes do final do mandato, tendo em vista a melhoria geral da cidade e da sua população.

É certo que estes anos ficarão lembrados pela reabertura da Urgência do Hospital de S. João da Madeira. Desfecho que conheceu vários episódios, com duas resoluções diferentes, uma revertendo a outra. 

A partir do próximo ato eleitoral, haverá a necessidade de intervir de novo na Praça Luís Ribeiro, para emendar erros do passado. Há a necessidade de dar ocupação aos edifícios municipais devolutos (Palacete dos Condes e Casa do Rei da Farinha). Será imperioso resolver o problema da sobrelotação da piscina municipal. E para finalizar, haverá necessidade de se continuar a apostar na animação da cidade.

Neste sentido, o convite endereçado a Ricardo Figueiredo para se recandidatar, pela capacidade política demonstrada, pela resolução de problemas, pelo lançamento de projetos para a cidade, faz todo o sentido.

 

(a publicar no dia 08/06/17)

quarta-feira, maio 17, 2017

Finalmente tetra

Finalmente tetra

                O sábado passado foi intenso. Um sábado resumido em três “F”, pelo centenário das aparições de Fátima, pelo futebol e pelo Festival Eurovisão.

                Como podem ler no título da crónica, apenas vou referir o futebol, mais concretamente a conquista do tetra campeonato pelo Benfica. 

                O primeiro tetra campeonato foi conquistado em Portugal pelo Sporting. Corria o ano de 1954 e a mítica equipa deste clube ficou conhecida pelos “cinco violinos”, pela qualidade do futebol praticado, por igual número dos seus jogadores. Nas décadas anteriores, o Benfica tinha conquistado um tricampeonato, nas primeiras edições do Campeonato Nacional, feito igualado anos depois pelo Sporting. Conhecendo-se a rivalidade dos clubes lisboetas, percebe-se perfeitamente que alcançar um tetra campeonato foi uma obsessão para o Benfica. Depois de 1954, por quatro vezes, os encarnados conquistaram três campeonatos seguidos. O quarto escapou sempre. Umas vezes por poucos pontos, outras por mais e na última delas, em 1977/1978, o campeonato foi perdido pela diferença de golos marcados e sofridos.

Foi preciso esperar 39 anos, em rigor quase este número, pois faltaria um mês para se completar o aniversário, para os adeptos do Benfica conseguirem concretizar um sonho antigo: de igualar o feito da equipa de Jesus Correia, Travassos, Vasques, Albano e Peyroteo. É sabido que durante estas quase quatro décadas, aquele feito foi superado pelo Futebol Clube do Porto, pelo que, como se percebe, para os adeptos do Benfica um novo ciclo se inicia.

Os jogos decisivos são vividos por mim de forma especial. Transformo-me em adolescente, salto (quando não permaneço os 90 minutos sempre de pé), grito, enfim, vibro a ver os jogos. Este ano, optei por ver estes jogos acompanhado, em espaços públicos, como referi na crónica a propósito do Oliva Beer Mind, outros em espaços privados, quer em ambiente amigável, quer em ambiente hostil, ou em casa de amigos em ambiente de fraternidade e completo acordo na devoção ao clube. Adotando sempre a mesma postura de adepto, crítico nos maus momentos, incentivando quando as coisas correm mal e feliz por o jogo ter terminado. Há muito, optei por digerir rapidamente qualquer resultado.

Ver a festa de Lisboa, via BTV, apenas até à entrega da Taça ao capitão Luisão e depois repetir o ritual do banho de multidão na Rua João de Deus.

Quatro anos consecutivos, cada vez mais gente a encher as ruas.

A longa fila de automóveis, as perícias dos automobilistas, os fogachos, as tochas, os petardos a ecoar são as atrações da festa espontânea. Um manto vermelho, saltitante, repetindo os cânticos de incentivo à equipa são o motivo de união e os afetos trocados entre aqueles que se encontram por ali, tornaram as imediações do Largo do Souto, até à metade superior da Rua João de Deus, o principal destino do adepto do Benfica, residente na região envolvente de S. João da Madeira.

