compilação dos textos publicados no jornal labor (www.labor.pt), de 2004 a 2020.
terça-feira, novembro 13, 2012
Competências
quarta-feira, novembro 07, 2012
Dupond e Dupont
terça-feira, outubro 30, 2012
Por este rio acima
Curiosa coincidência, li de forma sequencial três livros de escritores da comunidade local: Adão Cruz, Eva Cruz e Tiago Moita. Pela ordem inversa, pois o livro deste último havia-o adquirido em Abril, só que atrasei o início da sua leitura até Setembro.
Não tenciono fazer qualquer crítica literária às obras publicadas, nem tenho essa pretensão. O objetivo deste texto é referenciar a criatividade dos autores e enaltecer a publicação em livro dos seus trabalhos como escritores. O livro de Adão Cruz, “Vai o rio no estuário”, inspirou-me o título para este artigo. Segurei-me numa música de Fausto Bordalo Dias, baseada na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto.
Inverti o caudal ao rio, parti para montante.
A grande maturidade da poesia de Adão Cruz é patente na forma de apresentação dos poemas. Sem métrica predefinida, sem rima consagrada, obrigando o leitor a fazer pausas, exigindo-lhe encontrar nas palavras o sentido da poesia. Os poemas editados são lidos com um grande fôlego. Sustem-se a respiração pela intimidade destapada. Fica-se em apneia na sucessão de versos. Ao reencontrarmos o rio, o seu silêncio, temas transversais ao longo da sua obra, sentimos o conforto da poesia. Volta-se ao início do poema, relê-se, interioriza-se, entre avanços e recuos, deixamos o estuário.
As estâncias termais pressupõem as rotinas diárias. Os tratamentos, as refeições, os momentos de lazer, de convívio e os tempos entre uma coisa e outra. Quem já “fez” termas, hospedado por temporadas, identifica-se com o livro de Eva Cruz. Encontra nas suas descrições, os momentos por si vividos. A chegada, o reencontro com conhecidos, a identificação das mudanças, o lamento das ausências e a troca de outras informações pertinentes sobre os demais, são rituais termais. O enquadramento na montanha, o rio, numa fase mais aguerrida, mais jovem, são lugares comuns no imaginário dos frequentadores de quaisquer termas. “Corconte” é isto tudo e é na verdade portador de um nome enigmático, que permite várias interpretações.
O “Último Império” de Tiago Moita recupera a história nacional. A fundação do reino, a presença dos templários na reconquista, o reinado de D. Dinis, a batalha de Alcácer Quibir, a acusação ao Padre António Vieira são acontecimentos revisitados e reescritos à luz da interpretação do autor. No livro são explicadas várias correntes da parapsicologia e interligadas com o decorrer da ação. Tudo isto numa centena de capítulos, onde os personagens vão descobrindo vários mistérios. A sequenciação dos capítulos está muito bem conseguida, a narrativa vai aproximando os personagens - cada qual vai entrando na estória em capítulos próprios e por motivos diversos – e cada ação individual é interrompida no final de cada capítulo, entrando a narração para outro personagem.
O rio de Fernão Mendes Pinto, evidenciando com o relato da sua viagem, em pleno século XVI, a não existência de qualquer império digno desse nome, sob a bandeira da coroa nacional. Por vezes, esquecemo-nos da Peregrinação.
Tiago Moita procurou outra via e encontrou uma resolução interessante para o Quinto Império.
Morreu Eurico Alves, homem de palavras. Sempre pronto para homenagear os que partiram antes dele. Passei muitas horas da minha vida entre as ruas do Barroco e a Benjamim Araújo, por isso, cruzei-me com ele várias vezes. Aprendi a respeitar a sua escrita. A forma poética como descrevia os almoços da tertúlia, era bem recebida e ficarão para sempre na memória da cidade.