Apesar de toda a desordem observada, da ocupação da rua, do incumprimento do código da estrada, não foi preciso um contingente policial para serenar ânimos. A espontaneidade levou à desmobilização, contrastando com receções a equipas de futebol nos aeroportos, em que uma dezena de adeptos irritados, obriga à presença de três dezenas de polícias. Provavelmente terão razão as forças de segurança, em propor que os clubes de futebol passem a pagar diretamente o policiamento, nos estádios e não só, pois assim, os seus dirigentes, após a apresentação da fatura, seriam mais comedidos e deixariam de incentivar o ódio, retomando o desporto a sua vertente mais lúdica.

Feito o intervalo, nas próximas semanas retomo a análise política.

 

(a publicar no dia 18/05/17)

 

quarta-feira, maio 03, 2017

Dias de sossego

Em Abril ficaram a conhecer-se os primeiros candidatos às eleições autárquicas de 1 de Outubro. Apesar de ser prematuro fazer qualquer análise, por não serem conhecidas todas as candidaturas, é possível esboçar um pequeno comentário, face às decisões das últimas semanas.

Quem abriu as hostilidades eleitorais foi a CDU, com a apresentação dos três cabeças de lista. Tal facto comprova a eficiência desta coligação partidária, apostando na continuidade de alguns dos seus mais conhecidos militantes, o que é uma garantia para os eleitores que preferem votar em candidatos com provas dadas na comunidade, do que em políticos aventureiros e inconsequentes, com tendências demagógicas.

O anúncio da candidatura de Jorge Sequeira causou maior surpresa. Em primeiro lugar, por ser dado adquirido que o presidente da concelhia do PS seria o candidato do partido a presidente da Câmara Municipal. Esteve bem Rodolfo Andrade. Não seguiu as apostas dos comentadores políticos e provou que o PS pode ter outras soluções, que demonstram que o partido é democrático e não autocrático. Rodolfo demonstrou que é possível haver candidatos que não sejam simultaneamente líderes da concelhia, provando ser líder para servir o partido e não para se impor ao partido.

A reação do PS ao anúncio da candidatura de Jorge Sequeira foi curiosa.

Na primeira semana, quando o jornal O Regional anunciou em primeira mão o candidato, surgiram nas caixas de comentários na página da internet, sob um cobarde anonimato, uma série de críticas tanto ao presidente da concelhia, como ao visado. Na semana seguinte, já com certezas e informando o calendário da Comissão Política Concelhia, continuaram os comentários depreciativos. Ao ler tudo isto, esperava-se uma divisão do partido e que o nome proposto fosse aceite com uma diferença de votos muito baixa. Assim não aconteceu. Conforme foi notícia a semana passada, o nome de Jorge Sequeira foi aceite e bem, tendo recebido apenas um voto contra e dezasseis favoráveis.

Rodolfo Andrade e Jorge Sequeira ganharam o partido e isso verificou-se no dia 25 de Abril, com militantes e independentes afetos ao PS a acompanhar o candidato pelas ruas da cidade. Não se pense que são tudo rosas, os espinhos continuam a abundar nos comentários online no outro semanário local, obviamente anónimos e no mesmo tom de despeito e de falta de respeito, como se verificou nestes primeiros dias de Maio.

Independentemente de tudo isto, o regresso de Jorge Sequeira foi uma lufada de ar fresco para a política local. Ele é um militante indefetível do PS, com muita experiência política. O seu currículo demonstra-o. A garantia de serviço à comunidade é uma mais-valia do candidato do PS, em especial, pela sua ligação desinteressada ao associativismo, como se pode comprovar pela diversidade de instituições em que desempenhou funções, bem como pelos diferentes cargos ocupados.

Por ora, é isto que importa realçar. Permitindo que os democratas de S. João da Madeira fiquem descansados, pois sabem que seja qual for o resultado das eleições de 1 de Outubro, o progresso da cidade não será posto em causa, atendendo à sensatez que Jorge Sequeira demonstrou ao longo dos últimos 30 anos de vida pública. 

Duas notas finais: a primeira para dar os parabéns a ADS e à sua secção de basquetebol pela capacidade de mobilização demonstrada ao longo do último fim-de-semana, ao encher a sala de fornos da Oliva, na exposição levada a público. A segunda para as eleições presidenciais francesas, deste Domingo, fazendo votos para que os próximos tempos na Europa, não se tornem em dias de desassossego.      

 

(a publicar no dia 04/05/17)

 

quarta-feira, abril 05, 2017

Os dias no Oliva Beer Mind

À chegada ao festival de cerveja artesanal foram-me propostas duas opções: beber limonada e ginger ale, ou em contrapartida, beber o líquido em promoção na Sala dos Fornos da Oliva. O espaço estava composto de pessoas, ainda se conseguia circular facilmente, pelo que optei por circular pelos cervejeiros, cumprimentar os que estavam atrás do balcão que eu conhecia e fazer uma refeição, escolhendo uma primeira cerveja para degustação.

À partida sabia que não provaria os 120 sabores presentes no certame, nem muito menos conseguiria percorrer os 20 expositores. A minha estratégia para a primeira noite foi consumir as marcas mais conhecidas, dando preferência aos vizinhos regionais: Ossela, Santa Maria de Lamas, Aveiro e Porto. Deixar-me levar pelos sabores, aceder ao chamamento de alguns cervejeiros mais hábeis a contactar os visitantes do festival. E enquanto percorria as zonas iam observando a evolução das marcas, a melhoria da oferta, a forma como os produtos estavam expostos, ou mesmo, os seus nomes escritos a giz em ardósias pretas, como em tabernas antigas. Sorri com as charadas com o nome de estrela da música rocK, quer de artistas, quer de bandas, ou de títulos de álbuns associados a sabores, lembrando-me a minha ousadia na crónica da semana anterior.

Pelo meio ia revendo amigos de sempre (alguns 30 anos depois), ia vendo famílias a chegar. Pais acompanhados pelos filhos e avós acompanhados de filhos e netos e senti que o evento tinha atingido nessa primeira noite o seu objetivo: dar a conhecer aos sanjoanenses a cerveja artesanal portuguesa (e alguma espanhola) e em contrapartida, proporcionar-lhes um local de encontro, de reencontro, em espaço animado e com bom ambiente. Retive dessa noite, sinal claro do convívio proporcionado pelo festival, as crianças “invadindo” o palco e dançando ao som do ritmo jamaicano, produzido pela banda a atuar.

No segundo dia, já foi difícil estacionar. A rua interior da Oliva Creative Factory, de acesso ao evento, tinha imensas pessoas a circular. Seria bom para o espaço que todos os sábados à tarde fossem assim. Na Sala dos Fornos estava já uma multidão. Alegria no palco e junto aos expositores. Prometia ser mais uma noite de muita animação. É claro que havia o jogo de futebol, que poderia desmobilizar adeptos, ou criar atritos entre ambas as fações. E havia sempre a debandada sanjoanense de sábado à noite, com destinos vários, o que transmitia incerteza à adesão noturna ao festival.

Antes desses momentos, deu para saber que os forasteiros, cervejeiros, estavam encantados com a cidade e as suas gentes. A senhora da venda de copos e fichas à entrada estava surpreendida pela compreensão e simpatia do público visitante.

Para este segundo dia, depois do jogo, tinha definido visitar os restantes cervejeiros, menos procurados pelo público, por isso, menos afortunados. Lá fui conhecendo outros sabores, uns aceitáveis, mesmo que doces, outros intragáveis, pelo menos ao meu paladar. Enquanto isso, o espaço encheu, literalmente. Fiquei um pouco no exterior, vendo a chegar mais gente, muito nova, um público diferente do dia anterior. Ainda assim, em grande quantidade e igualmente um número razoável de famílias completas. 

Com o avançar da hora, o público disse presente. Os visitantes iam desarmando devagarinho, sempre com cara de satisfeito pelo momento vivido. Ainda assim, deu para ver jovens a dançar no palco e ouvir o som de Iggy Pop, proposto pelo DJ de serviço.