(a publicar no dia 01/11/12)
quarta-feira, outubro 24, 2012
Homenagem
terça-feira, outubro 09, 2012
A linha
quarta-feira, outubro 03, 2012
Moedas
quarta-feira, setembro 26, 2012
Leituras ao serão
quarta-feira, setembro 19, 2012
Esplanadas
quarta-feira, setembro 12, 2012
Pontos de vista sobre o preço da água
quarta-feira, setembro 05, 2012
Medalhas, gravatas, baloiços e camisa.
quarta-feira, julho 25, 2012
Unhas Negras
Ao longo dos séculos, o povoamento na região entre o Douro e Vouga evoluiu de forma semelhante à que é relatada na historiografia nacional:
1) A existência de ruínas de castros, ou de vestígios arqueológicos de origem celta, em locais como Crestuma, Pedroso, Romariz, Ul e Ossela demostram a existência de aglomerados populacionais dispersos e com ineficiente ligação entre si.
2) A chegada dos romanos à Península Ibérica trouxe melhorias significativas, sobretudo, pela construção da via entre as cidades correspondentes às atuais Braga e Coimbra. Atravessada pela via romana - como prova o marco miliário no concelho de Oliveira de Azeméis - desenvolveram-se nesta região as povoações de Cale, Lancóbriga e Talábriga, cuja localização, com exceção da primeira, é ainda hoje objeto de estudo e de várias interpretações.
3) A revolução económica introduzida pela invasão muçulmana, com uma nova moeda a circular; com o fomento do comércio com o exterior e sobretudo, com a construção de uma via terrestre mais próxima do mar; com a dinamização do porto de Cabanões - entreposto de pescado e de sal - modificaram o equilíbrio populacional existente na região.
4) A reconquista cristã encontra esta região com a sua povoação mais desenvolvida próxima do mar, embora afastada o suficiente para se proteger dos ataques sanguinários dos nórdicos, vulgarmente conhecidos por vikings, defendida por um castelo voltado para norte e para poente e sobretudo, tendo como principal atividade económica, a realização de uma feira anual.
5) Durante os séculos seguintes, as Terras de Santa Maria, limitadas a norte pelo Rio Douro, a sul pelo Rio Antuã, a este pelo rio Arda e a oeste pelo Oceano Atlântico tiveram o seu período medieval, com a liderança regional dos senhores do castelo.
6) Os forais manuelinos no século XVI criam vários concelhos na região, um dos quais, o da Vila da Feira, com mais de sessenta freguesias.
7) O fim do condado, no século XVIII, possibilitou o aparecimento do concelho de Oliveira de Azeméis. A reforma liberal, já em pleno século XIX de Mouzinho da Silveira manteve-o, agregando, entre outras, duas freguesias, que pertenciam ao concelho de Vila da Feira: Arrifana e S. João da Madeira.
8) No início do segundo quartel do século XX, em pleno regime republicano, Arrifana regressa ao seu concelho de origem e S. João da Madeira emancipa-se.
A industrialização deste concelho, apoiada pelo desenvolvimento de vias de comunicação, como a ferrovia do Vouga e a melhorada estrada Porto – Lisboa, fixaram a população e permitiram o seu desenvolvimento demográfico. No entanto, a indústria aumentava e diversificava as áreas de negócio. A mão-de-obra no concelho era insuficiente e havia necessidade de a recrutar nas freguesias vizinhas. O apelo industrial era mais forte do que o quotidiano miserável da agricultura de subsistência. Lentamente os campos foram colocados em segundo plano e o ingresso natural nas indústrias de S. João da Madeira tornou-se no dia-a-dia dos habitantes das freguesias vizinhas.
Um novo conceito de comunidade estabeleceu-se na região. A vivência comum em período laboral, não criou qualquer tipo de hierarquia entre os habitantes de freguesias vizinhas. Antes pelo contrário, como se pode analisar através das opções do fundador da empresa Molaflex.