Ao terceiro dia, mais curto, sem prolongamento noturno, com menos público e igualmente diferente dos dois anteriores, ao som de música de inspiração balcânica, o festival continuava acolhedor. Visitei o espaço de culinária, repleto de crianças, que até esse dia não tinha tido oportunidade. Por ali circulei, perguntando pelos negócios, confirmando com ou outro fabricante como estava o volume de vendas. Nalguns casos nem precisava de perguntar, nas ardósias demonstrava-se a indisponibilidade de alguns paladares.

Momento de fim de festa e um pouco antes do final, dirigi-me à venda de limonada e ginger ale e comprei um copo de cada. Um último e surpreendente paladar.

 

(a publicar no dia 06/04/17)

 

quarta-feira, março 29, 2017

Beber uma "dijssel-bock"

No rescaldo das eleições holandesas, realizadas no passado dia 15 de Março, importa relembrar dois factos:

a)      o empolamento do resultado eleitoral partido nacionalista;

b)      o apagamento do partido social democrata.

Analisemos o primeiro facto.

Já tinha acontecido nas eleições presidenciais Austríacas, nas quais a comunicação social praticamente só destacou o resultado do candidato do partido perdedor, relegando para segundo plano, o vencedor – Alexander Van der Bellen, afeto ao partido ecologista. De tal forma que passado três meses, mesmo depois das eleições Austríacas terem sido repetidas, tendo o resultado final confirmado o primeiro escrutínio, ainda surgem referências aos 44% dos votos do partido de extrema-direita, como se tivesse sido uma vitória eleitoral.

O mesmo aconteceu na Holanda.

Apesar de várias sondagens preverem um resultado favorável ao partido nacionalista (PVV liderado por Geert Wilders), mesmo com a interferência exacerbada da Turquia na campanha eleitoral, o vencedor foi o partido conservador (VVD), liderado pelo primeiro-ministro Mark Rutte. Na divulgação dos resultados na imprensa Portuguesa, em muitos casos, a imagem que acompanhava o texto era a fotografia de Geert Wilders. Estranho no mínimo, não é?

E apesar do PVV ter conseguido apenas 13% dos votos, tal como mais outros dois partidos, elegendo exatamente o mesmo número de deputados, foi-se analisar o resultado à décima, para divulgar que afinal este partido tinha ficado em segundo. A coligação governamental ainda não está formada, havendo apenas uma certeza, o PVV não será governo, pois todos os outros partidos declararam-se indisponíveis para fazer acordos com o partido nacionalista.

O efeito prático do empolamento dos resultados eleitorais na Europa central não é claro. Não se percebe se o objetivo é minimizar o populismo para eleições em países como a França ou a Alemanha, ou se pelo contrário, a intenção é enaltecer o crescimento destes partidos. Contudo, como verificado nas urnas, os resultados demonstram que a vontade popular europeia não se modificou assim tanto.

Relativamente ao PvdA (partido de inspiração social democracia), inscrito na Internacional Socialista como o PS Português, foi o maior derrotado das eleições Holandesas. A coligação governamental, nos últimos anos, com o partido conservador, promovendo políticas de austeridade foi extremamente penalizadora para o PvdA, desmobilizando os seus eleitores habituais. Apesar desta evidência, tentou abafar-se o mais possível o resultado Holandês, sobretudo, entre os detratores do Governo de António Costa, que colocou o seu partido noutro caminho da social-democracia.

Acontece que o líder do PvdA, Jeroen Dijsselbloem, resolveu mostrar o seu caráter. Nem uma semana tinha passado do escrutínio eleitoral e soltou uma série de insultos aos povos do Sul da Europa.

Muito se escreveu a este propósito.

Retirando toda a carga sexista associada ao discurso do Holandês, temos a oportunidade provar que os portugueses são iguais aos restantes povos europeus. Sabem distinguir momentos de trabalho, de momentos de confraternização e diversão.

        Este fim-de-semana, aproveitando o Oliva Beer Mind, festival de cervejeiros que reúne 20 produtores nacionais e 5 espanhóis, S. João da Madeira tem a hipótese de provar uma variedade de sabores, com nomes com os quais não estamos familiarizados. Com um pouco de sorte, haverá algum com a designação semelhante ao do futuro ex-ministro Holandês. Ou a certo momento da noite, no calor da animação, a articulação verbal daqueles paladares poderá soar a qualquer coisa parecido.  

De qualquer modo, brindemos a quem demonstrou conhecer-nos tal mal.

                              

(a publicar no dia 30/03/17)

quarta-feira, março 15, 2017

Portas e janelas

                Na década de 40 do século XX, em período da 2ª Guerra Mundial, a professora da Escola Primária deu como trabalho de casa, aos seus alunos, contarem as portas e as janelas de casa. Entusiasmado, o meu tio Joaquim chegou a sua casa e pôs mão à obra. Primeiro nas traseiras, no piso térreo e no primeiro andar, depois na frente da casa. Tirou o apontamento e no dia seguinte mostrou o resultado: 10 portas exteriores e 15 janelas. Ao ouvir isto a professora não acreditou. Considerou ser fantasia infantil e para demonstrar ao meu tio o seu erro, pediu aos outros miúdos que apresentassem os seus resultados. Escusado será dizer que não havia valores que se aproximassem, pelo que o meu tio foi corrigido pela professora, com a explicação que cada casa tinha duas portas exteriores no máximo e igual número de janelas, ou quanto muito, mais uma ou outra janela. 
                A indignação, por não acreditarem nele, fez com que o meu tio Joaquim adquirisse sensibilidade social desde muito cedo, pois para perceber a diferença na contagem, passou a observar a casa dos colegas com outros olhos. E dentro dos princípios cristãos, que o orientaram ao longo de toda a sua vida, este ensinamento acompanhou-o sempre e manteve-o simples.
O meu tio Joaquim contava o seu episódio sem mencionar as portas interiores. A este propósito, é bom recordar um ritual curioso, diário, de à noite, fechar todas as portas exteriores e portadas das janelas, com trincos e trancas. O mesmo acontecendo à sucessão de portas de compartimentos inferiores de modo a impedir o acesso pelo interior ao piso de cima. De tal forma, que a minha falecida avó Florinda dizia, com a sua graça, que qualquer ladrão noturno teria que abrir tanta porta, que só chegaria junto a ela de manhã, com toda a casa acordada.
Cada fechadura tinha um segredo. O meu tio António conhecia todos os truques daquelas portas. Foi com ele que aprendi a ser persistente para vencer uma fechadura. Um encosto, para folgar o mecanismo, noutros casos puxava-se a porta para cima, ou então para junto de nós. Ainda há, por lá, vestígios da sua numeração das portas e respetivas chaves. Embora haja outros motivos para recordar o meu tio António: a sua persistência em ensinar-me o hino do Futebol Clube do Porto, mesmo sendo eu já em tenra idade adepto do Benfica, ou até, pela sua disponibilidade em assumir os defeitos dos sobrinhos, ou mesmo, pela sua faceta mais liberal nos costumes.
A este propósito foi o meu tio Henrique, bastante mais velho que os restantes irmãos, que me ensinou como conquistar a liberdade noturna. Contou-me ele um dia como em jovem esticava a hora marcada, embora soubesse que à porta de casa o pai estaria à espera. Se foi assim, pelos anos 30 do século passado, haveria de resultar comigo, cinquenta anos depois. Este meu tio era mais aventureiro. Aos 75 anos, já viúvo, anunciou uma ida a França, sozinho num Fiat 127. Chegado a Lourdes, apontou para Berlim para ver o muro acabado de cair e ali chegado, ainda prosseguiu no seu pequeno automóvel até à Polónia para conhecer a terra do Papa – João Paulo II. Escusado será dizer que não sabia falar Alemão, nem muito menos Polaco. Regressou com pedras do muro e com uma grande aventura para contar. Quando, em 2016, anunciaram o centenário de Kirk Douglas, um dos atores preferidos do meu tio Henrique, adepto das fantasias de Hollywood, emocionei-me, pela carga familiar associada.
Só me apercebi da importância que aquela casa teve para os meus tios, quando há alguns anos, uma das irmãs do meu pai, a minha tia Josefina, já idosa e com graves problemas de memória, em que não reconhecia os seus familiares, ao passar em frente à fachada da casa, ao avistar aquela sequência de portas e janelas, exclamou “Olha a minha casa!”, isto depois de ter construído casa própria, onde habitou durante muitos anos.
As outras duas irmãs do meu pai, Rosa e Mariíta, felizmente ainda estão vivas e partilham certamente o mesmo sentimento dos seus irmãos.
O meu pai herdou a casa. Conservou-lhe a fachada, manteve as janelas e basicamente existe o mesmo número de portas, com pequenas alterações relativamente à contagem mencionada no primeiro parágrafo.
Como Domingo é dia do Pai, decidi partilhar com os leitores esta pequena homenagem familiar.
 