As ações de cidadania não ficaram limitadas às paredes das diversas indústrias. A evolução do emprego em S. João da Madeira, com comércio e serviços, permitiu a oferta de diversas oportunidades à população desta pequena região. Por outro lado, a procura das escolas desta cidade pelas crianças e jovens - acompanhando o movimento diário dos seus pais - e noutra perspetiva o complemento ao ensino, através da formação em artes nas instituições municipais, ou pela prática de desporto nas associações locais, aumentaram o espírito de comunidade entre terras vizinhas.
É para mim evidente que o esforço, o empenho dos operários, colaboradores de empresas, retratados por João da Silva Correia e oportunamente homenageados pela cidade, com a edificação de monumentos, não se cinge aos habitantes de S. João da Madeira.
Somos todos Unhas Negras. Os daqui e os que dormem em Milheirós de Poiares.
Mas também os outros vizinhos…
Resta-me espaço, para desejar boas férias aos leitores do labor.
(a publicar no dia 26/07/12)
quarta-feira, julho 18, 2012
Do Casal Ventoso ao Intendente
terça-feira, julho 10, 2012
Missão Olímpica
quarta-feira, junho 20, 2012
Gerações
Dia de Portugal. Domingo à tarde. Em frente à televisão assisto à final do torneio Roland-Garros, em ténis. O espanhol Nadal está a vencer o sérvio Djokovic. A recuperação deste entusiasma-me. O jogo vai ser longo, a fazer lembrar a célebre final do Open de Austrália entre os mesmos dois jogadores.
Numa pausa, um pouco antes das 17 horas, aproveitada para exibição dos compromissos comerciais, mudo de canal. Assisto à entrada no relvado dos jogadores de Itália e Espanha. Ao ver o guarda-redes transalpino, fico curioso quanto à sua idade. Agrada-me saber que ainda é convocado e assisto ao seu entusiasmo a entoar a pleno pulmões a “Fratelli d’Italia”, hino do seu país.
- O Buffon tem 42 anos – asseguram-me.
Volto ao jogo de ténis, Djokovic continua a pontuar. Faz 1-2 e parte para o quarto set cheio de vontade de vencer.
42 anos. Ainda há jogadores de futebol no Europeu mais velhos do que eu?
Fico a pensar na idade do italiano. Enquanto isso, a chuva interrompe o jogo de ténis. Maldita. O jogo será retomado no dia seguinte. Às 12 horas. Uma hora imprópria para continuar a segui-lo.
Inconformado, retorno ao futebol.
Assisto aos golos. Às saídas em falso de Buffon e às suas excelentes defesas.
Lembrei-me dos 40 anos de Dino Zoff, o guarda-redes Italiano do primeiro Mundial que acompanhei religiosamente. Naquela época – 1982 - uma marca notável, coroada com a conquista desse título. Ainda recordei Peter Shilton, outro notável guarda-redes, este Inglês e sem o palmarés do italiano, mais conhecido por ter sofrido um golo apontado pela mão de Deus.
- O Buffon tem 42 anos – voltam a assegurar-me.
A idade dos jogadores de futebol e de outros atletas é entendida como uma fasquia geracional. O abandono da atividade desportiva é usual situar-se entre os 30 e os 35 anos. São raros os que prosseguem a prática desportiva depois dessa idade. Ao informarem-me da idade do Italiano, senti-me a rejuvenescer.
Djokovic perdeu o quarto set. Aproveitei a hora de almoço para espreitar um pouco o jogo. Ainda o vi a falhar por centímetros a possibilidade de evitar o tie-break. Nadal confirma-se como especialista em terra batida.
Sucedem-se as jornadas do Euro 2012. Portugal passa a vencer e apura-se para os quartos-de-final. Tal como os seus colegas da desgraça financeira: Grécia, Espanha e Itália.
O Euro absorve-me o tempo livre. O campeonato, ressalve-se. Sucedem-se dias a visualizar os jogos à hora de jantar. Atraso leituras, horas de escrita, por causa deste futebol. Faço contas aos grupos, aos jogos futuros, às possibilidades de encontros entre determinadas seleções e pelo meio, lembro-me de verificar qual a idade de Buffon.
34 anos, segundo a Wikipédia.