(a publicar no dia 16/03/17)

quarta-feira, março 08, 2017

Evolução do poder local

Nas comemorações dos 40 anos do poder local democrático, o atual Governo anunciou a sua intenção de transferir mais competências para as autarquias. Uma reforma descentralizadora, dotando os municípios de outra capacidade de gestão em áreas da educação, saúde e ambiente. Uma alteração que implicará um maior Orçamento Municipal, como prontamente reclamaram os Autarcas, exigindo uma maior cativação de verbas provenientes do Estado.

Uma reforma a ser desenhada em ano de eleições autárquicas e que nos remete para o ano de 2013, quando em véspera das eleições desse ano, foi apresentada a lei “Relvas”, com a fusão de freguesias, em união das mesmas e a possibilidade de transferência de mais competências para as mesmas freguesias, por parte das autarquias. Deixando o decreto de lei uma zona sombria, pois as competências das autarquias e das freguesias eram, em algumas áreas, as mesmas, o que permitiu que algumas Câmaras Municipais não delegassem.

Se as competências motivaram uma disputa entre autarcas, já a união de várias freguesias foi ficando assimilada ao longo dos últimos quatro anos. Em 2013, nas eleições ainda havia promessas de repor o mapa autárquico. Nos anos anteriores à união, aquando do estudo prévio e na iminência de perder a junta de freguesia, pelo processo de fusão ser desfavorável a determinado partido, houve vários presidentes de freguesia que anunciaram a hipótese de mudança de concelho.

Hoje está tudo mais estável.

A reversão, que caraterizou o ano de 2016, passou ao lado da lei “Relvas”, o que se compreende, pois esta inspirou-se no processo de redução de freguesias do concelho de Lisboa, implementado em 2012 por António Costa, atual Primeiro-ministro, enquanto autarca da capital. A racionalização do poder local, reduzindo o número de freguesias, embora com várias lacunas, foi conseguida e quatro anos depois, nas próximas eleições, soará a retrocesso ouvir-se falar em alteração do mapa das freguesias, especialmente porque a descentralização em curso implicará uma maior atenção dos autarcas e de todos os candidatos. E a descentralização passará pela municipalização e não pela regionalização, o que é uma novidade política.

Houve outro fator a condicionar o poder local e em particular, as eleições de 2013, o limite de mandatos para autarcas há vários anos no poder. A proibição de se candidatarem permitiu uma renovação em várias autarquias. Só que em 2017, feito o “reset” a muitos Presidentes de Câmara, começam a ser anunciados vários regressos e ainda estamos a 6 meses das eleições. Portanto, poderá haver ainda muitas surpresas. Ficará em jogo a capacidade democrática da inovação partidária, em contrapartida ao apego ao poder de alguns autarcas, contrariada pela limitação de mandatos.

Tudo dependerá dos próximos resultados eleitorais.

A este propósito, um parágrafo final, para a importância das eleições no concelho do Porto. Se em 2013, Rui Moreira, candidato independente, foi eleito com apoio claro do CDS/PP e camuflado por uma boa parte do PPD/PSD, em 2017, o carisma do candidato aumentou e aos anteriores, acrescenta-se o apoio claro do PS. Ora, neste período de quatro anos, houve um recrutamento para o atual governo na vereação da Câmara Municipal do Porto, por isso, não é estranho o apoio declarado. Ficando a dúvida, atendendo à previsível vitória de Rui Moreira, se esta coligação representa o futuro do PS, contrariando a tendência obtida na Assembleia da República, que se converteu na maioria parlamentar conhecida como “geringonça”. Teremos assim, no concelho do Porto, um laboratório político ou, pelo contrário, apenas o reconhecimento do trabalho autárquico realizado por Rui Moreira? O futuro dará a resposta.        