Como a fonte já foi mais fidedigna, procuro em site mais especializado e confirma-se, nasceu em 1978. Afinal, sou mais velho do que o guarda-redes italiano. Pesquiso as idades de todos os jogadores selecionados para este Europeu de futebol e verifico o que há muito sabia – já entrei na segunda idade.
Atento para outros pormenores deste Campeonato e recolho datas.
Giovanni Trapattoni orientou uma seleção na fase final do Europeu com 73 anos. Não conta reformar-se, antes pelo contrário, espera ainda ser apurado para o Mundial de 2014.
Uma outra fasquia geracional é afixada.
(a publicar no dia 21/06/12)
quarta-feira, junho 13, 2012
Calendarizar Eventos
Nas últimas edições do jornal labor, tenho escrito sobre as etapas a consolidar nos novos desafios da área cultural da cidade. A articulação das várias vertentes (ensino, criação e promoção), a fidelização de público, o desenvolvimento de parcerias regionais, foram os temas escolhidos e enquadrados pela complicada afetação orçamental desta vasta área.
A ordem apresentada não pressupõe sequenciação, nem sequer prioridades de ações.
Existem mais dois temas que são importantes salientar.
Um de cada vez.
Nas últimas semanas foram promovidos alguns eventos, inseridos na divulgação da reconversão das instalações da Oliva, o que é compreensível face à aposta da autarquia para os próximos anos. Iniciativa louvável, embora não se compreenda bem, se haverá mais ocorrências nos próximos meses, ou se ficamos por atos isolados.
Muitas vezes, a promoção cultural da responsabilidade da autarquia perde-se em iniciativas pontuais, sem sequência em anos seguintes, não se conseguindo assim, contornar os hábitos de consumo cultural da população.
O sucesso da “Poesia à mesa” e do Festival de teatro provam isso mesmo. Por terem data marcada, mais dia, menos dia, são facilmente agendados pelo público e são por isso concorridos e participados.
Isto demonstra a necessidade de criar um calendário anual de eventos municipais.
Não querendo ser exaustivo, com apontamentos de organização de eventos, faça-se o seguinte exercício, para os próximos seis meses: quais serão os espetáculos a serem promovidos no auditório dos paços da cultura?
A resposta incerta e vaga, permite concluir-se que um calendário de eventos, incluindo concertos, coreografias, exposições, acrescentando os mencionados sucessos atrás referidos, agendando tudo para o ano inteiro e sobretudo, repetindo-se no ano seguinte. Além da fidelização de público, este calendário permitirá uma melhor organização da divisão cultural e com resultados mais certos.
É importante referir que a promoção cultural é composta por três pilares: divulgação, qualidade do espetáculo e acolhimento ao público. Boas salas, não significam por si só, grande quantidade de público. Uma das variantes deficitárias, não permitirá que o sucesso da promoção cultural seja conseguido.
Um parêntesis para terminar este ponto, a necessidade de articular calendários de eventos com os concelhos vizinhos e também com os parceiros da área de metropolitana. A simultaneidade, no passado fim-de-semana, da iniciativa “Cidade e o jardim” e “Festa das coletividades” da freguesia vizinha faz temer as comparações sobre a essência dos mesmos.
O difícil nestes eventos é o envolvimento da população local. Feito bem conseguido, aplauda-se, nas dez edições realizadas no jardim da Avenida da Liberdade. No entanto, este esforço não permite dar à cidade qualquer projeção regional e ou nacional. Este reparo, reforça-se na possibilidade de angariação de fundos para as associações, clubes, instituições presentes no evento. Com mais visitantes, a probabilidade de obtenção de maiores receitas é superior, o que numa época de crise é sempre bem-vindo.
Termino a série de artigos, sobre a temática cultural, escrevendo sobre uma etapa desafiante, precisamente, a da adesão da população
Provavelmente é a mais importante.
É uma oportunidade para o concelho.
Para o bem-estar comunitário.
(a publicar dia 14/06/12)