 

(a publicar no dia 9/3/17)

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Volatilidade

                Com o aproximar do final de Fevereiro, era suposto haver alguma divulgação acerca dos candidatos à Câmara Municipal de S. João da Madeira. A pouco mais de seis meses das eleições, se descontarmos o mês de Agosto, habitual período de férias, o tempo começa a ficar apertado para os novos candidatos. Para adquirirem credibilidade eleitoral, aquelas etapas iniciais, de apresentação pública, visita prévia às instituições locais, contacto com a população nas ruas e espaços públicos da cidade, terão que ser planeadas de forma acelerada, com prejuízo para os candidatos pouco conhecidos, relativamente a quem já está instalado na política local, sendo por isso, perfeitamente assimilados pelos eleitores.

                Surpreendeu por isso, por ser em contraciclo, a divulgação, em período pré-eleitoral, do auto afastamento, por renúncia de mandato, de dois vereadores do partido da oposição ao executivo municipal. Podendo tal facto significar a impossibilidade de se tornarem candidatos em Setembro deste ano, o que resultaria no abandono da vida política local ao fim de quatro anos. Ora, tal facto, para quem em tempos foi assessor do executivo de Castro Almeida, índicia uma prática de relação com a vida comunitária apenas na ótica partidária.

                A dicotomia política não se resume à separação ideológica entre esquerda e direita, ou vice-versa. O centro encontrou uma fórmula nova: a distinção entre progressistas e conservadores. O candidato independente às eleições presidenciais francesas, Emmanuel Macron, encontrou aqui a sua tábua de salvação para contrariar os extremismos que a velha dicotomia originou, com as respetivas derivas populistas e que estão a lançar o pânico no mundo Ocidental.

Na política local, as diferenças são outras e a maioria das vezes podem-se resumir à volatilidade versus cristalização. Nada melhor do que um exemplo para ajudar a perceber esta classificação. O falecido professor Josias Gil foi candidato autárquico em 1997 e em 2001. Quando terminou o seu mandato, continuou a participar na vida comunitária, quer lecionando, quer participando no grupo de teatro, ou através da vida associativa – foi presidente da delegação local dos Rotários (opto pela designação abreviada, para poupança de carateres), ou escrevendo nos jornais e editando livros. Poderia prosseguir, recordando o seu regresso à política ativa e o reconhecimento pela maioria dos agentes da política local, do seu desempenho enquanto Presidente da Assembleia Municipal. Um exemplo de uma longevidade política e um grande envolvimento na comunidade.

Existem mais casos e vários exemplos de membros de vários partidos com uma longa carreira política, associada à sua vida profissional e à participação em várias associações locais. São, portanto, os políticos enraizados na sociedade, que dão garantias de continuidade aos partidos em que militam e promovem uma política de proximidade para com a população, por participarem ativamente na sua vida comunitária.

A tal vertente de cristalização, em contraste com a volatilização. Esta última definida, de modo simples, pela ação dos políticos que à primeira oportunidade desaparecem da participação na comunidade. Há aqueles que prosseguem a sua carreira política com outras ambições e desempenhos, quer em cargos nacionais ou internacionais, que não podem ser confundidos com outros que desaparecem ou fim de alguns anos, não deixando rasto, nem se envolvendo nas Associações de Pais, ou nas desportivas, ou culturais, ou de solidariedade social. Ou mesmo criando outras formas de intervenção, pondo em prática muito daquilo que defenderam durante os anos precedentes, só que desta vez com ação.

As comunidades têm sempre lugares para todos. Haja vontade em permanecer e contrariar o julgamento popular, que se pode reduzir pela frase repetida exaustivamente ”eles o que querem é um tacho”.

(a publicar no dia 23/02/17)